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Mulheres…Mas Pouco...

por Robinson Kanes, em 09.03.17

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José Clemente Orozco,  O Martírio de Santo Estevão (Museus do Vaticano)

 

 

A maior parte dos reis que a História celebra nunca foram educados para reinar.

Jean-Jacques Rousseau, in o Contrato Social

 

Estive ontem, como convidado, numa actividade de recursos humanos centrada no "Dia da Mulher".

 

Estaria tudo bem, até aproximar-se de nós uma senhora que reclamava pelo simples facto dos responsáveis da respectiva organização estarem a sortear algumas prendas e não oferecerem um presente a cada uma das colaboradoras. Nada transcendente, no entanto, e confesso que até tenho uma grande simpatia pela organização (uma multinacional) em causa, entendo que as organizações têm as suas limitações pelo que, mais vale pouco que nada. E reforço, continuo a ter uma grande simpatia pela mesma organização, inclusive pelo CEO, mas não em Portugal.

 

O problema surge quando a “queixa” avançou, até porque se estava num clima que se pode apelidar de “boa onda” e a pobre da senhora afirmou: “somos mulheres, somos iguais”. Do ponto de vista da retórica e da afirmação de um direito a mesma passou com distinção... todavia, do ponto de vista da humanidade, alguém iria a cometer um verdadeiro genocídio... e já vão perceber o porquê do uso deste conceito.

 

Considero-me uma pessoa pragmática e com uma frieza germânica quando toca a tomar decisões difíceis... tive uma fase da vida em que cheguei a questionar alguma dessa frieza, mas nada me preparou para o que ainda vou vendo e ouvindo por parte de indivíduos que se dizem civilizados, que são portugueses, que são ilustrados e em modo Sociedade 9.0 e afins... o típico somos todos muito para a frente no Facebook e nas publicações que escrevem por nós, mas...

 

Face ao argumento da senhora em causa, a resposta da “Responsável” de Recursos Humanos (com um cargo de manager, portanto nem estamos a falar de directores) foi um “calma lá, não somos iguais que eu sou directora e você trabalha nas operações, não somos nada iguais, se alguém merece alguma coisa mais até sou eu”.

 

Pior? Só estamos em Dachau, já vamos a Treblinka. Na mesma celebração, fui abordado por uma pessoa com um cargo na mesma organização que me informou que alguém (manager) se havia recusado a integrar uma acção de formação como formanda porque não tinha nada que aprender com ninguém e muito menos com uma pessoa que acabou de chegar à organização. Nessa acção de formação, o Director para Portugal e dois membros do Conselho Executivo (fora do país) foram os primeiros a aceitar. Em jeito formal, acrescento: "mais se informa que as duas senhoras não têm sequer know-how na área em que desenvolvem trabalho".

 

Foram duas situações a mais para um só dia... lamentavelmente, pessoas jovens, mas com mais de 20 anos de casa, que sempre trabalharam no mesmo local e sem quaisquer qualificações para a tarefa... assumirem esta atitude narcisista e totalmente desumana com outros colaboradores (não sirvas a quem serviu, não peças a quem pediu, já diz o Povo) é deplorável e seria motivo de despedimento em todas as organizações por onde já passei. Para mim a resposta é simples: insegurança. Todavia, a insegurança não pode, nem deve, ser o bode expiatório para as maiores atrocidades e para o perpetuar de um sentimento de impunidade.

 

Nestas alturas, é-me fácil perceber como é que crianças judias (não só na Alemanha) de um dia para o outro viram os seus amigos de sempre a arremessarem pedras na sua direcção. É-me muito fácil perceber como é que Hutus foram capazes de matar familiares e amigos Tutsis de uma hora para a outra. É-me fácil perceber como é que Sérvios, Croatas e Bósnios deixaram de se abraçar num dia e se começaram a matar no outro.

 

 

Optei por sair, há situações com as quais recuso pactuar, mesmo como convidado. Chegado a casa, escutando uma Cantata de Bach, respondi a uma SMS recebida entretanto e afirmei que não era o ambiente no qual queria estar, pedindo as minhas desculpas e sugerindo passeios ao ar-livre, formações e psicólogos para que os envolvidos pudessem tomar consciência daquilo que tinham dito, mas pior que isso, daquilo que pensavam e pensam. Daqui aos exemplos que dei atrás, é um pequeníssimo passo, pois a diferença entre um indivíduo destes e um Rudolf Hess ou um Radovan Karadzic é que estes últimos tinham autoridade “legal” para o fazer.

 

Prometo que amanhã falo de coisas boas, mas não poderia deixar passar esta em claro, porque é falando dos erros que também aprendemos e não a construir frondosos palácios sob bases de papel, além de que, é estudando a fundo o problema que encontramos a solução. E afinal... era o "Dia da Mulher"...

 

Fonta da Imagem: Própria.

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59 comentários

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De Chic'Ana a 09.03.2017 às 10:20

Lá está: aqui tem de imperar o bom senso. Não podemos querer levar a nossa avante por sermos mulheres. Homens e Mulheres deviam estar em pé de igualdade, não um ser superior ao outro, em que dia for...
Beijinhos
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De Robinson Kanes a 09.03.2017 às 10:23

Nem é uma questão de bom senso.. é uma questão de humanidade. O desprezo (e agora vou ser duro) de quem vem de baixo face ao que está em baixo, só porque provavelmente não foi por caminhos mais fáceis, deixa-me chocado neste país! Aliás, é até motivo de risota e critica em Espanha…

Se algum dia apanhasse alguém numa equipa minha a dizer isto, era imediatamente despedido!
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De Chic'Ana a 09.03.2017 às 10:25

Humanidade e respeito. Eu penso que o respeito falha em larga escala...
Eu compreendo!
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De Robinson Kanes a 09.03.2017 às 10:32

Não podemos ter pessoas motivadas, não podemos ter diversidade e muito menos promover "engagement" com este género de atitudes por parte do "middle management".
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De Marta Elle a 09.03.2017 às 10:49

Bolas que as pessoas são mesmo complicadas. Eu ficava contente se sorteassem qualquer coisa porque, pelo menos, tinha a hipótese de receber qualquer coisa. Também não me incomodava aprender algo vindo de alguém com menos tempo de empresa que eu porque adoro aprender.
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De Robinson Kanes a 09.03.2017 às 14:59

De um lado e do outro, tenho a sensação que, em alguns povos, as pessoas nunca estão satisfeitas, mas isso é algo que irá sempre acontecer e quem, no dia-a-dia trabalha com estas, é apaixonado pelo que faz e o faz com competência sabe rapidamente explicar o porquê de uma escolha e não de outra.

Em relação ao segundo exemplo, sobretudo porque quem chegou agora chegou já deu provas de ser das melhores no mercado.
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De a mãe dos PP's a 09.03.2017 às 10:52

Ficaste sentido.
Somos todos iguais e é triste perceber que há pessoas que se julgam superiores por terem determinado cargo,determinado emprego,determinado carro. Quando a verdade é só uma: Somos feitos da mesma matéria e quando fecharmos os olhos não levamos nem o emprego,nem o cargo, nem o dinheiro nem porra nenhuma. Todos levamos a mão ao rabinho, todos morreremos um dia e o que fica é o amor que demos,as gargalhadas á vara larga e as lágrimas partilhadas. Eu não sou santa nenhuma, aliás sou cheia de defeitos, mas nunca pisei ninguém por estar na mó mais acima ou por estar mais "segura". De um momento para o outro tudo muda, nada é nosso, nada mesmo.
Beijinhos e muita força.
Obrigado pela partilha, irmão
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De Robinson Kanes a 09.03.2017 às 14:59

Não direi sentido, mas inquieto. Se por um lado este tipo de ocorrências não me espanta, ainda me inquieta o porquê.
Poderia fazer uma confissão, mas as pessoas mais ricas que conheço, e algumas bem ricas, são as mais modestas e humildes.
Penso que existem três escalões... e só com dois sinto que consigo aprender algo, o escalão de quem está mesmo em baixo e tem vontade de fazer algo e o escalão de quem anda lá bem pelo alto. O intermédio (muitas vezes oriundo do de baixo), e onde se situa uma grande faixa da população, nomeadamente no caso português, ainda é com quem tenho maior número de “discussões”.

Obrigado irmã! Quem diria...
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De Maria a 09.03.2017 às 10:52

Embora sabendo que esse tipo de mentalidade é mais comum do que gostaria que fosse, fico fascinada com a falta de (tudo e mais alguma coisa) bom senso que alguém pode ter para sequer ter o descaramento de dizer algo do género em voz alta...
E sim, falamos claramente de insegurança. E de muita falta de humildade.

que vergonha!
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De Robinson Kanes a 09.03.2017 às 15:00

Pior que falta de bom senso é a falta de humanidade. Mas sim, quando não estamos seguros na nossa posição, na nossa competência e no nosso mérito, acredito que possamos ter atitudes destas... embora quem está inseguro, deveria ser suficientemente humilde para pedir ajuda.
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De Maria a 09.03.2017 às 16:59

Concordo com tudo!
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De Robinson Kanes a 09.03.2017 às 17:59

Pronto! É assim mesmo! :-)
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De Rita PN a 09.03.2017 às 11:27

De cabelos em pé...

Ora vejamos, uma senhora revoltada por serem sorteadas oferendas, ao invés de se presentear cada uma das figuras femininas da organização com uma flor... Defendendo a sua ideia com recurso ao mote Igualdade.
E outra senhora que por se considerar uma senhora diferente da outra, recusa essa mesma igualdade, incutindo na sua semelhante um sentimento de inferioridade, fazendo uso do método do desrespeito, da falta de humildade e de humanidade.

Estou a tentar encontrar palavras para isto...
Dizes tu que se tratava de uma atividade na área dos recursos humanos ligada à comemoração do Dia da Mulher? Não pode ser, Robinson. Foste enganado.

Se para uma das senhoras, a oferenda de uma flor, lhe elevaria a auto-estima não só por se tratar de uma homenagem, mas por ser alcançado o estatuto de Igualdade entre mulheres, algo está realmente mal.
Numa data comemorativa das lutas travadas por mulheres, tendo em vista a igualdade de direitos e de género, vem uma senhora mostrar que, afinal de contas, nem entre o universo feminino essa igualdade existe, sendo necessário, em pleno século XXI presenteá-las com uma flor, para que isso se torne verdade (para elas).

Mais grave é a tomada de posição da outra senhora. Que sendo detentora de um cargo superior, faz questão de o usar como arma de arremesso contra a outra. Inferiorizando-a, desrespeitando-a, rebaixando-a e tratando-a com total desdém. Tendo, porém, mérito numa coisa, em mostrar que de facto essa igualdade não existe. Que há um longo caminho a percorrer não só a nível dos direitos trabalhistas, sociais e políticos, mas também no que aos direitos humanos diz respeito (onde as mulheres são as suas maiores inimigas).

Recursos humanos, dizes tu? Foste enganado.

(Assim que tiver tempo já cá volto para comentar o restante conteúdo do post)
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De Robinson Kanes a 09.03.2017 às 15:00

Não é para ficar, é mais comum do que parece e cabe a um profissional ou um humano saber lidar com isso da melhor forma.

Sim, temos o conceito de igualdade completamente encerrado num caixão selado a chumbo... penso que é o que as duas abordagens acabam por fazer.

Eu do lado da senhora da base da pirâmide (adoptando a postura da outra senhora) até entendo, além disso, o povo português adora brindes, nem que seja uma casca de noz. Aqui a atitude tem de vir do outro lado, e sim, utilizar o teu argumento, ou então simplesmente explicar o porquê – contenção orçamental, o querer fazer algo diferente mas que implica que não se chegue a todos, ou então a questão de que a verdadeira valorização do trabalho e da mulher que o executa acontece todos os dias. Todavia, para explicar esse porquê também já é preciso estar munido de uma grande bagagem humana e nisso as palavras do Rousseau são claras.
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De Rita PN a 09.03.2017 às 17:09

"além disso, o povo português adora brindes, nem que seja uma casca de noz." ahahahah tão nós!

"ou então simplesmente explicar o porquê contenção orçamental, o querer fazer algo diferente mas que implica que não se chegue a todos, ou então a questão de que a verdadeira valorização do trabalho e da mulher que o executa acontece todos os dias." - E entende/aceita quem for dotado para.

A respeito do restante conteúdo do post:
"se havia recusado a integrar uma acção de formação como formanda porque não tinha nada que aprender com ninguém e muito menos com uma pessoa que acabou de chegar à organização."

" É impossível um homem aprender aquilo que ele acha que sabe." - Epicteto

Uma vez mais, nem humildade, nem integridade, nem profissionalismo, nem humanismo nem coisa nenhuma... essa postura é-me muito familiar. Julgo que a "discuti" contigo num dos comentários ao post da Pancadaria Portuguesa.
A tal posição: sou da casa, sou mais velho e não vou ser ensinado (nem receber ordens, noutros casos) por um novato que aqui chega e se acha sabedor daquilo, a respeito do qual, não faz ideia nenhuma.

Em ambos os casos, a imagem que me passas da organização deixa muito a desejar a nível de políticas de recursos humanos. Principalmente nos tempos que correm, em que nós, os mais jovens, começamos a dar mais valor aos propósitos das empresas e à sua missão, assim como às suas políticas humanas e de desenvolvimento pessoal.

Falas em insegurança. Concordo. Muitas das atitudes, à semelhança das que descreves, são tidas como reação a um confronto (interno), gerado por essa mesma insegurança.
"Todavia, a insegurança não pode, nem deve, ser o bode expiatório para as maiores atrocidades e para o perpetuar de um sentimento de impunidade."

E agora puxaria o tema dos direitos humanos, do comportamento humano e do cérebro humano para comentar o parágrafo seguinte, mas nem vale a pena. fica para um qualquer outro post teu. (Não posso correr o risco de gastar as palavras neste ahahahah)

Em suma, fizeste o que para ti foi o correto. Foste fiel a ti mesmo, não foste hipócrita para permanecer no local e fingir que estava tudo de acordo com os teus valores e foste para casa.

Olha, se algum dia na vida vier a ter um pai, gostava que ele fosse como tu...!

Contigo aprendo sempre. Nem que seja a ver numa outra perspectiva!
Obrigada, Robinson!
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De Robinson Kanes a 09.03.2017 às 21:27

Epicteto como bom estóico sabia o que custa e como se desenvolve a vida :-)

De facto, mas aqui o novato é uma pessoa com muita experiência e com provas dadas que decidiu abraçar um novo desafio. A humildade ajuda-nos a crescer até porque coitado daquele que ainda acha que vai descobrir a pólvora sozinho.

As políticas de recursos humanos são deveras interessantes, baseio-me no que vejo "online" e em contactos com pessoas lá fora. Em Portugal as coisas são diferentes de facto, embora sem querer avaliar as políticas em questão, o comportamento de quem é o garante das mesmas, esse sim, deixa muito a desejar. Recordo-me perfeitamente desse artigo e da discussão que tivemos, foi deveras interessante e debateram-se várias temáticas que, em muitos sectores, ainda hoje são tabu.

Conheci e conheço excelentes profissionais (e não falo de amigos) mas também conheci outros tantos cuja insegurança/falta de competências/e outras coisas mais, leva a este tipo de comportamentos. É uma defesa baseada no ataque e na humilhação do outro que só tem limites quando o outro pode trazer algo que proporcione um ganho pessoal. Mas isso, como disse a Alice Alfazema num comentário que aqui deixou, nem é só nas organizações empresariais.

Sim, vão existir mais oportunidades. São temáticas que gosto de discutir e encontrar outros pontos de vista diferentes. Isso ajuda-me a ser melhor, mas também a trabalhar melhor. Penso que é na discussão aberta destas temáticas que retiramos algo e não num resultado trabalhado, vazio ou numa só direcção. Muitas vezes estou errado e esta partilha também me ajuda nesse aspecto.

Ora, que elogio… tenho muitas fraquezas, vai por mim…


Quem agradece sou eu, a disponibilidade, a abertura, a discussão e a introdução de questões importantes.

Obrigado.
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De Rita PN a 10.03.2017 às 10:25

Ora então muito bom dia!

Continuando...
Claramente que o podre não está no novato, nem na aposta no novato, tão pouco a portunidade dada, criada e abraçada. O bicho está sim, sim nas maçãs mais velhas nada abertas à mudança (diria que é algo repulsivo) o que, olhando mais demoradamente, poderá culminar numa oposição à inovação, uma vez que sem mudanças ela não acontece. É um colaborador avesso à inovação e à mudança é uma valia para a empresa?! A menos que algum outro interesse se levante, eu diria logo que não.

A respeito das políticas de recursos humanos, não tenho conhecimento suficiente para fazer determinadas abordagens, nem para falar em números, mas por experiência própria e por experiências de pessoas próximas, eu diria que a maioria do insucesso das mesmas se deve às pessoas responsáveis pela sua aplicação é não pelas políticas em si...
Que por certo, pelo menos nas multinacionais, estarão uniformizadas. Penso eu.

Estou aqui a pensar que os meus superiores não iriam gostar de ler aquele nosso debate de ideias ahahaha
Mas caso o lessem hoje, já nada mudaria, uma vez que, por muitos dos motivos abordados recusei a proposta que me foi apresentada para (finalmente) ficar efetiva... A 180km de casa... (Algarve).
Pois não. Não é pela distância, porque eu tenciono, assim que findar o contrato no final do mês, regressar a Lisboa. É sim, por todo um envolvimento menos conseguido, ou falta dele, no que às políticas adoptadas diz respeito. Se gosto do que faço? Muito. Se me dá prazer trabalhar? Sim. E o ambiente é agradável? Não. Se há entreajuda, simbiose, acompanhamento, inventivo, motivação e todos remam para o mesmo lado? Não. Se muitas vezes carrego fardos que não são meus e sou remunerada de igual forma que os demais? Sim. Se te reconhecem o valor diariamente? Não (à excepção dos clientes que expressam a sua vontade por preferência no meu atendimento). Se te apontam cem dedos por uma única falha em duzentos acertos. Sim. Construtivamente? Não. Se tenho horizontes e ambição? Bastante. Na empresa? Não. Sei que efetiva ou não, a empresa não dá a mão aos colaboradores. Não cria oportunidade de ascensão aos de dentro. E caso o queira, sei que tenho que o fazer estando de fora.
Por necessidade de abrir horizontes, abraçar e criar novas oportunidades, aprender mais e diferentes coisas... Estou a dizer não a uma segurança que muitos querem e à qual se acomodam. Eu não consigo. E já me chamaram maluca dezenas de vezes. Todos os dedos me são apontados. "Dá deus nozes a quem não tem dentes." Eu respondo " Enganas-te, neste caso os meus dentes não trincam é todas as nozes."

Olha, são as fraquezas que nos tornam humanos. Quem as não tem? :-)


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De Robinson Kanes a 10.03.2017 às 13:53

A inovação, seja má ou boa, à partida deve ser sempre estudada. Confesso que hoje em dia se fala muito de inovação e quem questionar uma abordagem inovadora é imediatamente apelidado de retrógrado e pouco esclarecido. Penso que o floreado que ainda rodeia o conceito leva a que o mesmo por vezes descambe em inovação inútil. Todavia, sem inovação não avançamos e é a partir daí que todos as propostas/oportunidades devem ser avaliadas.

Sim, a uniformização tem duas falências: se por um lado podemos fugir à regra apostando em programas mais adequados a uma realidade local… também podemos fugir à regra e distorcer as mesmas… as políticas, criadas por pessoas, são também aplicadas por pessoas, mas se às pessoas faltar um leque de competências profissionais, sociais e humanas, temos um problema… e aí voltamos ao início da questão: quem recruta? Pessoas. E, em muitas organizações, directamente do departamento de RH. Se este estiver recheado de vícios e incompetência, à partida temos logo a falência de todo o processo. Em algumas organizações o recrutamento ainda é feito sem qualquer profissionalismo e com maus profissionais. Dou-te um exemplo: tenho alguns colegas (fora do pais) que fintaram o departamento de RH e escreveram directamente aos gestores das áreas em que queriam trabalhar, a taxa de sucesso destes não anda longe dos 100%. É claro que por Portugal já tentei fazer o mesmo, mas lutar pela vida e abordar alguém com um projecto ainda é visto como algo insolente. A minha taxa de sucesso anda longe dos 100% :-)

Talvez gostassem de ler, acredito que ainda há boa gente no mercado em Portugal… quero acreditar que sim e nem todos podem ser maus.

Conheço alguns exemplos como o teu, estou incluído neles, já recusei propostas para trabalhar em organizações com as quais não me identifiquei… penso que ficam as duas partes a ganhar! O facto das pessoas quererem uma vida calma leva-as a aceitar propostas de aumentos e contratos permanentes (ou a não largar os mesmos) a troco de segurança, mas também de uma vida de desmotivação. Nesse caso… perdem as organizações e as pessoas. A consciência de que organização perfeita não existe tem de ser assimilada e a partir daí, cada um deverá encontrar o caminho que o complete mais. Quantas vezes não ouço as pessoas a dizerem que não olham a meios para atingir os fins porque querem uma casa maior, ou porque simplesmente têm de pagar aquela em questão… e outras coisas mais? Poucas vezes, na realidade portuguesa, o foco está na paixão pelo trabalho.

Arriscaste vais colher os frutos do risco… caso não consigas, o mundo também não acaba e tudo virá com tempo.

Todos as temos...

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De Rita PN a 11.03.2017 às 14:46

"Penso que o floreado que ainda rodeia o conceito leva a que o mesmo por vezes descambe em inovação inútil. Todavia, sem inovação não avançamos e é a partir daí que todos as propostas/oportunidades devem ser avaliadas." - Subscrevo.

"...as políticas, criadas por pessoas, são também aplicadas por pessoas, mas se às pessoas faltar um leque de competências profissionais, sociais e humanas, temos um problema… e aí voltamos ao início da questão: quem recruta? Pessoas. E, em muitas organizações, directamente do departamento de RH. Se este estiver recheado de vícios e incompetência, à partida temos logo a falência de todo o processo."
Eis o cerne da questão!

"A consciência de que organização perfeita não existe tem de ser assimilada e a partir daí, cada um deverá encontrar o caminho que o complete mais." - Caminho esse, que é muitas vezes esquecido ou posto de parte por se ter encontrado uma lugar/paragem confortável para se permanecer. Mesmo que não se saia dali, mesmo que por lá já não passem comboios, mesmo que se perca a capacidade de se surpreender, indignar e levantar do sofá para ver o mundo que existe para além da televisão.

Citando o escritor Afonso Cruz numa entrevista para a revista visão:
" A determinada altura, aparece uma classe média forte, que nos dá um conforto de vida mas, por outro lado, também é o que nos impede de nos mexermos, de agirmos, de melhorarmos algo à nossa volta. Muitas vezes, preferimos manter-nos no sofá, com um comando de televisão na mão...O que também tem a ver com a sociedade, como esta é criada."

E no interior do seu livro 'FLORES':
"Tenho a certeza de que a vida morre com a rotina e não com a morte, e que o hábito nos petrifica, um dia olhamo-nos ao espelho e estamos transformados em estátuas, faz lembrar a mulher de Lot, quando ela e o marido saem de Sodoma, estando esta a ser destruída devido à iniquidade dos seus habitantes, e lhe dizem para não olhar para trás.(...) a mulher de Lot não deveria ter qualquer desejo de regressar a uma vida absolutamente sedentária, desejar a rotina e execrar a mudança, uma vida nova, mas sei que isto nos acontece, queremos o conforto da banalidade, daquilo que conhecemos, sentarmo-nos num restaurante e pedir sempre o mesmo bitoque, olhar para a corrupção quotidiana como quem olha uma montra de um pronto-a-vestir, fazer sempre as mesmas maldades, dobrar as camisolas da mesma maneira, votar nos mesmos criminosos, saber que meias estão na gaveta certa, ignorar a miséria e ter a certeza absoluta de que os chapéus não serão jamais pousados em cima da cama."


Se eu não arriscar, ninguém o fará por mim, assim como nunca saberei que resultados poderiam vir da minha acção.

Adoro Hemingway quando diz: "nunca se confunda movimento com acção". E olhando para a sociedade e para o mundo em redor, vejo demasiada movimentação para tão pouca acção.

Um excelente fim de semana, grande sábio da vida!
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De Robinson Kanes a 13.03.2017 às 15:25

Citando o escritor Afonso Cruz numa entrevista para a revista visão:
" A determinada altura, aparece uma classe média forte, que nos dá um conforto de vida mas, por outro lado, também é o que nos impede de nos mexermos, de agirmos, de melhorarmos algo à nossa volta. Muitas vezes, preferimos manter-nos no sofá, com um comando de televisão na mão...O que também tem a ver com a sociedade, como esta é criada."

É este sentimento, ou forma de estar, que faz com que à mínima dificuldade se transformem pequenas questões em dilemas insustentáveis com consequências na saúde, na vida e na relação com os outros.

Penso que Flores resume um pouco o estado de apatia e tenta nele encontrar a falência do ser-humano e até da sociedade como grupo de indivíduos com relações de dependência entre si.

Muito movimento, muito folclore mas pouca acção! Sem dúvida… não fosse Hemingway um daqueles tem lugar nas prateleiras cá de casa.

Sábio da vida? Nada sei… acho que ainda nem sei o que é a vida e como ela se desenrola… penso que muitos de nós morrem, inclusive sem o saber.
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De Robinson Kanes a 09.03.2017 às 21:33

E que mais haveria a dizer? Podemos sempre enviar para lá o Sr. da Ryanair de "shotgun" em punho. :-)

No fundo é um pensamento que ainda predomina. O Brasil, embora o conhecimento da realidade que tenho do país me chegue por muitos contactos que lá tenho, como pais "bola prá frenti" tem ainda um grande conservadorismo latente em toda a sociedade. Estas palavras de Temer, infelizmente não me espantam… aliás, deduzo que o Governo não tem mulheres em cargos de Ministro.
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De m-M a 09.03.2017 às 15:23

Trabalhei ano e meio numa empresa dessas... é tal e qual...

Fizeste tu muito bem. A auto-preservação é mal olhada por quem não a compreende, mas é necessária!

Beijinho,
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De Robinson Kanes a 09.03.2017 às 15:32

Caramba, já estou a ver que são muitas.

A organização, no modo como está organizada pela casa mãe é um exemplo extraordinário, é claro que desconheço todos os meandros, pois não sou colaborador. Mas na verdade, penso que a distorção dá-se por terras lusas.

Auto-preservação sempre, até porque é isso que nos garante estar bem connosco próprios e também dar o melhor pelas organizações.

Beijinho

P.S: pensa positivo, já foi! :-)
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De m-M a 10.03.2017 às 11:10

Exato!
No ex-local de trabalho, a casa-mãe tinha ideias e fomentava ações, por bem. Portugal desvirtuava... :/

Já foi, sim :)

Beijinho,
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De Rita a 09.03.2017 às 16:47

Acho que estas pessoas estão completamente a leste do quanto estas atitudes gritam quem elas são, o carácter que têm... E lá está, é fruto de muita insegurança.

Eu trabalhei num sítio onde este tipo de situações era muito normal e sempre que ouço (ou leio) estas histórias é como uma triste confirmação que isto acontece com demasiada frequência.
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De Robinson Kanes a 09.03.2017 às 17:58

Caramba, estou a ver que é mais normal do que eu pensava…

Assim torna-se complicado...
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De Robinson Kanes a 09.03.2017 às 21:12

É preciso mudar e a agarrar os bons exemplos. Só não menciono alguns porque efectivamente me envolvem também e não é o meu estilo "atirar postas de pescada" :-)
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De Rita a 10.03.2017 às 13:20

É preciso mudar e a agarrar os bons exemplos.

Sem dúvida :)
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De Robinson Kanes a 10.03.2017 às 13:40

Obrigado! E fiquei alerta para um erro, tem um "a" a mais :-)
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De Rita a 10.03.2017 às 14:46

(nem tinha reparado ;) )
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De HD a 09.03.2017 às 18:27

Tinhas razão. Não foi uma situação nada friendly.
Fizeste bem em pôr-te a andar... elas que se resolvam. Ou não, a julgar pela formação das mesmas ;p
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De Robinson Kanes a 09.03.2017 às 21:10

Qualquer dia sou um "enfant terrible" não sei se isso será bom… embora, por norma, os "enfants terribles" tenham boa fama noutras coisas.
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De HD a 09.03.2017 às 21:13

Tens de te habituar essa possibilidade (remota) ;)
É isso, a fama convoca-os sempre para palestras, ou algo que o valha :D
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De Robinson Kanes a 09.03.2017 às 21:15

Palestras com o "headset" a dar uma de todo para a "frentex"? Nah, sou um homem que mesmo de mapa na mão gosta de pegar no jipe e seguir no camião com os homens rumo à floresta.
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De HD a 09.03.2017 às 21:17

Estava mesmo a pensar nessa caracterização de couch ;p
A tua performance é bem superior e nada lamacenta :)
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De Robinson Kanes a 09.03.2017 às 21:29

Epá, agora fiquei envergonhado :-)
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De HD a 09.03.2017 às 21:31

Desde que não andes de tronco nu a cavalo...
Putin some sense on it hehehehe
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De Robinson Kanes a 09.03.2017 às 21:50

Prometo que não, deixarei de ser "um" Bo Derek "style" e apostarei mais num Robert Redford (por acaso, uma alusão a um filme que enfim).
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De HD a 09.03.2017 às 21:51

ahahaha para mim o único Bolero é o de Ravel ;p
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De Robinson Kanes a 09.03.2017 às 21:57

ahahahahahha

Agora fiquei com uma vontade de ouvir a "Pavane pour une Infante Défunte" e ainda por cima é triste! Já me "estragaste" a noite!

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De HD a 09.03.2017 às 22:03

Essa é mesmo melancólica... :(
Eu não estrago noites a ninguém :D
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De Robinson Kanes a 10.03.2017 às 08:44

ahahahahahahahah
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De fashion a 09.03.2017 às 18:52

Aí está o que dizia ontem: Muito há ainda por fazer e o pior é mesmo na mudança de mentalidades e na educação.
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De Robinson Kanes a 09.03.2017 às 21:11

Infelizmente, podemos tentar, mas nunca poderemos ser nós (sozinhos) a mudar o comportamento dos outros.
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De miss queer a 09.03.2017 às 19:51

ainda há muito que fazer. e quando as mulheres são as piores inimigas umas das outras, resulta nisso.
é uma tristeza.

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