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Málaga: o Desastre e a Capitulação.

por Robinson Kanes, em 21.02.17

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A luta por Málaga continuava e o Castelo de Gibralfaro, apesar dos ataques de artilharia durante dias a fio, resistia sem mostrar fragilidades, tal era a sua imponência e estrutura.

 

Perante tamanhas dificuldades, a estratégia dos cristãos passou por uma conquista torre-a-torre, aproveitando eventuais vulnerabilidades nas estruturas das mesmas. O primeiro a conseguir foi o Conde de Cifuentes, contudo, apesar de ter tomado uma das torres rapidamente, foi alvo de um contra-ataque que matou muitos dos seus soldados e acabou com a demolição da torre pelos mouros. Estas batalhas, apesar dos mouros acabarem fechados nas muralhas da cidade, levaram a algum desânimo nos exércitos de Fernando II e a um sem número de mortos, tal o avanço, quase milimétrico, do exército. Foi necessária a deslocação da rainha e do seu séquito para levantar a moral das tropas e mostrar aos mouros que as hostilidades iriam continuar.

 

A batalha de Málaga, depois do desastre nas montanhas da mesma região, acabaria, talvez, por ser a mais sangrenta de todas. A fome assolava os habitantes da cidade que se viam obrigados a matar os cavalos (fundamentais para a guerra). As batalhas eram diárias, utilizavam-se minas, construíam-se subterrâneos que levavam a encontros bélicos debaixo de terra, cada palmo de terreno era disputado à custa de rios de sangue.

 

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Fica na memória, um assalto das tropas mouras ao acampamento cristão e que, acabou com milhares de mortos de um lado e de outro. Esta ocorrência levou os cristãos a reconhecer que o seu acampamento estava demasiado próximo da cidade e consequentemente mais vulnerável perante futuros ataques. Fica também nos registos, o envio de tropas, por parte do Zagal, em Guadix, para apoiar el Zegri em Málaga, tropas que foram reprimidas por... Boabdil (em Granada) que assim, continuou a atraiçoar o seu povo e poderá ter contribuído para o fim das esperanças dos mouros de Málaga.

 

El Zegri, todavia, continuava impassível, mesmo com o seu povo a passar fome e a morrer envenenado, pois tudo servia para comer - até peles tostadas ou comidas putrefactas os mouros consumiam. Este apenas escutava uma espécie de profeta e ignorava todos os seus conselheiros. No entanto, o fim das hostilidades acabou com o ataque de el Zegri ao acampamento cristão, tendo o mesmo sido reprimido com tal força que, ao chegar derrotado à cidade, ouviu dos seus habitantes, pedidos para que matasse os filhos destes pois os gritos de fome e de dor já se haviam tornado insuportáveis.

 

El Zegri e Málaga viriam a capitular com o apoio de um comerciante, Alí Dordux, que seria o emissário mouro perante os reisIMG_5836.jpg católicos, embora sempre contra a vontade do primeiro, que assumiu ter capitulado apenas por falta de força bélica.

 

No rescaldo - estranhamente exaltado pelo clérigo Frei Agápida - el Zegri foi preso, os seus Gomerez (Gomaras) foram enviados para Roma como prenda para o Papa Inocêncio III, muitos habitantes foram utilizados como moeda de troca e outros ainda foram vendidos como escravos ou libertados.

 

No final, a questão económica estava bem presente, quer para a coroa, quer para o clero que a acompanhava em toda esta obra que não compreendia, somente, o espalhar da fé e transformar a Mesquita de Málaga numa Catedral.

 

Málaga continua herdeira desses tempos, como já havia referido num outro artigo. As palmeiras, as grandes avenidas e jardins, as pessoas, as construções e o vivir malageño disso são exemplo. Cruzar Málaga ainda é sentir aqueles tempos e... parar numa loja de especiarias (especialmente uma pequena loja familiar no encontro da Avenida Comandante Benitez com a Calle Linaje) ou no "Mercado das Atarazanas" (com uma arquitectura árabe). Em Málaga ainda é possível sentir o cheiro do Norte de África que nos é trazido pelos ventos até àquele ponto da Europa... seja nos seus mercados, seja nas suas ruas ou somente entre umas tapas.

 

Fonte das Imagens: Própria

 

Para quem só agora chegou...

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/aben-hacen-e-zahara-17518

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/el-zegri-e-ronda-18287

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/salobrena-e-a-morte-de-aben-hacen-19240

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/cordoba-o-quartel-general-cristao-19524

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/malaga-o-inicio-das-hostilidades-20973

 

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25 comentários

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De Robinson Kanes a 21.02.2017 às 14:36

Eu é que agradeço a visita… Obrigado...

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