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Horta Osório e um Alpinista: Veja as diferenças.

por Robinson Kanes, em 02.11.17

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Fonte da Imagem: http://brobible.com/life/article/limo-driver-make-a-wish/

 

Aeroporto de Lisboa, Setembro de 2017...

 

Encontrávamo-nos nas chegadas à espera do shuttle para nos levar ao parque de estacionamento quando reparamos que atrás de nós surge o banqueiro António Horta Osório. Discreto, o mesmo saiu do aeroporto e dirigiu-se para um veículo que o esperava. Ao reparar que Horta Osório se aproximava, o motorista, um senhor já com alguma idade, sai disparado da viatura. Horta Osório, contudo, chega primeiro, abre a mala do carro, coloca a sua bagagem e ainda abre a porta a quem o acompanhava cumprimentando amavelmente o motorista...

 

Reparámos naquela atitude e lembro-me de ter dito à minha miúda: "estás a ver porque é que privilegio ter relações com o topo ou então com as bases da pirâmide social?". Lembro-me também que a mesma se riu divertidamente e disse que lá estava eu com o meu mau-feitio.

 

Mas na verdade... Poucos minutos depois surge um outro indivíduo, ainda jovem nos seus 30 anos. Não tivesse eu conhecimento do corporate diria que era mais um indivíduo de baixa linha quem nem chefia intermédia seria... Todavia, apresentava aquele ar "pimpão" muito típico actualmente e que pensa que chegar ao aeroporto é coisa de novo-rico. O nosso vendedor, de repente, vê um táxi a chegar e corre na direcção deste (a "gentleman never run"). Chegando perto do motorista que já conhecia, solta um:

-Isto é que é serviço, hein...

 

Nunca percebi o porquê do ar gingão e aquele movimento do abanar-se ser uma coisa tão nossa, parecemos uma gelatina em forma de indivíduo... estúpido? Ou então ficamos parecidos com aqueles cães que se colocavam nas chapeleiras dos carros e que abanavam o pescoço como se estivessem a ouvir música numa qualquer matiné dançante na Associação de Pensionistas, Reformados e Idosos do Samouco.

 

Cumprimentaram-se, o motorista genuínamente feliz por ver tal personagem e eis que, ainda na fase dos cumprimentos, o outro indivíduo lhe dá um toque, olha para as malas e aponta para a bagageira numa espécie de "olha lá, somos amigos mas tu és motorista, eu sou vendedor e apesar de ainda não ter pago o fato, sei que estás aqui para me servir, por isso anda, vá".

 

Lembro-me de ter apreciado a situação e ter olhado para a minha miúda e ter dito: "estás a ver porque é que privilegio ter relações com o topo ou então com as bases da pirâmide social? Aquele meio, meio-baixo da tabela causa-me confusão, pronto". Novamente uma gargalhada e eis que diz:

 

-Realmente, não sirvas a quem serviu nem peças a quem pediu... 

 

Sou levado para um episódio que um dia me contaram acerca de um colégio conhecido da nossa praça onde, aquando de um jantar de gala, foi solicitado aos empregados de mesa que servissem o Director do mesmo e com toda a pompa e circunstância, embora fosse um buffet. Na verdade, o que sucedeu, é o que o indivíduo em questão recusou ser servido, levantou-se e tratou de abastecer o seu prato. Até aqui nada de novo, o problema foi quando professores e educadores estagiários (estagiários, é importante sublinhar) tiveram de ser servidos porque se recusaram a levantar, tal era o grau de importância que já julgavam ter.

 

P.S: é um artigo elitista? É!... Ou talvez não...

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56 comentários

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De Maria a 02.11.2017 às 09:51

Não é um artigo nada elitista. É um lembrete de que "se todos temos mãozinhas, não nos cai nada ao chão por fazer um pouco mais"

Uma vez, a entrar num restaurante com um amigo "pseudo-intelectualóide-de-esquerda" "pseudo-pró-proletariado" aconteceu algo surreal. Ia um funcionário do dito restaurante a entrar com uma caixa cheia de pão. No intuito de ser bem educado e deixar entrar 1º tão "ilustres" comensais, abriu a porta e cedeu-nos passagem, só que atrapalhou-se e deixou cair o pão (ficou para morrer). Voltei atrás e segurei a porta com um pé ennquanto me baixei para o ajudar a apanhar o pão enquanto o rapaz se desfazia em agradecimentos. Qual não é o meu espanto quando sinto uma mão a agarrar-me por um braço e a tentar levantar-me porque "aquilo era o trabalho dele e eu não tinha de me rebaixar, era para aquilo que ele era pago"

Ainda estou para saber porque não vieri costas e o deixei plantado...
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De Robinson Kanes a 02.11.2017 às 10:01

:-)

Conheço muitas dessas personagens... Aliás, já não me envolvi em muitos projectos por causa dos pseudo-grandes defensores do proletariado oprimido.

Então, o teu amigo era inteligente, ele estava a dar "empowerment" ao funcionário do restaurante :-)

O discurso de muitos desses senhores é, numa grande maioria das vezes paradoxal. A história prova que, pior que um capitalista sem escrúpulos, são aqueles que lhe querem tirar o poder... A "Quinta dos Animais" do Orwell é bem explicita nesse campo.

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De Maria a 02.11.2017 às 13:46

Ele mereceu foi um epowerment naquela cara... Tive tanta vergonha...
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De Robinson Kanes a 02.11.2017 às 14:16

ahahahahahaha
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De Sónia Azevedo a 02.11.2017 às 10:38

Se é um artigo Elitista?
Considero antes que é um artigo realista.

Mais vale SeR do que parecer...e a maioria apenas parece.
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De Robinson Kanes a 02.11.2017 às 11:31

Pensa que ser é parecer e quando acha que é, não saber ser...
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De LNC a 02.11.2017 às 10:56

Dizer bem dos banqueiros e dizer mal do portugues labrego com a a mania que é alguém é um ato de coragem neste pais,mesmo que seja verdade.

Abraço
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De Terminatora a 02.11.2017 às 12:40

Ai a falta de humildade... e educação. Hoje estamos lá em cima, amanhã não sabemos.

Como já disseram, é um artigo bem realista.
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De Robinson Kanes a 02.11.2017 às 13:06

Nem me parece que seja isso... É estarmos cá em baixo, e tentarmos armar ao "carrapato". No "corporate" esta discussão é tida várias vezes, sobretudo em termos de "middle management" nas organizações, ou até em termos de indivíduos menos operacionais - procura-se trabalhar algumas falências no sentido de identificar e sanar estas situações. É óbvio que por cá não é fácil falar deste tipo de situações... Por vezes tenho a sensação que vivemos em dois mundos portugueses: o real e o escrito/falado. E assim? Nunca resolveremos o que quer que seja.

Obrigado :-)

P.S: apesar de tudo, não é um problema só nosso.
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De Terminatora a 02.11.2017 às 13:14

Sim, não será só isso. Eu fico fula sempre que vejo pessoas com atitudes dessas. E é um mal geral. As vezes imagino, se estes feitios serão alguma "praga". É que se vê realmente em todo o lado. E como é que num seio de pessoas "sãs" por vezes há indivíduos assim.

Nada que agradecer, como sempre belo texto :)
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De Robinson Kanes a 02.11.2017 às 14:17

:-)

O António Damásio falou sobre isso bem recentemente :-)
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De Corvo a 02.11.2017 às 12:55


Ah ah, Robinson.
Conhece muitas personagens dessas e eu conheço mundos delas.
Acima de tudo há que puxar pelos galões e mostrar o estatuto. Noblesse oblige.
O pior é que por vezes, há ocasiões que vêm menos a calhar para um corvo malvado e lá se vai o estatuto. Como aqui.
Uma plataforma, que não esta, uma senhora blogger, muitos mais senhoras e senhores bloggers e o corvo, blogger também.
Até não nos dávamos mal não obstante a senhora em todas as suas publicações ter de mostrar algo que a enaltecesse, mas como a minha filosofia de vida é: deixa viver quem quer e morrer quem quiser, ela que se engrandecesse o que quisesse que por mim dava-lhe todo o caminho.
Um dia publica que andando às compras no Continente, já com o carrinho cheio de coisas boas e caras, (na ocasião ela até referiu os produtos) teve muita pena de uma senhora pobre, com o carro dela com meia dúzia de coisas essenciais e baratinhas, (também teve o cuidado de discriminar mas agora não me recordo) Estava muito envergonhada porque a filha, para aí com cinco anos, lhe pedia um dentífrico que tinha uma estampa qualquer que a menina queria, mas era mais caro do que um da mesma marca sem a estampa.
Concluiu que a miséria era muito triste, coitadinhas das pessoas pobrezinhas que por uma diferença de 70 cêntimos a menina saíra a chorar. Até me senti mal de ver a menina a chorar, coitadinha
Todo o mundo a foi comentar, todos e todas assentindo que sim, que de facto era triste uma criança chorar por uma diferença de 70 cêntimos, que o país era uma vergonha de país, que o Governo é que tinha a culpa desta miséria, enfim; o habitual.
Deixei-os comentar a todos e todas e depois fui lá eu.
Não comentei muito. Perguntei-lhe que se de facto tinha tido assim tanta pena da menina a chorar por uma diferença de 70 cêntimos, se nunca na vida dela tinha dado uma prenda a uma criança.
Imagine o resto.
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De Corvo a 02.11.2017 às 13:09

Enganei-me e "não é menos a calhar" e queria dizer: mesmo a calhar
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De Robinson Kanes a 02.11.2017 às 13:11

Sim, não tirou sentido ao texto :-)
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De Robinson Kanes a 02.11.2017 às 13:10

Muitos só devem ter o estatuo na cabeça deles :-)

Todos fazem o seu "personal branding/marketing pessoal", uns bem mais que outros, até se chega a confundir com propaganda ou "banha da cobra" :-)

Bem, avaliar a condição económica de uma pessoa pelo que leva no carro das compras, pode ser um erro grosseiro. Podem estar associadas várias questões, nomeadamente de gosto, poupança, motivações e por aí adiante... Não seria publicidade? :-)

O resto posso imaginar... Falei lá em cima de marketing pessoal... Ajudar os "pobrezinhos" e disso fazer publicidade é uma estratégia comum :-)

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De Corvo a 02.11.2017 às 13:29

Não não! Publicidade não! Era até contra a publicidade e criticava quem a usasse.
Aliás, em todos os posts tinha de falar na miséria deste país, das pessoas pobrezinhas, coitadinhas, das casas dela, uma com piscina, das mobílias caras de cerejeira e carvalho, do carro alemão que já tinha dois anos e tinha de o trocar por um novo, e por aí adiante.
Perguntar-lhe o que lhe perguntei, pois, imagina e muito bem.
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De Robinson Kanes a 02.11.2017 às 14:18

"Leia-se estatuto"... Também por aqui falhei.

Até percebo que cada um seja livre de ter o que quer, desde que não prejudique os outros... Mas digamos que num mesmo texto pode ser paradoxal falar do oito e do oitenta :-)
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De Marta Elle a 02.11.2017 às 13:11

Essa atitude é muito própria de pessoas que não são ninguém, mas que conseguem alguma coisa, como um bom emprego, um bom ordenado, um bom casamento.
O sentimento de inferioridade vem ao de cima e sentem necessidade de fazer valer o seu estatuto e, infelizmente, muitas vezes de rebaixar os outros.
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De Robinson Kanes a 02.11.2017 às 13:21

Muitas vezes nem sequer há estatuto...

Agora está na moda o dizer que "quero alcançar aquele patamar" (por norma sempre com uma vertente ostensiva por detrás, por exemplo, ao cúmulo de trocar a "sedan" por uma "station" ou "suv" ser a subida de patamar...).

Em suma, talvez seja mesmo um artigo elitista e "ainda bem" :-)
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De Happy a 02.11.2017 às 13:33

A muito intelectualoides com pretensão a topo, fazia-lhes bem irem para países ditos mais civilizados e aprenderem a ir, tal como os CEO, de bicicleta para o trabalho!
Mas por cá, fica mal...
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De Robinson Kanes a 02.11.2017 às 14:19

Locais desses não faltam, de Nova Iorque a Londres, de Paria a Madrid, de Roma a Berlim...

Por cá andam mais bem "calçados" que o CEO da Google.
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De Sílex a 02.11.2017 às 14:58

Olá! Cá estou eu para, primeiro, te desejar um belo fim de tarde e um melhor início e prolongamento de noite e agradecer as tuas visitas, muito obrigada!
Depois, prometo não falar muito porque está tudo dito, não é um post elitista, é mais um grande post! O mal das pessoas é isto. A falta de humildade, humanidade e o não perceber que se nascemos com mãozinhas é para lhes dar utilidade. Utilizando uma expressão popular "não caem os parentes na lama" nem ao aristocrata, nem ao menos privilegiado, se mostrar educação e respeito! Adorei a atitude de Horta Osório! Isso sim, além de elegância é probidade! Tudo de bom para ti e os teus.
P.S. deixa que te diga que adorei a "imagem" dos cães a abanar a cabeça. Por vezes também a utilizo e é sempre fantástica, para adequar a certos indivíduos e ocasiões.
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De Robinson Kanes a 02.11.2017 às 15:33

Olá,

São atitudes simples, longe dos holofotes e realistas. Foi isso que me chamou à atenção, aliás, ter um contraponto ajudou bastante.

Aqueles cães são icónicos, por momentos chego a temer ofender os mesmos (os cães) com estas comparações mas penso que não se importarão muito (os cães).

E se elitismo for educação, respeito, humildade e valores, então sim, coloquem-me como elitista, assino por baixo :-)
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De Maria Araújo a 02.11.2017 às 15:06

"É um artigo elitista?"
Não, de maneira alguma.
Ai, Robinson, conheço tantas pessoas destas! As que estão no topo e são simples e discretas, como as que estão na base e são humildes e prestáveis.
E os/ as tais com ar pimpão e pimpona que exigem que lhes trate por doutor(a), engenheiro(a), que mostram pelo seu olhar altivo a sua superioridade, esses tiram-me do sério, e olhe que muitos não têm onde cair mortos.
Em relação à história do jantar, já fui muitas vezes chamada à atenção, só porque fazia o gesto de levantar o prato e entregar ao empregado, por exemplo, e criticarem-me e dizendo: "não tens nada que fazer isso, ele está aqui a fazer um serviço, é pago para tal".
E muito mais havia para contar.



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De Robinson Kanes a 02.11.2017 às 15:37

Os casos de pessoas que exigem o tratamento por Doutor, só mesmo em Portugal. Tenho um conhecido que entrou numa guerra por se recusar a tratar a chefia por Dra.
Algumas das pessoas que trato por Dr., faço-o por respeito e porque sim, de facto, sou eu que tomo essa atitude e não sou levado a... É óbvio que se estivermos perante clientes e percebermos que, as coisas mudam de figura. Mas também existem situações em que são os bajuladores que gostam de tratar as pessoas por Dr. mesmo quando os próprios nem gostam.


O protocolo diz que deve ser o empregado de mesa a recolher, mas... Convenhamos, na grande maioria das vezes não estamos propriamente a jantar no Palácio da Ajuda. Além disso, faria sentido se a arte de servir à mesa ainda fosse preservada nos restaurantes e não só... Não podemos exigir arte, se depois gostamos de cuspir na mesma.

Esteja à vontade, adoro esses testemunhos :-)

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De The Travellight World a 02.11.2017 às 16:20

Realmente não há paciência para gente deste tipo...
Vivem na ilusão que são importantes coitados 🙁
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De Robinson Kanes a 02.11.2017 às 17:11

Ilusão mesmo :-)

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