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 Fonte da Imagem: Própria.

 

Esta semana a grande sugestão  que todo e qualquer português com idade para votar ou fazer algo pelo seu país deve ler (e se não souber peça para lhe lerem) é o "Relatório de Análise e apuramento dos factos relativos aos incêndios que ocorreram em Pedrogão Grande, Castanheira de Pera, Ansião, Alvaiázere, Figueiró dos Vinhos, Arganil, Góis, Penela, Pampilhosa da Serra, Oleiros e Sertã, entre 17 e 24 de Junho de 2017" - basta descarregar o mesmo aqui. Deve fazê-lo porque os media deveriam fazer o seu papel que era informar, mas cuidado com as análises e as selecções a gosto que são feitas...

 

Hoje e amanhã, como cidadão (sem conhecimento técnico e sem vontade de influenciar o que quer que seja) vou ter este espaço aberto onde colocarei vários excertos da minha leitura com alguns comentários. Contudo, reafirmo, leiam todos o relatório e tirem as vossas conclusões.

 

A questão que se coloca é a seguinte: no século XXI, com o avanço do conhecimento nos domínios da gestão da floresta, da meteorologia preventiva, da gestão do fogo florestal, das características físicas e da ocupação humana do território, como é possível que continuem a existir acontecimentos como os dramáticos incêndios da zona do Pinhal Interior que tiveram lugar no verão de 2017? (pág. 7)

 

É a pergunta que todos colocam e ninguém responde, porque?

 

A desadequação entre as funções desempenhadas por cada um dos diversos agentes e as respetivas qualificações e competências é um dos graves problemas que impede a solução de muitos dos problemas existentes em torno dos incêndios florestais (e) teremos de orientar a atuação para a adoção de forças especializadas, com elevado nível de qualificação, destinadas à resolução destas problemáticas, o que não se coaduna com amadorismos. (pág. 8)

 

Gente a mais, despesa a mais, amadorismo a mais e trabalho a menos, jobs for the boys... Aqui a culpa não é do raio...

 

Em Espanha, por exemplo, qualquer incêndio de amplitude significativa tem um Diretor, que é um técnico florestal experimentado na gestão da floresta e do fogo. Esse perfil profissional, também iniciado em Portugal mas adotado de forma distinta, é pouco solicitado, conduzindo a que as operações de combate a incêndios tenham um carácter estritamente quantitativo, em redor da mobilização de homens, viaturas, aviões ou helicópteros, apimentados com os relatos artificialmente empolados da responsabilidade de alguns órgãos da comunicação social. (págs. 8 e 9)

 

Temos o meios e os profissionais, mas provavelmente, estes não terão os amigos certo. O perigoso poder dos media a ser apontado como influenciador na tomada de decisões. Não vi isto em nenhum website noticioso.

  

Recorde-se, desde logo, que a autoridade florestal nacional mudou seis vezes de figurino institucional nos últimos vinte anos. Para uma instituição que se manteve estável durante mais de um século, nada de bom haveria a esperar desta evolução tortuosa. (pág. 9)

 

Responsáveis políticos desta e de outras épocas?

 

A área de faixas de gestão de combustível, incluídas nos Planos Municipais de Defesa da Floresta Contra Incêndios, dos 11 municípios afetados pelos incêndios de Pedrogão Grande e Góis, atingem a extensão de 31 712,09 ha. No período de 2012 a 2017, apenas foram executados cerca de 19%, de acordo com a informação cartográfica recolhida. O maior constrangimento apontado foi a falta de cumprimento da legislação ao nível das faixas de rede secundária (50 m em volta das edificações, 10 m para cada lado da rede viária e 100 m à volta dos aglomerafos populacionais), comprometendo transversalmente proprietários privados e as entidades gestoras das infraestruturas públicas e privadas. (pág. 12)

 

Os Presidentes de Câmara e outros que se fizeram de vítimas durante todo este processo, onde estão para responder a esta questão? Podem responder agora, que as autárquicas já foram e a demagogia já não é necessária.

 

As condições atmosféricas então vigentes determinaram no dia 16 de junho um alerta especial de perigo de incêndio florestal em nível Amarelo para todo o território por parte do CNOS. Estava- se ainda na fase Bravo (15 de maio a 30 de junho) e não tinha sido tomada decisão alguma para eventualmente antecipar a fase Charlie (normalmente de 1 de julho a 30 de setembro). Face às condições instaladas e previstas, a avaliação que deve ser feita relativamente à prontidão das atividades de pré-supressão de incêndios é francamente negativa, uma vez que:

  •  Os postos de vigia para deteção de incêndios mais próximos da ocorrência de Pedrógão Grande não estavam ainda ativos;

  •  não havia vigilância móvel armada nem pré-posicionamento de meios de combate em local estratégico, à exceção dos sapadores florestais.

    Nesta situação, e perante os avisos e alertas meteorológicos, estavam criadas as condições para que um eventual incêndio florestal se desenvolvesse, explorando as condições físicas, meteorológicas e de insuficiente prontidão das forças de proteção civil. A antecipação da fase crítica do DECIF poderia ter permitido a deteção mais precoce dos fogos nascentes e certamente teria tido implicações nos resultados do combate aos incêndios.

    É manifesta a rigidez dos procedimentos e recursos disponíveis para a pré-supressão e supressão a incêndios em Portugal, indicando deficiências na perceção do risco e impedindo uma resposta efetiva à evolução temporal do potencial de incêndios ao longo do ano. Note-se que Portugal não dispõe de operacionais especializados em meteorologia aplicada a incêndios, com acompanhamento permanente (em tempo real) das condições e dos incêndios ativos.

 

Negligência atroz de todos os responsáveis por esta área, inclusive políticos! O que estes palavras nos dizem é que existia conhecimento da situação de gravidade e nada foi feito... Quem é/são os responsáveis? As lágrimas no dia da(s) tragédia(s) foram somente o choro de criminosos que ficaram cara-a-cara com os estragos do crime. Este facto é de uma gravidade extrema!

 

Continua...

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5 comentários

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De HD a 12.10.2017 às 20:53

Pois... vamos ter alguma resposta para isto?
Para já só vi a cabeça da Ministra a ser despedaçada na Assembleia... :\
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De Robinson Kanes a 12.10.2017 às 22:43

Os cidadãos começam a ter acesso a dados que há tempos nunca teriam, cabe-lhes a eles também exigir algo...
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De HD a 12.10.2017 às 22:45

Concordo plenamente...
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De Maria Araújo a 12.10.2017 às 21:13

Passaram as autárquicas, reacenderam-se os incêndios.
A continuarmos a matar a floresta, dentro de poucos anos, somos um país de montanha desértico.
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De Robinson Kanes a 12.10.2017 às 22:43

Já faltou muito mais...

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