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Eu Tenho um Incendiário na Família!

por Robinson Kanes, em 18.10.17

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Fonte da Imagem: https://pixabay.com

 

Chama-se "Duarte", perdoem que não coloque o nome do mesmo, mas é imperial proteger a sua identidade e consequentemente a sua integridade, até porque já cumpriu o seu castigo perante a sociedade e, não sendo propriamente a melhor das desculpas, também ele foi vítima de um certo aproveitamento de outros que viram no mesmo alguma debilidade mental alicerçada numa oportunidade para que este sujasse as mãos em nome destes.

 

Ter um condenado na família não é fácil, sobretudo por uma situação que, para mim, é terrorismo. Não é fácil porque o "Duarte" é um homem com perto de cinquenta anos, mas é boa gente. O "Duarte", nascido no interior do país entre Coimbra e a Guarda, cedo teve de aprender a trabalhar e também cedo se percebeu no seu estilo ingénuo que era boa gente. Ser boa gente levou a que o "Duarte" tivesse muitos amigos que acabariam por ser responsáveis pela sua hospitalização e consequente plano de tratamentos que agudizou uma pequena perturbação mental, que passaria quase incógnita não fossem os amigos e... o álcool.

 

A paixão do "Duarte" é a natureza, passar horas a contemplar a mesma enquanto escuta as suas músicas. Em tempos, através de  leitor de cassetes e agora com um leitor de CD, o "Duarte" gosta de ouvir aquilo a que chamamos "música pimba", mas é isso que lhe dá gosto. Orgulhosamente, sempre que o visitamos (e há tanto que não o fazemos), mostra-nos o seu lote de músicas e dá-nos a conhecer os seus cantores preferidos - até termos de encontrar uma desculpa para orientarmos a atenção do mesmo para outra coisa. O "Duarte" gosta daquilo e é isso que também anima os seus dias.

 

Quando nos aproximamos daquela aldeia esquecida no alto dos montes da Serra do Açor, não é raro ouvir a música do "Duarte". O "Duarte" só quer amigos, só quer ser feliz e talvez um dos maiores choques que tive, foi, na minha adolescência, eu com 15/16 anos não conseguir dialogar com o "Duarte", não porque ele já fosse um homem, mas porque o "Duarte" não precisava de ter um terço das preocupações que eu já tinha com aquela idade e portanto, eu já me encontrar num patamar mais "evoluído", ou talvez não, de desenvolvimento. Para mim era estranho e colocou-me em interrogações constantes.

 

Um dia soubemos da notícia... O "Duarte" fora detido porque tinha sido encontrado a atear um fogo. A vantagem das polícias neste locais, é que conhecem as pessoas e sabem que o "Duarte" não era pessoa para simplesmente se lembrar atear fogos aqui e acolá. Com a chegada das autoridades judiciárias, rapidamente se percebeu que o "Duarte" era uma mera marioneta nas mãos de outrem. 

 

Apesar dos interrogatórios e consequente inquério e audiências nos tribunais, o "Duarte" acabou condenado. Até aqui, nada de novo, a Justiça a funcionar como tem de ser... No entanto, como em tantos outros, o que fica é a sensação de que se poderia ter ido mais longe, pois o "Duarte", perante a pressão da família e das autoridades disse sempre que preferia passar a vida na cadeia a dizer quem foram os ordenantes do crime! O medo e a pressão a que foi sujeito não conseguiram ser derrubados pela ameaça dos verdadeiros criminosos e o "Duarte", como seria de esperar, acabou condenado sem que a culpabilidade total daquele crime fosse apurada.

 

Como alguns já tentaram demonstrar, que muitos incêndios são provocados deliberadamente pelos "tontinhos" do costume, é preciso ter em conta que estes são também um dos instrumentos mais fáceis para quem almeja algo maior e não pretende que as cinzas lhes sujem as mãos...

 

Por estes dias, o "Duarte" e o pai já idoso ficaram em risco quando a primeira casa da sua aldeia ardeu tendo sido prontamente evacuados, bem como toda a aldeia. Talvez porque algum "tontinho" decidiu fazer das suas...

 

P.S: Ontem foram detidos em Terras de Bouro um homem de 57 anos e a mulher de 50 por atearem fogos. O homem está desempregado e a mulher é jornaleira... Dá que pensar...

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52 comentários

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De Maria a 18.10.2017 às 10:46

Ui, confesso que não sei se teria a coragem para assumir a existencia de um incendiário na familia (principalmente neste momento que vivemos). Mais uma vez, Parabéns pela honestidade!
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De Robinson Kanes a 18.10.2017 às 10:55

Não é uma questão de coragem... Apenas recordei o "Duarte" porque tomei conhecimento que a tragédia também lhe bateu à porta. Está com o pai e bem, mas pregou-nos um susto porque estiveram incontactáveis durante algum tempo...

Além disso, muitos "Duartes" são apenas as marionetas de outros "Duartes" um pouco mais inteligentes. E sim, o "Duarte" mereceu a pena que teve, em meu entender curta, sobretudo por não ter dado a conhecer quem o "obrigou"! Preferiu o risco da prisão a... Aparecer morto...

Infelizmente também não posso evitar a presença do "Duarte" na minha família, e acho que se pudesse também não o faria, apesar de sentir um nó na garganta sempre que me deparo com o mesmo...

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De Maria a 18.10.2017 às 17:02

Não imagino a angustia de não saberem deles :(

É coragem sim. Claro que não foste tu a cometer o crime, ainda assim é necessário coragem em partilhar esta história.

Será sempre dificil chegar aos "mandantes" destes actos. Sabem bem quem escolher para por em prática estes crimes :(
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De Robinson Kanes a 18.10.2017 às 17:49

Claro que sim, não abordam qualquer pessoa.

Obrigado :-)

P.S: estão bem, a primeira casa da aldeia ardeu, mas foram evacuados a tempo.
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De Ladys a 18.10.2017 às 11:14

Robison, gostei imenso do teu post.
Somos rápidos a julgar quando não sabemos efetivamente o que se passa, o que leva a pessoa a ter determinado comportamento.
A história do "Duarte" não deixa de ser revoltante, ele foi apanhado, mas as verdadeiras mãos criminosas, continuaram livres, a levarem tantos outros a executar as tarefas por eles. Dá que pensar. Bjs, Marina
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De Robinson Kanes a 18.10.2017 às 11:39

É um comportamento indesculpável, no entanto, não podemos fechar a pasta pensando que o problema se resolve assim... É preciso ir mais longe e não nos ficarmos por aquilo que é rapidamente visível.

Todos os problemas fossem os indivíduos como o "Duarte". No caso do casal que referi, ninguém me diz que um desempregado e uma jornaleira atearam fogos só porque sim...

Beijinhos
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De Psicogata a 18.10.2017 às 11:48

Obrigada pela partilha.

Tenho não um familiar mas um vizinho que tal como o "Duarte" esteve preso e nunca divulgou quem foi o mandante, o problema é mesmo esse, escolhem as pessoas a dedo, aliciam-nas e enchem-nas de medo e terror para que não falem.

Só me pergunto uma coisa que ameaça tão grave lhe fazem para que seja mais aterradora que a perda da liberdade?
Só me ocorre ameaças ao bem-estar e à vida dos próprios e familiares, o que é grave, muito grave.
Todos sabemos desta realidade, mas os poderosos continuam impunes.
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De Robinson Kanes a 18.10.2017 às 12:11

Eles não divulgam... Existem milhares de casos assim. Também tenho na família, o outro lado da barricada (que por motivos óbvios não exponho aqui) que me confirma isso. Não faltam "Duartes". São pessoas humildes, por norma em situações de fragilidade social, económica e/ou mental e que são fortemente ameaçadas. Só alguém com muito medo, e vendo tamanha tragédia, prefere a prisão à confissão.

No caso do meu primo, além da vida do próprio, penso que os pais terão sido também colocados na equação.

Na verdade, quem encomenda este tipo de crimes, não é propriamente o "Zé da Esquina".
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De Psicogata a 18.10.2017 às 12:24

Pois não, são pessoas poderosas que fazem ameaças poderosas.
É uma tragédia que origina uma tragédia.
Um crime hediondo sem fim à vista.
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De Robinson Kanes a 18.10.2017 às 13:32

Nunca irá acabar, mas que podemos fazer algo para reduzir os números, disso não existam dúvidas...
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De Psicogata a 18.10.2017 às 14:03

Penso que para além da reestruturação da gestão da floresta é necessário consciencializar as pessoas da sua importância, mudar comportamentos e consciências, o que em Portugal é difícil pois o pensamento mais comum é pensar no próprio umbigo e no curto-prazo.
No entanto, não creio que nos outros países seja muito diferente, o que existe é leis que são fiscalizadas coisa que em Portugal não acontece.
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De Robinson Kanes a 18.10.2017 às 15:33

Há países que já "não ardem" porque não há nada para arder... Essa é a realidade.

Honestamente, deixamos que hábitos, interesses e máfias crescessem demasiado e se incrustassem de tal forma que agora... Como dizia um colega, "só lá iria pela força" (não defendo que esteja de acordo). Admito, no entanto, que não será fácil... Mas também não é impossível, o grande problema é que, que estiver disposto a fazê-lo, tem de estar preparado para não repetir mandatos e ser alvo de extrema contestação.

Começará numa educação para a cidadania e numa consciência que contenha um balanço entre o individual e o colectivo, mas nunca o extremo dos dois.
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De Psicogata a 18.10.2017 às 15:53

Penso que a educação será a base de tudo, isso por exemplo garantiria que quem mexesse com os interesses instaurados não seria destituído nas eleições seguintes.
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De Robinson Kanes a 18.10.2017 às 17:48

É um longo trabalho, não é impossível, mas pode ser feito... Já tive de lidar por duas vezes com máfias instaladas em empresas (a nível departamental) e limpar a casa, e quando o polvo é grande, temos de estar preparados para tudo...

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De Psicogata a 18.10.2017 às 17:56

Limpar e arrumar é sempre possível é preciso vontade e determinação para ir até ao fim.
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De Robinson Kanes a 18.10.2017 às 17:59

Sem entrar em muitos pormenores, devo assumir: não é fácil e é preciso estar preparado para tudo, mas não é mesmo nada fácil e tem sempre consequências, sobretudo num país pequeno e onde todos se conhecem. Lado bom: ninguém te pode apontar nada e fizeste a diferença por onde passaste.
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De Psicogata a 18.10.2017 às 18:20

Mas fica no CV, disso não duvido, por isso é ainda mais louvável.
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De Robinson Kanes a 18.10.2017 às 18:53

Os CV valem pouco... E querer conseguir um emprego com base nos resultados e nas competências está em desuso.
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De Psicogata a 18.10.2017 às 22:37

Arranjar um emprego com base no nosso valor caiu mesmo em desuso, o mercado de trabalho está cada vez pior nesse sentido.
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De Robinson Kanes a 19.10.2017 às 00:44

Sobre isso hei-de escrever por aqui... Se por um lado uns continuam hipocritamente a pedir que lhes enviem CV, outros assumem que só se arranja emprego com contactos... E no fim... Existe quem não tem contactos ou quem acredita que não é com favores que se arranja um emprego (estou neste último exemplo).
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De Sofia Marques a 18.10.2017 às 11:51

Infelizmente, como a história do "Duarte" deve haver muitas...
As pessoas como ele são fáceis de influenciar e ameaçar, são os melhores alvos para pessoas sem escrúpulos, essas sim são os verdadeiros culpados!!!! e conseguem sempre sair impunes...
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De Robinson Kanes a 18.10.2017 às 12:12

Muitos "Duartes"... Como disseram acima, não só temem pela vida como pela dos seus familiares.
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De Maria Araújo a 18.10.2017 às 13:06

O "Duarte" tinha uma vida simples e feliz, foi usado pelos amigos pela sua bondade, e uma presa fácil e frágil para ser manipulado por alguém de peso.
Infelizmente, para se proteger e à sua família, preferiu o silêncio da prisão ao silêncio e liberdade da natureza que trazer-lhe-ia então outros perigos, talvez a morte.
Pagou pelo que fez, mas a maior recompensa teve-a neste incêndio.
Quanto ao P.S.: dá mesmo que pensar.

Beijinho
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De Robinson Kanes a 18.10.2017 às 13:34

Pagou pelo que fez e sentiu na pele as consequências de algo que em tempos também havia causado... Honestamente, teria merecido um castigo maior (mais tempo de prisão).

Pensemos...

Beijinho e obrigado por tudo :-)
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De Corvo a 18.10.2017 às 13:40

E quantos "Duartes" não são usados pela máfia aproveitadora que se movimenta por detrás deles. De "Duartes" e de famílias menos favorecias como essa que apresentou.
E tudo com o beneplácito de quem sabe e nada fez, nem faz porque mexer nos interesses dos poderosos é abalar os alicerces que os sustentam no poder.
"Então, tanto trabalhinho para angariar o voto e agora vou desafiar quem me podendo apoiar, vai zangar-se se os culpabilizar? Vou mas é convidar a Ministra a demitir-se, os ânimos arrefecem porque a (culpada) foi embora, e tudo volta ao normal, e para o ano logo se vê. Talvez mais moderação nos fogos que os pategos nem dão conta"
Resto de um excelente dia.
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De Robinson Kanes a 18.10.2017 às 15:30

Tantos! Muitos mesmo!

Acredito que não é qualquer um que o poder de "dar a volta" a estas pessoas e ameaçar as mesmas de tal modo que preferem a cadeia à verdade...

De facto, a antiga Ministra não tinha condições para governar, por falta de competências para o cargo, sobretudo, mas isso começou com a nomeação... O problema não pode é ficar resolvido com uma demissão, pois toda uma máquina falhou e temos de perceber que a Ministra, apesar de máxima responsável, não está em todas... Até porque quanto maior o grau de hierarquia maior é a distância das operações.

Um excelente dia :-)
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De Corvo a 18.10.2017 às 16:02

veremos agora o que vai fazer o Presidente.
Parece, consta-se pelo que lendo se vai deduzindo, que vai tomar uma posição séria sobre o assunto.
Pois que tome. Tome e deixe a simpatia para os rapazes da selecção
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De Robinson Kanes a 18.10.2017 às 17:48

"A ver vamos como diz o cego".
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De Anónimo a 18.10.2017 às 15:17

Grande coragem pelo testemunho.Mais um texto brilhante que volta a passar ao lado de quem faz a moderaçao.
Abraço
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De Robinson Kanes a 18.10.2017 às 15:30

Pelo menos aqui quem modera sou eu :-)))
Brinco consigo e percebi o que quis dizer.
Um Abraço
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De Mula a 18.10.2017 às 16:20

E não sei o que é pior... Pessoas conscientes sem pinga de carácter capazes de estragar toda uma vida de outrem, se pessoas cobardes o suficientes para levar outros com menos consciência a cometer aquilo que eles próprios não conseguem...

Tão triste que se aproveitem de pessoas para alcançar um fim... Tão triste capazes de estragar todo um património natural que demorará anos até voltar a ser o que era... se é que algum dia voltará a ser...
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De Robinson Kanes a 18.10.2017 às 17:51

Penso que todos são um malefício.

Com as actuais condições ao nível do clima, vai ser um trabalho muito, mas muito árduo. Só em Vila Velha de Ródão, existiam espécies de flora que iriam levar mais de 300 anos a voltar aos níveis de hoje.
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De HD a 18.10.2017 às 18:35

Um perfil bem traçado...
E será que estes Duartes têm alguém que os compreenda?

Haverá alguém que os manieta... -.-
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De Robinson Kanes a 18.10.2017 às 18:54

Na verdade, muitos deles cometem o crime conscientemente e logo têm de ser punidos de acordo com a lei...

Agora quem está por detrás, é o maior criminoso...
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De HD a 18.10.2017 às 19:01

É isso que me atormenta... parece-me que há algum procedimento organizado... que esses Duartes nunca conseguiriam sozinhos... -.-
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De Robinson Kanes a 19.10.2017 às 00:38

Alguns sim, mas uma grande maioria não...
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De O ultimo fecha a porta a 18.10.2017 às 22:03

Efetivamente há muitos interesses nesta tragédia, mas penso que há pouca mediatização desse lado negro. Tudo muito obscuro como convém. E aqui confesso que tenho desconhecimento de quem pode lucrar com esta situação, de como funciona a industria da madeira queimada, dos meios aéreos e até das seguradoras...
A tua questão é muito pertinente e que merece e tem de ser estudada.

A propósito, roda nas redes sociais um post partilhado a sugerir "uma árvore em vez de um brinquedo"... ". O problema é quem coordena a plantação dessas árvores para não cometer os mesmos erros ? Quem escolhe as árvores e o local onde serão plantadas?
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De Robinson Kanes a 19.10.2017 às 00:42

Penso que muita da investigação tem de perceber o porquê, pois a maioria dos incêndios não ocorre devido às condições climatéricas, é óbvio que podem ser propícias, mas não provocam o incêndio.

Isso é uma grande ideia... Sou voluntário (não tanto como desejaria) na LPN, vou ver se eles sabem alguma coisa.
Existem associações (na área florestal e silvicultura) e sapadores florestais que fazem esse trabalho, o ICNF por exemplo também actua...
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De O ultimo fecha a porta a 19.10.2017 às 22:21

LPN? Liga Protectora da Natureza?
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De Robinson Kanes a 20.10.2017 às 09:04

Desculpa... Sim, a Liga Protectora da Natureza.

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