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Da "Instamum" à "Depressedmum"...

por Robinson Kanes, em 22.03.17

smartmag-featured-image-tammy-mom.jpg

 Fonte da Imagem: http://www.shapefit.com/wp-content/uploads/2014/12/smartmag-featured-image-tammy-mom.jpg

 

Estar grávida está na moda, mas quem quiser ser trendy, além da gravidez tem ainda de contar com o facto de os gémeos serem a opção mais in.

 

Mas... vamos focar-nos nas senhoras, porque afinal também existem os pais.

 

Actualmente as mães são umas verdadeiras instamums (Instamães), ou pintemums (pintmães) ou até facemums (facemães). E o que é isto? Mães que são o último grito da gravidez e até do pós-parto, sobretudo nas redes sociais. A pressão social e mediática é tal, que o ideal é aparecer grávida mas com um look de quem passa os dias no ginásio. Uma grávida elegante, sorridente e de bem com a vida. Uma gravidez perfeita sem os percalços habituais é coisa do passado. Estar grávida é cool! Partilhá-lo nas redes sociais ainda é mais cool... desde que não se esteja gorda, flácida ou pouco atraente.

 

Onde é que isto começa? Nas “celebridades”, nas “bloggers” e naquelas amigas que ficam grávidas mas que têm aparência de monitora de aulas de fitness. Daqui às partilhas de corpos elegantes e “photoshopados” (photoshopados? Oh Robinson...) vai um passo, e daqui à pressão para se ser uma instamum vai outro passo, e daqui para chegar à depressão e desejar nunca vir a engravidar novamente vai outro.

 

Mas as coisas até começam bem... aquela “celebridade” com barriga lisa antes e depois do parto surge como a inspiração... o problema surge é quando passamos o nosso tempo a olhar a inspiração - que virtualmente continua inspiradora - e a nossa forma física continua deplorável, aos olhos da instamum. Aos olhos da instamum, porque aos olhos de um indivíduo normal é um físico... normal?

E há instamum que goste de se sentir gorda, sem poder partilhar as fotos da boa forma no facebook, quando a cunhada de cinco em cinco minutos mostra aquele corpo invejável e só pariu há uma semana?

 

A verdade é que existem casos em que a depressão é tal que as senhoras se esquecem do que é uma gravidez e do que é real e não é! Existem situações em que as depressões arrasam o casamento. Deixar que as redes sociais, as opiniões dos grupos de pseudo-amigos contagiem o bem-estar das mães é um passo atrás, inclusive no ser mãe e no ser mulher! Mesmo os pseudo-detentores de opinião não são "ninguém", quando muito... são um canal para ajudar ao nosso pensamento e, ter tempo para pensar, é fundamental. Caso contrário, entraremos na desculpa da falta de tempo, mas aí faço minhas as palavras de Steinbeck quando dizia que a ausência de tempo para pensar era o equivalente ao não ter vontade de pensar.

 

Sejam mães e não queiram ser estrelas, se eu pudesse escolher, era o que eu fazia... e provavelmente não seria o meu filho que faria de mim uma estrela. Deixem de passar horas a fazer scrolling (o típico sobe e desce com as páginas de internet) às outras mães no computador, no tablet ou smartphone e sejam mães!

 

E porque não escolher não querer engravidar? É um direito, e honestamente louvável, tendo em conta que existe gente a mais neste mundo! Digam que sou egoísta mas... analisem os números e veremos quem está a ser mais egoísta na equação.

 

A gravidez é uma escolha, é uma fase e uma das coisas mais normais no reino animal. Estar grávida é a coisa mais normal do mundo! Estar gorda por causa da gravidez, cheia de estrias, flácida, desesperada, cansada, irritada é a coisa mais normal do mundo! Comer doces e milhões de porcarias que nunca se comeriam antes é a coisa mais normal do mundo (se tivermos dinheiro para tal)! E não minhas senhoras, quem já teve filhos não é a única pessoa a saber tudo sobre crianças como também o vosso bebé quando nasce não é lindo. Não é... é feio, cor-de-rosa, a maioria das vezes, mas fica bem dizer “ai que bonito bebé sai ao pai”! Um dia ainda me terão de explicar como é que olham para um bebé com horas e dizem estas coisas! E não, ninguém é perfeito, só serão perfeitas se pagarem a alguém para espalhar que vocês são perfeitas.

 

Em conclusão, minhas senhoras se existir quem não goste das vossas estrias, das vossas peles, da vossa irritação, do vosso mau-humor, honestamente... fizeram um erro de cálculo na escolha do pai e daqueles que vos rodeiam.

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66 comentários

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De Marta Elle a 22.03.2017 às 09:59

Eu não me imagino grávida. Acho que ficava apavorada.
Há tempos, um homem criticou-me por isso e seguiu-se este diálogo :
Eu : Já te imaginaste com uma criança na barriga ?
Ele : Não, mas eu não sou uma mulher.
Eu : Eu também não sou um homem mas imagino que deva ser desagradável um tubo pelo pénis dentro.
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De Robinson Kanes a 22.03.2017 às 10:08

Acho fantástico as mulheres que assumem que não querem estar grávidas, que optam por esse caminho. Tiro-lhes o meu chapéu, verdadeiramente.

O que focas é a pressão social… contornaste com humor :-)
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De Chic'Ana a 22.03.2017 às 10:08

Estar grávida é um milagre que a natureza nos proporciona. Podemos e devemos ter uma alimentação saudável, podemos e devemos fazer exercício qb, e adequado à gravidez, mas tendo presente que o foco é o feto, e não a nossa silhueta!
Beijinhos
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De Robinson Kanes a 22.03.2017 às 10:14

Eu diria que é só mais uma coisa natural, não me parece que seja propriamente um milagre. Mas é o meu ponto de vista, até porque depois cabe a cada um encarar o "acontecimento" à sua maneira.

Mas o foco… e aí disseste tudo.

Beijinhos.
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De Chic'Ana a 22.03.2017 às 10:21

No meu círculo de amigas, há tantas que passam por esta dificuldade: ou abortos, ou incompatibilidades ou problemas de fertilidade, que o encaro como um pequeno milagre =)

Beijinhos
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De Robinson Kanes a 22.03.2017 às 10:40

Eu entendo, obviamente… embora para mim sejam situações absolutamente normais/naturais. O modo como reagimos, como lidamos com elas, sobretudo ao nível das emoções é já outro terreno :-)
Depois colocam-se questões de fé e de formas de estar na vida. Neste aspecto tenho uma visão mais pragmática :-)
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De Ana a 22.03.2017 às 10:38

Tá tudo dito. E mais nada. Mas acrescento que isto tudo, para mim, não se aplica só às grávidas, aplica-se à mulher no geral em qualquer estado da vida. Que se gostem das mulheres como elas são realmente e não como as redes sociais e os media as apresentam.
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De Robinson Kanes a 22.03.2017 às 11:03

Obrigado.
Sim, isso é uma discussão que é importante também… no fundo, penso que aquela discussão que apresentas é o embrião da que eu apresento. Já vem da questão do "ser mulher" basicamente.
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De Maria a 22.03.2017 às 10:40

Robinson... Faço-te uma vénia!
Parabéns!

e, caso alguma senhora se sinta incomodada com este texto vindo de um homem, eu faço minhas as tuas palavras (perdoa-me a usurpação) e como mulher assino por baixo!

Eu não quero ser mãe, mas adoraria estar grávida e ceder a todos os desejos que ocorressem!! quais fitness quais carapuça.

Redes sociais, não tenho.

e sim, os bébés são cor de rosa e não se parecem com ninguém!

Parabéns!
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De Robinson Kanes a 22.03.2017 às 11:05

Ora, não tens de fazer, é só uma opinião :-)

Até agora ainda não fui atacado por nenhuma senhora em fúria, mas pode acontecer. Hoje não vou largar o meu pastor-alemão.

Mas não é verdade? Como é que é possível o "é a carinha da mãe"?
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De Maria a 22.03.2017 às 13:40

Pois... não percebo de facto :(
acho que as hormonas maternais/paternais deixam as pessoas um pouco parvas... (nalgumas coisas)
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De Robinson Kanes a 22.03.2017 às 15:42

Eu sou parvo e não sou pai :-)
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De Maria a 22.03.2017 às 19:36

Mas tu e eu somos parvos, em bom!!!
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De Robinson Kanes a 22.03.2017 às 19:55

ahahahahahah
Também, também...
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De Cecília a 22.03.2017 às 11:00

estou grávida de 25 semanas de gémeas fraternas.
já sou mãe de uma menina de 3 anos.
não tenho estrias (nem histerias)
não tenho celulites, nem manchas - nem perco tempo a prevenir o que seja e a gastar rios de dinheiro em cremes mágicos.
amamentei a minha primeira filha até aos 2 anos e uma semana. as mamocas sofrem sobretudo é com a gravidade (comum a todos os mamíferos que vivam no planeta terra).
não tive depressão pós parto - sempre soube que queria ser mãe e dediquei-me de corpo e alma a isso e sabia o que tinha pela frente...
já tive depressões no passado - questões mais químicas (a nível cerebral) do que psicológicas.
não marco presença em redes sociais.

não tenho amigas mulheres.

quem é feliz é-o simplesmente: não precisa de o mostrar.

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De Robinson Kanes a 22.03.2017 às 11:09

Obrigado, sobretudo pela partilha. A prova de que não tem vaidade é que nem fazia de si uma mamã recente e novamente grávida.

Interessante o seu testemunho, aborda aquilo que seriam coisas más para as "instamums" com uma naturalidade fantástica! Aliás, e nem é por isso que deixa de amar a filha que já cá está e os outros dois que estão a caminho.

Gostei da sua abordagem ao "não tenho amigas mulheres", é algo que tenho ouvido recorrentemente por parte de algumas senhoras. Sinto muita gente deslocalizada…

"quem é feliz é-o simplesmente: não precisa de o mostrar.".

E assim, num testemunho que já era de ouro, assina também a esferográfica de ouro...

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De Cecília a 22.03.2017 às 11:24

nunca consegui ter amigas. desde miúda. enfim, defeitos de fabrico, provavelmente.
e experimente ser mulher e dizer que não tem celulite, nem manchas ou estrias e que nem perde o tempo a pensar nisso e verá se consegue a simpatia de muitas :p

essa da assinatura é simpatia sua. mas fico feliz já que na realidade a caligrafia é, digamos, de génio!
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De Robinson Kanes a 22.03.2017 às 11:56

Não é a única então com defeitos de fabrico. Conheço muitas senhoras que saíram dessa fornada…

Sim, confesso que nada sei sobre o mundo das mulheres, contudo deparo-me com alguma futilidade ocasionalmente. Mas olhe que os homens não estão diferentes.



ahahhahaha boa!
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De Sónia Pereira a 22.03.2017 às 11:14

O problema hoje em dia é o mimetismo para o qual resvalamos. Não está na moda pensar pela própria cabeça, expressar pensamentos e sentimentos próprios. As pessoas seguem padrões que observam e normalmente vão por uma de duas vias: ou seguem a onda, o rebanho, ou estão no oposto, na bancada da indignação. Mas nada é realmente pensado, interiorizado, refletido. São comportamentos copiados. Estamos emocionalmente automatizados.

Pessoalmente, já estou numa altura sem paciência para estas modinhas da internet. Sou mãe, estive grávida e é tudo tão mais complexo do que abdominais em forma e sorriso estampado no rosto. A gravidez é algo natural, mas como qualquer processo que provoca alterações drásticas no corpo, tem momentos menos agradáveis. O pós-parto foi difícil. A não ser que a criança seja um nenuco de borracha ou se tenha quem ajude em permanência, não havia tempo nem vontade de tonificar os abdominais e, na maior parte das vezes, nem sequer de sorrir. E porquê mentir e ter medo de admitir isto? Porquê dizer que fazer e ter um filho é coisa para se levar com uma perna às costas?

Ser diferente, pensar diferente é um comportamento em vias de extinção. Como mulher e com a conquista de uma certa emancipação para a qual lutamos durante anos, parece-me estranho esta necessidade de correr para um padrão de perfeição e felicidade. A emancipação é também isso: admitir que a nossa existência não tem como único motivo parir, que o corpo é algo de natural e como tal pode ser gordo, com estrias, que podemos ficar deprimidas e desorientadas com a chegada de um filho, que nos assiste o direito de não querer ter filhos.
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De Robinson Kanes a 22.03.2017 às 12:02

Gostei da tua abordagem e nomeadamente a aproximação ao conceito de "automatizados", uma espécie de 1984 numa versão mais democrática. O automatismo começa quando acaba (ou se anula) a capacidade de pensar. Todavia não é essa capacidade que nos torna humanos? Não vamos um pouco ao encontro do que o Steinbeck diz no seu "Inverno do Nosso Descontentamento"?

Admitir que a gravidez é a coisa mais natural do mundo parece ser uma dificuldade. Ou pretende-se com a gravidez transformar uma coisa normal em algo que dê "status"? Do ponto de vista do marketing é fantástico, todavia nem foi o mesmo marketing que teve de apertar o gatilho para esta visão. O problema fundamental aqui são os reflexos no bem-estar de algumas pessoas e até no comportamento.

Encerro com uma inquietação: numa época em que falamos tanto de diversidade, nunca se viu tanta uniformização.
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De Maria a 22.03.2017 às 12:46

Facto n.º 1: o corpo muda em 9 meses, a maioria de nós vai demorar anos até o recuperar.
Facto n.º 2: o bebe nasce, se é o primeiro filho, nasce também a mãe/pai, mas em geral é à mãe que se "exige" que saiba tratar do nenuco, mas este nenuco chora, tem vontade própria, o botão off está avariado...
Facto n.º 3: a mãe acha que tem de ser perfeita, se está em casa com o bebé vai ter certamente tempo para arrumar a casa, fazer as refeições e ainda uma ginásticazinha para ajudar a perder o "pneu".

Temos então o "caldo entornado". A mãe não se revê no novo corpo que tem (muitas vezes vai às primeiras consultas com o bebé e já lhe estão a dizer mimos como "olha lá, ficaste mais gordinha, não foi?"). A mãe não sabe porque o bebé chora, não consegue fazer "nada" em casa porque o seu bebé não é como o das novelas, a maior parte das vezes nem um banho em condições consegue tomar.

A minha realidade: adorei estar grávida, até porque tive poucos "achaques" típicos dessa fase (enjoos, dores, etc.). Acho sinceramente que a experiência conta, o meu segundo e terceiro pós parto foram mais pacíficos, curiosamente tive mais tempo "livre" simplesmente porque as expectativas eram menores. Por isso acho mesmo que quem já é mãe tem outros conhecimentos, a prática faz toda a diferença. E sim, há bebés muito bonitos, alguns muito parecidos com os progenitores (e nem todos os bebés são cor-de-rosa)

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De Robinson Kanes a 22.03.2017 às 15:51

O relato de uma mãe acrescenta muito ao artigo e traz uma riqueza de experiência também gigante. Agradeço isso, é sem dúvida uma mais valia tremenda.

Sim, a experiência conta sempre, os meus comentários não são lineares. Dirigem-se sobretudo às mães que procuram impingir certos ditames às futuras mães ou até às mães mais recentes e "ai daquele" que questione. Era para aí a minha abordagem.

Nem todos são cor-de-rosa, mas assim que nascem eu creio que é difícil dizer que são bonitos :-)

Eu percebi o que quis dizer :-)

Mais uma vez obrigado pela partilha da experiência e por enriquecer a discussão.
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De Francisco Freima a 22.03.2017 às 12:50

O maior problema é mesmo o estigma em relação às mulheres que não querem ter filhos, conheço alguns homens que entraram em relações a pensar que lhes davam a volta, mas acabaram a ser mandados de volta
Ainda assim, os mais irritantes são aqueles que estão muito apaixonados e querem ter filhos, mas depois de o bebé nascer batem com a porta ao fim de uns meses. Existem muitas "depressedmum" também à conta disso.
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De Robinson Kanes a 22.03.2017 às 15:45

Entrar numa relação a pensar que se "dá a volta" é para mim o início do fim :-) tentar mudar alguém é aliás, o início do fim de uma relação. Entramos na lógica de que o início é sempre engraçado e os defeitos até fazem rir, o problema surge mais tarde… porque mesmo os melhores filmes, ao fim de algum tempo já não têm tanta piada.

A segunda situação que apontas é lamentável… mas acredito que também existam homens em estado "depressedad".
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De Anónimo a 22.03.2017 às 12:59

a verdade oculta de muitas mulheres.Sei bem o que é viver nessa ansiedade e sempre por culpa dos amigos e da familia.
parabéns pelo blog e pela coragem.
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De Robinson Kanes a 22.03.2017 às 15:42

Obrigado e não deixe de ser quem é.
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De Mamã Silvestre a 22.03.2017 às 14:16

Tens toda a razão é estado mais natural do mundo :)
Sim quando nascem não se parecem com nada, mas são sempre igualzinhos ao pai
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De Robinson Kanes a 22.03.2017 às 15:41

Pelo menos é o que eu acho, se é ou não, vocês esclareçam-me :-)

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