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Donald Trump já está a proceder às mudanças que tinha prometido... haja alguém, para o bem ou para o mal, que cumpra aquilo que promete.

 

No entanto, uma das coisas menos boas de Trump abriu portas para uma discussão deveras interessante. Se por um lado temos o discurso contra a imigração de Trump, pelo outro, temos cidades como Los Angeles, New York e até outras de menor dimensão como San Diego a chamarem a si a decisão de não tomarem partido no discurso e política anti-imigração. Assistimos à criação de uma espécie de autonomia que vai ao encontro das suas necessidades e desenvolvimento.

 

À semelhança de outras cidades pelo Mundo, são cada vez mais as cidades que se assumem como verdadeiras nações - cidades-estado fazendo aqui a colagem às cidades-estado gregas da Antiguidade.

 

A vantagem de termos muitas cidades deste género deve-se à proximidade com os cidadãos e com a realidade. Do ponto de vista admnistrativo, social e económico um Governo mais próximo da realidade e especificidades daquilo que administra parece-me ser muito mais eficiente que um poder central, muitas vezes alheio às realidades locais. Existem cidades que, pela sua capacidade de desenvolvimento, conseguem suplantar países... além disso, a reunião de consensos entre as diferentes partes (por exemplo, diferentes presidentes de câmara) torna-se mais fácil, sendo que o foco, mais que a um nível central e político, pode ser mais holístico. Até a própria eleição dos orgãos de governo pode ter como base a associação de cidadãos ou de indivíduos com conhecimento e obra feita e não somente um conjunto de "oportunistas partidários" incubados numa máquina partidária para partirem à conquista de territórios que desconhecem.

 

Podemos dizer que é uma espécie de área metropolitana... pode ser efectivamente, mas não podemos colocar interesses partidários ou lutas pelo poder à frente do desenvolvimento das cidades. O afastamento, por exemplo, face ao poder central, é também uma mais-valia. Contudo, não podemos, como se faz em Lisboa... governar a cidade como uma espécie de catapulta para outros voos.

 

Não podemos chegar ao ponto de cada um estar voltado para si em muitas decisões... muito do caos que se vive na periferia de Lisboa deve-se a essa falta de diálogo e concertação nas políticas de transportes, habitação, ambiente e não só. Cada um por si, e damos por nós numa completa  não-identificação com o meio por parte dos cidadãos.

 

 

Não podemos ter alguém no Montijo, Alcochete, Mafra ou até Vila Franca de Xira a utilizar o diálogo do "tenho que ir a Lisboa" como se isso fosse ir de Vladivostok a Moscovo para resolver um qualquer assunto. Não podemos ter uma espécie de "apatia" face a Lisboa nos subúrbios da cidade, pois na realidade também esses subúrbios são Lisboa. Não precisamos de perder a nossa identidade, aliás, esse afastamento é que tem gerado a perda de identidade por parte de muitas localidades. Nas cidades-estado existe espaço para tudo... se dentro de Lisboa conseguimos ter as áreas de excelência para a vida nocturna, porque não podemos ter a zona rural de Lisboa em Alcochete, ou até Mafra?

 

E as vantagens que podemos retirar na relação dessas cidades-estado com outras regiões? O Mundo está a mudar e as cidades são o futuro... enquanto permanecermos nos nossos pequenos "feudos", leais a uma "coroa" que distribui títulos e riqueza consoante as influências deste ou daquele "nobre", não conseguiremos competir com os nossos parceiros europeus e até, em outras distâncias mais longínquias... e aí, não existirá Web Summit que nos valha, seja qual o país em que esta se estabelecer.

 

Fonte da Imagem: Própria.

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16 comentários

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De Chic'Ana a 27.01.2017 às 10:39

Conheço bem esta apatia que falas, nomeadamente ao nível da saúde.. Hospitais só mesmo em Lisboa, todos os circundantes não dão respostas suficientes..
Beijinhos
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De Robinson Kanes a 27.01.2017 às 10:58

Não existe essa visão... infelizmente é a realidade. O facto do Norte de Portugal não ter melhores relações com a Galiza acontece porque, enquanto a Galiza está unida, em Portugal anda tudo a lutar pela sua quinta... o contraponto é que existem algumas iniciativas, mais isoladas, e que têm sucesso. O caso Verín - Chaves é um exemplo.
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De Sónia Pereira a 27.01.2017 às 11:07

Vi um documentário há uns tempos chamado «Demain» que falava, entre outras coisas, dessa autonomia das cidades em prol dos cidadãos, usando ferramentas como, por exemplo, uma moeda própria.
A questão é mesmo a que referes, um poder centralizado está a ignorar necessidades específicas, localizadas. O problema cá em Portugal é que parece haver grandes dificuldades em haver uma concertação conjunta sobre seja o que for. Todos tentam puxar a brasa à sua sardinha, todos querem ficar bem na fotografia e não há espaço à cedência, mesmo que esta seja em prol do bem estar dos cidadãos.
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De Robinson Kanes a 27.01.2017 às 11:46

Já não digo irmos tão longe no caso da moeda. Penso que, pelo menos nesta fase (tomando o exemplo da maioria dos países) só iria complicar. A moeda, ainda é um grande foco de identidade e união nacional. Muitos foram aqueles, em muitos estados-membros, que se insurgiram contra o Euro tomando somente esse argumento como base.

Continuamos a pensar pequeno, nunca poderemos pensar um pouco mais além enquanto só pensarmos no nosso terraço e esquecermos que existe um bairro, uma localidade, um concelho, um distrito, um país e um mundo lá fora.

Os responsáveis? Os cidadãos...
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De Maria a 27.01.2017 às 13:38

Sou de Almada desde sempre. Cresci a ter de "tratar de assuntos" em Lisboa, (e há 20/30 anos atrás era uma verdadeira odisseia de transportes). Esta situação está-me de tal forma inclutida que, apesar de hoje em dia Almada "ter tudo" continuo a recorrer a Lisboa para a maior parte dos temas.
E não é forçosamente por trabalhar em LX...
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De Maria a 27.01.2017 às 13:39

** incutida
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De Robinson Kanes a 27.01.2017 às 15:50

É um facto, a cidade não está organizada como um todo... existe Lisboa e as cidades satélites que a abastecem e a ela recorrem em quase tudo... não há uma visão global, não existe uma verdadeira área metropolitana, não existe sequer uma identificação com tal. Almada é um dos eternos dormitórios, infelizmente...
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De Marta Elle a 27.01.2017 às 14:36

Cá para mim ainda alguém tenta assassinar o Trump. O Kennedy era mais popular que ele e foi morto.
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De Robinson Kanes a 27.01.2017 às 15:48

Os EUA têm alguns assassinatos ou tentativas de assassinato na sua história... também se disse em relação a Bush pai e filho, a Clinton e Obama... vontade não deve faltar a muita gente, mas não deve ser esse o caminho.
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De Maria Mocha a 27.01.2017 às 20:40

Tocas pontos importantes.
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De O ultimo fecha a porta a 27.01.2017 às 21:25

Esse pode ser um dos caminhos para o desenvolvimento mundial, pois como dizes ao se fechar numa concha, acaba-se por não abrir horizontes.
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De Robinson Kanes a 28.01.2017 às 10:48

É só mais uma visão... infelizmente andamos a falar demais e a fazer pouco.
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De HD a 27.01.2017 às 22:33

A política interna até pode ser pro económica mas... ninguém quer saber cá deste lado do planeta xD
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De Robinson Kanes a 28.01.2017 às 10:48

Isso é que me assusta... mas enfim...
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De HD a 29.01.2017 às 18:07

A ver vamos... :\

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