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Beber um Copo no Hospital!

por Robinson Kanes, em 09.12.17

IMG_4621.jpg

 O Violinista Feliz, Gerad van Honthorst - Rijksmuseum

Fonte: própria.

 

Quando estamos com amigos, uma das poucas coisas que nos passa pela cabeça é ir tomar um copo ao hospital. No entanto, em França pode ser uma realidade.

 

Um dos exemplos mais falados foi o "Bar à Vin" criado num dos hospitais do Centro Hospitalar de Clermont-Ferrand, nomeadamente, numa das infraestruturas destinadas a cuidados paliativos e geriátricos. Segundo os responsáveis, esta iniciativa, destinada a doentes, amigos e familiares, visa atenuar os efeitos dos tratamentos paliativos que podem durar semanas ou meses. Sendo a vida, o foco principal destes profissionais, nada como garantir que a mesma, mesmo nestes momentos mais difíceis é aproveitada. É ir mais longe na medicina e trazer variáveis como as emoções e garantir um nível de satisfação e bem-estar a quem já pouco espera da vida... Além disso, paliativos não é sinónimo de "vegetal".

 

Mais do que discutir se o vinho faz bem ou mal à saúde é, com a correcta supervisão, promover qualidade de vida àqueles que se encontram numa situação em que já não podem esperar muito da mesma. É promover também o bem-estar, o diálogo - beber é um acto social - e acima de tudo ir mais longe e não cair no erro de continuar a limitar o acesso a coisas que no fundo, já não mudarão o infeliz diagnóstico de todos aqueles que aí se encontram. 

 

Sobre esta temática, deixo-vos uma entrevista de Catherine Le Grand-Sébille ao "Libération"  e onde a investigadora e autora do estudo "Fins de vie" desmistifica algumas questões que ainda se podem colocar acerca do consumo de álcool em ambiente hospitalar.

 

A presença do "vinho" nos hospitais não é nova, aliás, chegaram a ser uma espécie de remédio para o bem-estar dos pacientes durante séculos. Até em Portugal o vinho do Porto tem várias histórias associadas aos benefícios deste para a cura de algumas doenças, inclusive da peste, mas isto são, sobretudo, histórias que foram sendo contadas e com difícil constatação cientifica. Todavia, não é incomum encontrar histórias, relatos e testemunhos de hospitais que produziam vinho e também o consumiam internamente, sobretudo em França.

 

Por cá continuamos a falar de paliativos, com os especialistas do costume... A falar... A falar... Mas estes continuam a ser uma espécie de ante-câmara da morte, muitas vezes, com pior aspecto que a própria morte... Afinal, os últimos dias de um paciente não têm de ser um autêntico martírio só porque preferimos fazer outsourcing do nosso sofrimento e fechá-lo também num quarto deprimente...

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18 comentários

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De O ultimo fecha a porta a 09.12.2017 às 14:53

Podíamos também falar da presença dos animais de companhia junto dos donos que estão nessa situação.
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De Robinson Kanes a 10.12.2017 às 10:49

Já acontece nos EUA. Em Portugal só deverá acontecer quando alguém "amigo do amigo" roubar a ideia que outros já tiveram e não viram implementada... E mais não digo...
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De P. P. a 09.12.2017 às 17:12

Gostei muito do texto e das ideias defendidas. Não tivesse já visto o "outro lado".

Abraço
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De Robinson Kanes a 10.12.2017 às 10:49

Sim... Nesse campo, infelizmente, já tens a tua experiência.

Abraço
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De cheia a 09.12.2017 às 19:33

Trata-se de humanizar o fim!
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De Robinson Kanes a 10.12.2017 às 10:49

Sem dúvida...
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De Maria Araújo a 09.12.2017 às 20:29

E por que não?!
E quem diz o vinho, outro prazer que dê algum conforto a estas pessoas.
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De Robinson Kanes a 10.12.2017 às 10:50

Sim, até porque a o estado de saúde física não vai piorar por causa disso...

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De Maria Araújo a 10.12.2017 às 13:02

Um prazer que tenho e que me custava muito não o ter, das vezes que fui operada, era tomar um café.
São estes pequenos nadas que confortam a alma.
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De Robinson Kanes a 10.12.2017 às 13:20

E em casos que o futuro está traçada, qual é o mal de tomar um café, ou mesmo até de fumar um cigarro? Protegemos tanto o doente que o transformamos num pedaço de carne ao serviço de dogmas ultrapassados.
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De Maria Araújo a 10.12.2017 às 17:08

Há anos, uma prima minha, tem a doença de Chron, teve de ser operada várias vezes não só devido à doença, mas outras complicações.
O vício do cigarro nunca o perdeu e como ela conhece muitos médicos e fala com todo o mundo, antes de ir para o bloco operatório, tinha de fumar um cigarro.
E os médicos permitiam e eu pensava que pelo menos se um dia morresse, consolava-se com o prazer do cigarro.
Hoje, terá 62 anos, continua a fumar, com os mesmos problemas de sempre, sobretudo psicológicos, também, mas vive como pode e quer.
Para quê impedi-la de fumar se é um prazer para ela?
Quem diz fumar, diz outros vícios controlados que eu acho deviam ser permitidos.
"Morra Marta, mas farta"
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De Robinson Kanes a 11.12.2017 às 08:31

Ao contrário do que possamos pensar, não é por proibirmos alguém de fumar por uns dias no hospital que acabaremos com o vício... Pelo contrário... Além de que, até em unidades onde estão internadas pessoas cuja principal causa de estarem ali é o tabaco o iremos conseguir. É um vício que não se perde de um dia para o outro, uma dependência daqueles que se entranha realmente.

Cada caso é um caso mas... Se temos ali uma pessoa feliz e até agora bem, porquê de limitar sem necessidade aparente?
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De Maria Dulce Fernandes a 10.12.2017 às 16:48

Em casos em que a esperança de vida tem os dias contados, porque não preenchê-los da maneira que nos faz sentir completos ?

É verdade que um bom tinto ajuda a fortalecer as artérias após um enfarte. Aconteceu duas vezes com o meu pai.

Gosto muito do quadro com que ilustrou esta publicação. Lembra-me sempre o Ian Anderson dos Jethro Tull, quando era novo. Um excelente trovados.

Trovas e vinho, que mais pode um homem desejar ? :) :) :)
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De Robinson Kanes a 11.12.2017 às 08:28

Estamos simplesmente a humanizar a morte e a garantir verdadeiro bem-estar a quem já não pode esperar muito da vida... Pelo menos em termos temporais.

Obrigado :-)

P.S: Trovas e vinho e temos homens felizes até morrer :-)
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De José da Xã a 10.12.2017 às 20:42

Nunca tinha pensado nesta vertente para o vinho.
Mas pode fazer sentido.
Boa semana.
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De Robinson Kanes a 11.12.2017 às 08:29

Faz e muito... :-)

Boa semana...
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De Ladys a 11.12.2017 às 17:28

O que me custa nos cuidados paliativos e nos lares é a ideia de serem deposito de pessoas à espera do fim. Se há a possibilidade de fazer algo que sirva de distração e que dê alguma dignidade, porque não? Como a "Ultimo" falou, os animais também ajudam e muito. Temos muito que crescer neste sentido. Marina
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De Robinson Kanes a 11.12.2017 às 19:55

A crescer e abrir as portas à inovação, mas para isso, é preciso que muitas quintas sejam arrasadas...

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