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Artes nos Modelos de Gestão...

por Robinson Kanes, em 21.11.16

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Segundo Fiske, para as artes terem um poder transformador nos indivíduos e nas organizações é fundamental criar uma experiência que envolva e ligue os indivíduos racional e emocionalmente através de uma participação activa ou passiva. No entanto, activamente estes mesmos indivíduos podem ser actores na construção não só de obras de arte, mas no fomento do desenvolvimento pessoal e organizacional. Por sua vez, esta participação activa tem benefícios mais efectivos não só no comportamento, mas nas capacidades cognitivas e sociais (Fiske, 1999).

 

A relação entre artistas e as organizações é fundamental por diversas razões e desde que a expressão “inovação” surgiu, parece ser de tal forma importante, que os artistas podem ser actualmente as pessoas certas para alavancar a inovação nas empresas.

 

Entre outras capacidades detidas pelos artistas, a capacidade de inovar é necessária: reinventar os próprios produtos, o processo e a performance de forma a que também a própria estrutura organizacional e a sua aproximação à realidade sejam concretizáveis.  Isto significa que as organizações têm de enveredar por uma tremenda mudança de mentalidade de modo a estarem preparadas para os desafios que vão surgindo.

 

Na gestão, por exemplo, as artes podem desempenhar dois papéis fundamentais: um deles passa por apresentar as artes como fonte de aprendizagem, criando uma espécie de ligação emocional e inspiracional para gestores e colaboradores. As mesmas podem ser utilizadas como modelo de transformação do capital organizacional e humano. O segundo papel é de que estas podem, como produto artístico, influenciar a dimensão estética e até comunicacional das organizações. Intervenções ao nível da gestão baseadas nas artes podem assumir um sem número de formas que vão desde o teatro organizacional, workshops de teatro e até de poesia, pintura, escultura, dança e formações musicais dirigidas por maestros ou agrupamentos (Stockil 2004, Nissley 2010).

 

Estaremos aptos a assumir estes compromissos? Artistas e empresas? Estaremos aptos a preparar um conjunto de intervenções que vão para além do mero team-building e permitam uma abordagem mais profunda quer ao nível do planeamento, quer ao nível da execução sem esquecermos a sempre difícil medição de impactes neste tipo de iniciativas?

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17 comentários

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De Chic'Ana a 21.11.2016 às 09:10

Acho que neste momento as empresas estão preocupadas somente com o grau de produtividade e não em explorar estes conceitos / gestão / medidas de melhoria.
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De Robinson Kanes a 21.11.2016 às 09:23

A produtividade advém de uma boa gestão e de medidas de melhoria.

De facto ainda só algumas multinacionais investem nestas áreas e tentam daí tirar-lhe o sumo que as mesmas trazem. As mesmas, numa estratégia de formação têm muito a ganhar em incorporar nos seus programas estas mesmas práticas.

Mas sim, é mais fácil encontrar 30 organizações que o pratiquem realmente na Holanda, por exemplo, do que uma que o faça em Portugal.

Apesar de tudo em Portugal, temos grandes surpresas.

Obrigado por passares.
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De Nay a 21.11.2016 às 17:29

Penso que seja controverso para ambas as parte.
Pelo que dizes já há países que o fazem, em Portugal acho muito mais difícil. Somos um país muito agarrado a tradições e incluís-se a crença de que artistas são um pouco loucos.
Depois tens a outra vertente, artista criar com condicionalismos, com foco em algo?
Poderei ser sou eu, mas a arte não é algo livre de regras, leis ou afins? ;)
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De Robinson Kanes a 21.11.2016 às 17:47

Boa questão e boa observação... verdadeiramente!

Os artistas não têm de ser loucos, basta terem liberdade de espírito para ver mais além. Mas é um ponto importante porque já conheci, e se conheço, gestores que são mais artistas que os próprios artistas. Mas também conheci, e esses evito, artistas que estão mais agarrados aos condicionalismos que muitos gestores. Muitos ainda são os artistas que têm de aprender a ser artistas... eu não defendo somente a arte pela arte... tem de ser útil, trazer algo de novo, a todos e não somente a espíritos que muitas vezes se auto-intitulam de iluminados.

O artista neste caso desafia e é desafiado, os condicionalismos para a "descoberta" não existem, mas sim, tem de existir uma base, procura-se um resultado.

A arte nunca foi totalmente, salvo alguns casos, livre de regras, leis ou afins... fica esta última provocação para nos fazer pensar :-)
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De Nay a 21.11.2016 às 17:59

Achas que não?!?!?

Eu pessoalmente conheci alguns que me parecia viverem mesmo à margem da sociedade e seus condicionalismos. Aliás noto até que sofrem por terem visões tão pouco ortodoxas.

Para mim a arte sempre foi isso, o criar para além do pensado. Por isso a minha questão quanto ao teu post.

Segundo esta "minha visão" é-me difícil imaginar um verdadeiro artista a trabalhar com uma corporação com objectivos definidos ;)
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De Robinson Kanes a 21.11.2016 às 18:36

Muitos dos que vivem à margem da sociedade (no caso dos artistas) ou simplesmente vivem à margem... conseguindo viver do seu trabalho ou então como uma grande maioria... vive do erário público, de subsídios e em muitos casos de grande boa vontade...

As artes como caminho para abrir horizontes devem trabalhar com a sociedade e para a sociedade e também elas têm de se reinventar. Viver à margem da sociedade só porque se é diferente e com isso ir buscar o sustento à dita sociedade que se "critica" não é viável, ou pelo menos não deveria. As artes são feitas de abertura quer de dentro para fora, quer de fora para dentro... os bons artistas saberão ver isso, embora não sejam esses a maioria.

Desmontando o teu último parágrafo... os designers são artistas, os arquitectos frequentam faculdades de belas-artes e conseguem que a sua arte coabite com as necessidades das populações e de determinada instituições. Quando um criativo "desenha" um pacote de leite mais apelativo, mais sustentável, mais prático está a realizar arte e com isso a ir ao encontro de uma organização.

Estás a entrar numa outra questão que é deveras importante e que ainda tenho forno - pelo menos no forno da minha consciência - que é a capacidade dos próprios artistas absorverem um pouco aquilo que caracteriza as artes e despegaram-se de determinados dogmas que, numa sociedade actual, não são úteis e são vazios de sentido não só para aqueles que vivem mais distantes das artes, mas também para aqueles que sempre as souberam apreciar e em alguns casos até compreender.

Talvez por isso, também já tive oportunidade de observar "não artistas" a beberem do conhecimento das artes e com essas bases a tornarem possíveis muitos empreendimentos que provavelmente nunca seriam conseguidos pelos próprios artistas.

É uma discussão interessante e, apesar de não escrever somente para os comentários, gostaria de ver discutida neste espaço. Estás a dar inputs muitos interessantes.
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De Nay a 21.11.2016 às 19:54

Pelo que percebi estás a colocar no mesmo patamar a criatividade e a "veia artística " , acho que é aí que os nossos pontos diferem.
Por favor não me leves a mal, é apenas uma saudável troca de ideias ; )
Criatividade dos arquitectos ou designers , pose estar inerente à qualquer profissão. No meu dia a dia considero que até sou muito criativa a resolver questões ou executar tarefas de forma diferente. E sim, nesse caso acho que falta muita criatividade nas formas de gestão que proporcionem mais fácil adaptação à constante mutação dos mercados, ou do mundo.
Agora aquela "arte" inerente ao artista, a um Fernando Pessoa ou a um Dali , my friend, essa arte a meu ver não deve trabalhar em função de mais nada a não ser das coisas belas para nós a podermos apreciar, para nos fazer pensar, sentir... whatever ;)
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De Robinson Kanes a 22.11.2016 às 09:01

Levar a mal? Jamais, estes temas devem ser discutidos e confesso que também eu estou a tirar um pouco de conhecimento para mim, obrigado!

Não é só a questão da criatividade, as artes permitem outras abordagens, mas podemos balizar aí senão vamos ter páginas e páginas de discussão :-)

Mesmo a arte de Fernando Pessoa ou de Dali corresponderam a influências que os mesmos viveram. Dali criou sem parar mas não foi somente com base na estética... interpretou o sonhos, bebeu muito da psicanálise por exemplo. Concordo com o que dizes, nomeadamente que a arte também deve "trabalhar em função de mais nada a não ser das coisas belas para nós a podermos apreciar, para nos fazer pensar, sentir" mas... há sempre um mas, acredito que tem de estar ligada com uma realidade, caso contrário essas emoções que nos fazem apreciar, sentir e pensar não vão ser espoletadas.

Além disso, os tempos mudaram, o mundo hoje é "bem maior" e mais complexo e pede também a participação dos artistas, sobretudo numa época em que se "ingere" muito e se pensa pouco. É aí que têm de sair de um mundo paralelo e aterrar no nosso.

Temos por exemplo Velázquez que foi para muitos (e possivelmente para mim também) o nome maior da pintura do século XVII - um empreendedor que trabalhava a soldo (vivia de vender o seu trabalho) e cuja liberdade artística lhe era "limitada" por quem lhe pagava. E nem por isso deixámos de ter obras de cortar a respiração.

Mais uma vez, obrigado pela tua contribuição, está a ser de um valor extremo.
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De Nay a 22.11.2016 às 10:46

A arte é influenciada pela a realidade, sem dúvida, o que eu acho é que não deve ser condicionada pela mesma e os seus padrões do politicamente correctos.

Concluindo, visto que ambos temos muito a dizer e se calhar aqui não é o local correcto, acredito que a criatividade deve ser estimulada nos quadros de gestão e não só.
Só não chamaria isso de arte.

Arte é o que embeleza o mundo e nos alimenta a "alma" ;)
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De Robinson Kanes a 22.11.2016 às 11:20

É nas organizações e na sociedade que pode abrir o espectro e criar como arte para lá do politicamente correcto, além disso as artes também têm de ser auto-sustentáveis.

Mas arte, apesar de tudo, não é só criatividade... os ensinamentos da arte são também muito importantes para quem não queira seguir uma carreira artística. Por mim falo, as artes (mais que os artistas) ajudaram-me muito na minha carreira profissional que nem é ligada à artes... não chamar-lhe arte seria injusto até.

Sim, muito haveria a dizer. Obrigado pela tua colaboração e vai passando... foi uma discussão bastante rica.
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De Nay a 22.11.2016 às 11:24

Também gostei...tentarei conter-me numa próxima vez :D

A tua experiência de vida é diferente da minha e daí opiniões distintas mas ainda bem...assim acabamos por aprender um pouco ;)
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De HD a 21.11.2016 às 22:10

Infelizmente a verdadeira arte não pode ser condicionada por pressões económicas!
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De Robinson Kanes a 22.11.2016 às 09:04

Infelizmente ou felizmente?

Penso que muita da verdadeira arte foi sempre condicionada por pressões económicas, Miguel Ângelo, Rafael, Mozart não compunham somente por arte mas para ir ao encontro de quem lhes encomendava as obras.

Aqui não é o caso, aqui é a arte a trabalhar lado-a-lado com a economia.

Obrigado por teres passado.
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De HD a 22.11.2016 às 20:20

Felizmente :D

Sim, épocas diferentes mas as motivações de sobrevivência de ofício ainda são comuns ;)
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De O ultimo fecha a porta a 21.11.2016 às 23:37

Nunca tinha pensado nisso, mas acho que as artes podem estimular a criatividade dos trabalhadores. Para uma empresa aberta e com visão, ter colaboradores motivados e com ideias é necessário para um futuro sustentável enquanto organização. A probabilidade de saírem ideias e produtos inovadores e que podem ser estrelas no mercado e no volume de negócios é potenciada.

Mas, aqui entre nós, na maioria das PME's portuguesas, a mentalidade ainda não está preparada para isso. Os "patrões" têm medo de ser ultrapassados pelos subordinados e gastar entre gastar dinheiro em workshops de teatro ou num novo motor para o seu Mercedes, acho que sabemos a resposta,
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De Robinson Kanes a 22.11.2016 às 09:10

Obrigado pelo comentário.
Sim, efectivamente ainda não são muitos os casos em que este tipo de intervenção é valorizado e por norma a tendência é para a criatividade... mas há mais.
Penso que, no caso português e não só, o problema está ainda dos dois lados (salvo algumas excepções) - gestores e artistas - se por um lado acontece aquilo que referes por parte dos gestores, por parte dos artistas também existe uma tendência para não saírem do seu mundo, pois quer queiramos quer não, apesar de todas os valores apregoados pelas artes, também esse mundo tem a sua forma muito tradicional de se desenvolver.
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De O ultimo fecha a porta a 23.11.2016 às 23:49

Acredito no que escreves, mas é um mundo que não conheço muito bem ...

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