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Cristiano-Ronaldo-Airport-main.jpg

Fonte da Imagem:https://www.newsbreak.ng/wp-content/uploads/2016/07/Cristiano-Ronaldo-Airport-main.jpg

 

Hoje era dia de escrever sobre o fim de semana. Contudo, não posso deixar passar em claro, até porque temo ser detido caso não aborde o tema, a questão que mais preocupa os portugueses e que é:

 

Os offshores?

Os casos de corrupção em vários sectores da sociedade, inclusive até naqueles que andam sempre a mendigar apoios?

O Montepio ou a Caixa Geral de Depósitos com certeza?

A dívida pública que teima em não parar de aumentar?

A manipulação da sociedade portuguesa pelos media?

 

Não! O nome do Aeroporto da Madeira. O Aeroporto da Madeira tem gerado um buzz (excelente palavra) na medida em que se vai tornar mais... fashion (outra excelente palavra). O “novo” aeroporto vai ser “adquirido” pela CR7, o primeiro aeroporto público, embora concessionado, a ter um nome de uma marca associada a “luxo”. Ainda vou ver a Gucci, a Hugo Boss, ou até a C&A e porque não a Primark a terem o seu próprio aeroporto. Porque não? Aeroporto Primark só para Low Cost! CR7 é uma marca comercial, parece que nos esquecemos disso... os do costume também vão boicotar a promiscuídade com o poder político?

 

Ao que sei, até o Presidente da República vai inaugurar o espaço, mas... o Aeroporto da Madeira não existe há anos? Porque é que vamos gastar mais uns milhares de euros de fundos públicos para inaugurar um aeroporto que já funciona há mais de 60 anos? Perdoem a crítica ao Pop President mas ainda guardo rancor por não me pagarem, como outros fizeram, para dizer bem de políticos num blog. Ainda vou ver a marca MRS4 a ser vendida em lojas portuguesas de recordações turísticas, pelo menos marketing não lhe irá faltar. Por vezes tenho a sensação de que vivo num país como os que são satirizados em filmes de autor de leste...

 

Mas eu até concordo, afinal chamar João Gonçalves Zarco a um aeroporto de uma ilha descoberta pelo próprio é no mínimo... descontextualizado, ninguém sabe quem era este senhor. Ninguém sabe quem era este senhor e ninguém sabe quem foi Gago Coutinho ou até Sacadura Cabral... eu digo-vos, foram jogadores de futebol do União da Madeira. Mas... a Madeira é Cristiano Ronaldo, Portugal é Cristiano Ronaldo, por isso... nada como homenagear em vida alguém que é admirado, não pelo futebol que pratica, mas pela riqueza que acumulou em tão pouco tempo e somente a jogar futebol. Ganhasse Cristiano Ronaldo mil euros por mês e gostaria de ver se era admirado... mesmo a praticar um bom futebol.

 

Mas de facto, concordo com o nome e com a chancela de MRS4 para esta nova denominação, afinal Munique tem o aeroporto Franz Joseff Strauss, Veneza o Marco Polo, Lyon o Saint-Exupéry, Madrid o Adolfo Suárez, Granada o Garcia Lorca, Nova Iorque o JFK e até Budapeste tem o Ferenc Lizt (Franz Liszt).

 

Também concordo que o conhecimento histórico dos portugueses ou é fraco ou então reconhecer aqueles que fizeram alguma coisa pelo país é algo que não é muito comum... sabem que o Aeroporto até tem nome? Chama-se Santa Catarina.

 

Permitam-me que deixe uma sugestão: eu acredito piamente que o Aeroporto de Porto Santo deveria ser chamado de Aeroporto Internacional Santa Dolores.

 

Finalmente, também acredito que alguns dirão: “mas o nome de Ronaldo está em todo o lado e quando se fala de Portugal é o Ronaldo que vem à tona”... pois vem, e é isso mesmo que me deixa infeliz. Porque quando se fala de Espanha, é todo um povo que é recordado, quando se fala da Alemanha, são séculos de história e toda uma indústria que é recordada, quando se fala em França são todas as políticas e inovações sociais que são recordadas, quando se fala na Irlanda (um país no mesmo patamar de Portugal) é a inovação e crescimento que saltam à vista e até... quando se fala na Grécia, é todo um passado glorioso que vem à nossa memória.

 

Bom fim de semana... 

 

P.S: E se querem engalanar o Aeroporto da Madeira, tratem de homenagear aqueles 131 indivíduos que perderam a vida em 1977 no voo TP425.

Autoria e outros dados (tags, etc)


48 comentários

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De Marta Elle a 17.03.2017 às 08:16

Estamos a caminhar para um futuro sem valores, sem cultura geral, sem conteúdo.
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De Robinson Kanes a 17.03.2017 às 11:26

Devagar…devagarinho...
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De Maria a 17.03.2017 às 09:10

BRILHANTE, as usual!
bom fim de semana, Sábio!
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De Robinson Kanes a 17.03.2017 às 11:27

Obrigado!
Bom fim de semana, o primeiro nos 40. :-)
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De Maria a 17.03.2017 às 13:42

É verdade :D
mas este fds é para descansar ;)
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De Robinson Kanes a 17.03.2017 às 16:27

Também não pode ser só boa vida...
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De Maria a 17.03.2017 às 16:34

Nem pensar ;)não parece, pelo relato destas festarolas, mas sou moça de passar fins de semana inteiros recolhida :)
gosto muito de paz e sossego.
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De Robinson Kanes a 17.03.2017 às 16:37

Nota-se pela capacidade de reflexão que isso não é só paródia :-)
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De Chic'Ana a 17.03.2017 às 10:01

Gostei muito de ler a tua opinião e partilho da mesma! Compreendo que o Ronaldo seja uma marca forte, seja publicidade garantida... mas... e daqui a 10 anos?! E os valores que queremos transmitir? É essa a nossa identidade? Sermos Ronaldos?!
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De Robinson Kanes a 17.03.2017 às 11:33

Obrigado!

Uma marca comercial associada a um aeroporto público gera promiscuidades.

Se é ou não sermos "Ronaldos" ou não, não sei… eu não me revejo e acredito que a maioria das pessoas também não, quer queiramos quer não, Portugal não são os "Mourinhos", os "Ronaldos", as "Marizas" e por aí adiante. São embaixadores mas não são o rosto de Portugal.

Todavia, em conversa com um colega, o mesmo teve uma observação interessante: "achas que não somos como o Ronaldo? Somos arrogantes, só pensamos em dinheiro, carros, casas e luxos, só temos cabeça para o futebol. Achas mesmo que não somos como ele?"…

Dá que pensar...
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De Chic'Ana a 17.03.2017 às 12:06

Eu felizmente acho que me consigo distanciar um pouco... Dinheiro sim, é necessário, mas apenas o essencial para ter uma vida que eu considere boa. Em excesso, hummm acho que só tem dificuldades associadas.. luxos não tenho... casa, tenho uma humilde, que é o meu palácio.

Não concordo com as quantias exorbitantes que os jogadores de topo ganham, por exemplo e depois olhamos para um Beira Mar (ou qualquer outro) e ou não são pagos, ou ganham o mínimo...
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De Robinson Kanes a 17.03.2017 às 12:12

Sim, também não encaixo no perfil traçado, mas de facto… é uma realidade crescente.

"Se é ou não sermos "Ronaldos" ou não, não sei", leia-se "se é ou não sermos "Ronaldos", não sei.
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De fashion a 17.03.2017 às 10:10

Partilho as tuas opiniões. Isto é mesmo um mundo líquido. beijinhos
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De Robinson Kanes a 17.03.2017 às 11:28

Muito obrigado...
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De Mamã Silvestre a 17.03.2017 às 10:32

sim só falta mesmo o santa dolores
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De Francisco Freima a 17.03.2017 às 10:35

Este endeusamento do Ronaldo é passageiro, daqui a uns anos será mais um jogador de futebol reformado. Se o aeroporto tem nome, devia mantê-lo, ou então optar pelo do Zarco, sempre dava mais visibilidade à nossa história.

O do Gago Coutinho foi falado para o Montijo, que faz bastante mais sentido do que o do Mário Soares. Já agora, o aeroporto de Beja não sei se tem nome, mas deviam baptizá-lo de Apeles, irmão da Florbela Espanca e um dos pioneiros da aviação portuguesa
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De Robinson Kanes a 17.03.2017 às 11:30

Aí está uma discussão interessante trazida por ti… só uma correcção, não é certo que seja o Montijo :-)

A aviação portuguesa tem muitos heróis, infelizmente desconhecidos da maioria da população.
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De Rita PN a 17.03.2017 às 14:32

Puxando a brasa à minha sardinha, espero não ser necessário atribuí um nome no Montijo. No entanto aceitam-se propostas aqui para o de Beja :-)
Não me é permitido falar muito, mas... aguardem as cenas dos próximos episódios. Há surpresas a chegar!
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De Robinson Kanes a 17.03.2017 às 16:36

Propostas para o de Beja? Se o foco for só em Beja podia ser Rainha D. Leonor, embora não faltem já homenagens à mesma. Mas o que não falta são Alentejanos ilustres e acontecimentos que merecem ficar na memória. Até árabes existem candidatos à posição, mas acho que muita gente não iria gostar.
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De Rita PN a 17.03.2017 às 19:30

A Rainha Dona Leonor será sempre uma ilustre representante da terra. Porém, como dizes, o que não faltam são homenagens e também já deu o seu nome ao museu.
Beja sempre foi (e continua a ser) uma terra produtora de talentos nas mais diversas áreas e berço de muitas ilustres figuras da nossa história.
Enquanto cidade, teve a infelicidade de ser esquecida pelos sucessivos governos que nunca, para ela souberam olhar com outros olhos, ou olhos estratégicos. Nunca lhe souberam reconhecer as potencialidades. Assim como não terão sido muitas as vezes em que se questionaram quanto ao porquê de ter sido, em 1967, a cidade escolhida pelos alemães da Deutssche Luftwaffe, para a instalação de uma unidade de instrução da Força Aérea Alemã, como deve ser do teu conhecimento.

A nível arqueológico somos uma cidade riquíssima. Moramos por cima de uma verdadeira cidade romana que vai sendo descoberta e reconstituída aos poucos.
A nível turístico poderíamos ser bem mais, mas... Falta investimento. E a desertificação de que o baixo Alentejo ainda é alvo, em nada favorece.

Voltando à base, e para ir de encontro ao aeroporto:

A base aérea N11 em Beja é, anualmente, palco de diversos exercícios, acolhendo forças militares especializadas quer da NATO, quer dos EUA, Belgas entre outras. Isto por considerarem que a BA 11 se encontra etrategicamente posicionada, permitido o ensaio de cooperação entre tropas aéreas e da marinha, criando um cenário idêntico ao dos principais teatros de operações, onde hoje se encontram a atuar militares portugueses e dos países aliados.
Tudo pela proximidade ao mar, terrenos pouco acidentados e pelas condições ideais do espaço aéreo. (É vê-los e ouvi-los neste preciso momento).
Permanecem entre 1 e 3 meses, tempo durante o qual, são clientes assíduos de alguns dos restaurantes da cidade à hora de jantar, das farmácias e dos supermercados, contribuindo para o comércio da cidade.

Só os nossos governantes é que ainda não aprenderam a olhar estrategicamente para o aeroporto, nem retirar da sua localização, as mais valias.
Tudo parece longe quando não há acessos, ou quando os que existem não servem as finalidades e necessidades emergentes, é verdade. Mas tudo se torna tão perto quando existem as condições devidas - as que servem os fins.

(Fartas-te de me puxar pelas palavras...) ;-)
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De Robinson Kanes a 18.03.2017 às 00:00

Admito. Beja não é das cidades que mais me fascina. Talvez por nunca lá ter morado, embora assuma que sou um confesso apaixonado pelo Alentejo. Comparativamente com outras localidades, sobretudo do ponto de vista turístico, acredito que Beja tem pouco para oferecer. Mas é a minha visão, posso estar errado. Tem uns doces fantásticos e boa gente e isso é inegável.

Investimento? Em Beja falta muito, mas não será como outras localidades deste país que também não está muito interessada em desenvolver-se?

Sim, conhecia e tenho tido conhecimento que têm sido realizados muitos exercícios militares nessa zona. Espero que a ligação ao Porto de Sines e uma AE para Lisboa, produza os efeitos esperados, até porque a capacidade de alargamento do aeroporto é enorme, sobretudo ao nível das cargas.

Além disso, Portugal não é assim tão pequeno, só no eixo Badajoz - Almeria tens inúmeros aeroportos: Badajoz, Sevilha, Málaga (o 3ª maior de Espanha), Granada, Jerez, Almeria e se ainda quiseres… Melilla… Mais uma nota que bem perto de Almeria tens aeroportos em Múrcia e Alicante, não percebo porque é que em Beja o aeroporto foi um "flop".

Ora, são sempre palavras que nos ensinam...
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De Rita PN a 18.03.2017 às 20:42

Beja não é numa cidade apaixonante, grande e bonita. Beja não é cuidada com carinho e gosto. Nunca lhe foram desenvolvidas as potencialidades ao longo dos anos, pelas sucessivas câmaras. Exemplo simples: todo o grande investimento previsto para a cidade, acaba instalado em Évora. A câmara apoia e incentiva, ao contrário da nossa que a tudo e coloca entraves. Logo aí dou-te toda a razão quando dizes que é mais uma das cidades que não tem interesse em desenvolver-se. Se bem que, olhando para o reverso da medalha, não será do interesse de outras partes que Beja se desenvolva.

A nível turístico só agora Beja se está a expandir. Claramente que não é uma grande metrópole, não tem uma beleza apaixonante, não é amor à primeira vista, não é dona de uma estética das mais encantadoras, nem está devidamente cuidada. Mas tem uma alma especial, a romana, bem visível em recantos escondidos e esses sim, verdadeiramente bonitos. Das maiores críticas que faço aos autarcas que por esta cidade têm passado, é a sua conivência com o abandono do centro histórico e consequente degradação.
Acredito que com a devida recuperação de edifícios lindíssimos, embelezamento das ruas, algumas atrações turísticas e com incentivos à instalação de comércio local, restauração e da pequena hotelaria, o nosso centro ganharia a vida que lhe tem vindo a ser retirada ao longo dos anos.
Em termos de comparação, tens as ruas estreitas de Tavira, onde o que não lhes falta é vida e ideias diferentes.
Não sei se conheces o edifício do antigo Banco de Portugal. É suberbo. E está ao abandono desde que me lembro de ser gente. Fosse eu alguém e sabia muito bem o que ali faria...

Se Beja não capta mais e melhor investimento público e privado é porque efetivamente não quer, ou porque não faculta as condições necessárias para.
Contudo, só desde a construção do terminal do aeroporto é que a cidade começou a andar nas bocas do país. Porquê do mundo já andava. É ver as terras em torno da cidade a serem compradas por ingleses, alemães, espanhóis, dinamarqueses, belgas, holandeses... Que nelas instalam as suas explorações agrícolas e pequenas fábricas de transformação de produtos.

Os turismos rurais estão cheios, nos coutos privados o que não faltam são caçadas (onde são presença assídua os nomes grandes deste país) mas... Falta tudo. Sobretudo vontade política.
Se me perguntarem se gosto de aqui morar, NÃO. Sinto que tenho as fronteiras fechadas ao mundo. Sinto-me a sufocar num espaço pequeno sem margem de manobra. Sinto-me presa. Sinto a falta de mais... De mais cultura, de mais movimento, de mais diferenciação, de mais oportunidades, de mais cidade, de mais cérebro e de mais pessoas com conteúdo.
Mas não há muito que eu possa fazer, a não ser tentar abrir mentes e olhos. Se eu mesma não abro o meu negócio aqui, é porque sei que a própria população (extremamente negativa e comodista) não me iria permitir sobreviver. É verdade que o ser humano é um animal de hábitos, mas tudo piora quando não aceita o diferente e o mata à nascença.
Infelizmente ainda somos poucos a puxar pela terra. A nossa voz ainda não se ouve o suficiente. Mas estou certa que será uma questão de tempo. A AE está a andar, a linha será electrificada e hoje li que a ANA aeroportos repensou Beja como alternativa à Portela, pelo menos no que ao estacionamento de aviões diz respeito. É um começo. A Hi Fly está a fazer o seu trabalho e em breve sairão excelentes notícias. O terminal de cargas também acredito nele.
Potencial temos, só precisamos de olhos que o saibam ver e vontade de fazer.
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De Robinson Kanes a 20.03.2017 às 11:05

Fico contente em saber que esse desenvolvimento está a ocorrer. Fazes-me recordar um sentimento que tenho sentido em muita gente que deixou as suas aldeias, vilas e cidades porque não se conseguiu adaptar à mentalidade e à apatia que travam o desenvolvimento desses mesmos espaços e das próprias cabeças de quem lá vive… ainda estamos ensebados de um certo feudalismo em que as "quintinhas" são intocáveis e aqueles que nelas servem também preferem o pão no cesto ao invés de procurarem uma forma de serem eles também donos do seu pão.

Sim, das compras que têm sido feitas por aí tenho conhecimento. Se por um lado o capital em Portugal não abunda e quando abunda é mal investido, por esse mundo fora não falta capital e pessoas com vontade de investir. O Alentejo oferece solos e mão de obra barata que são uma mais-valia para um investidor agrícola.

Passei recentemente em Beja, uma das vezes parei e sim, denotei um centro histórico totalmente… colapsado, sem vida e sem investimento. Encontro uma cidade envelhecida e muito assente no poder público e nos suspeitos do costume, misericórdias e afins.

Vai-nos mantendo a par desses desenvolvimentos todos :-)
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De Rita PN a 20.03.2017 às 17:21

Essa postura de " "quintinhas" são intocáveis e aqueles que nelas servem também preferem o pão no cesto ao invés de procurarem uma forma de serem eles também donos do seu pão." Deve-se também ao facto da população rural ser uma população envelhecida. Os jovens vão embora assim que podem. Não ficam para investir na própria terra pelos motivos que anteriormente citei. Não há incentivos ao investimento nem ao empreendedorismo jovens. Os apoios para a criação do próprio posto de trabalho são irrisórios e ou tens outro meio de sustento pessoal nos primeiros meses, ou se não tens ves-te obrigado a escolher entre as tuas necessidades básicas e despesas pessoais ou apagar todo um leque de impostos, fornecedores, rendas, despesas, etc inerentes ao teu posto de trabalho.
Por outro lado, se quiseres sobreviver no mercado local, terás que te adaptar à realidade existente, porque com toda a certeza que não será a realidade a adaptar-se a ti.
As pessoas queixam-se que não há diferenciação nem nada de novo, mas quando há deixam morrer, exatamente por ser algo diferente. Animais de hábitos...

Quanto ao aeroporto eu não posso falar muito, mas posso falar daquilo que já foi tornado público.
A companhia aérea Hi Fly quer instalar-se em Beja. As negociações já decorrem à meses com a câmara, tendo recentemente entrado em vias de facto com o estado.
Ora, aliado a isto, trarão mais investimento. E quanto a isso vai estando atento que em breve de saberá. Eu sei mas...
Já cá têm os aviões estacionados há alguns meses.

A grande questão que se coloca é que a ANA como proprietária do aeroporto, não tem interesse em fazer vender o seu produto no mercado da aeronáutica. Nem low-coast, nem longo curso nem carga. E porquê? Porque existe toda uma panóplia de interesses no Montijo.
É claro que todo o burburinho e interesse extremo no Montijo não seriam apenas devidos a um terminal para voos low-coast. O interesse não está nos low-coast, estes são apenas um meio para atingir outros fins bem maiores a vários níveis.
Ao serem equacionadas as alterações, por sinal ilariantes, à pista e a toda uma zona envolvente, é de fácil compreensão que há algo mais atrás das cortinas. E só não vê quem não quer.

Ora Beja tem Espanha aqui ao lado, o Algarve a dois passos e com a eletrificação da linha férrea e o término da AE, também Lisboa ficará mais perto. Para não falar que estamos em linha com o porto de Sines.
Por outro lado, existe toda uma região por desenvolver. Com potencial para a instalação dos mais diversos serviços e para a captação de investimento público e privado, o que, consequentemente, originária inúmeros postos de trabalho (Não só para a região como para o país).

A minha pergunta é: estará o país e o próprio governo interessados no desenvolvimento desta região e da cidade de Beja? Ou existirá receio de alguém poder ficar à sombra de um chaparro gigante?
Porque é que o estado considera comportável um investimento de 200 milhões no Montijo e não considera sustentável o desenvolvimento e a captação de investimento para o baixo Alentejo?
Dá que pensar....

Para teu conhecimento
https://eco.pt/2017/03/16/tamanho-da-pista-da-base-do-montijo-insuficiente-para-descolagem-de-avioes-grandes/
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De Robinson Kanes a 21.03.2017 às 09:39

É a velha apatia e o "vamos mudar" mas depois na realidade ninguém se move. Penso que o excesso de poder e dependência do Estado e do poder local em algumas regiões leva a uma total falta de desinvestimento e sentimento de que nada há a fazer. Se há coisa que as políticas para zonas interiores não têm é capacidade de "empowerment".

Ontem estive com um colega do Montijo, bem a propósito, deu-me um panfleto de propaganda que está a ser distribuído nas caixas de correio (pago pelos munícipes) e onde o presidente da câmara já "engana" os montijenses dizendo-lhes que conseguiu que o aeroporto ficasse na terra. Confesso que acho estranho que já se estejam a comprar terrenos e a fazer infra-estruturas em algo que, simplesmente, ainda não está clarificado… dá que pensar. Falarei disso… até porque fiquei com o panfleto.

Li o "teu" artigo e cheguei à conclusão que vivemos num filme cómico:

"Já o presidente da Câmara do Montijo, Nuno Canta, destacou que os pilotos que utilizam a base aérea do Montijo referem que o tamanho da pista não será um problema, mas admitiu que a opinião dos pilotos não é unânime.

O autarca do Montijo salientou que não está preocupado com este assunto, até porque “a pista tem sido usada ao longo dos tempos para a aterragem e descolagem de aviões muito pesados, nomeadamente militares”, tendo até dado apoio à guerra do Iraque."

Aviação militar é uma coisa, aviação civil é outra. Penso que isso é básico, mas o Sr. Nuno Canta desconhece.
Também é interessante perceber que a viabilidade e segurança de uma pista aeroportuária é percepcionada com base em meras opiniões de "balcão".

“A base foi sempre conquistada ao rio, com aterros sucessivos. E é possível fazer um aterro sem muito impacto ambiental, não apenas de 300 metros, mas de cerca de meio quilómetro, se for necessário”, adiantou, salientando que, caso seja ponderado o aumento da pista, ele deverá ocorrer “na direção do Barreiro”.

Também é interessante a definição de "sem muito impacte ambiental"… com base em? Conversa de quem quer ganhar as autárquicas? E já agora, chuta-se para o Barreiro.

Mais uma vez pensa-se em eleições e não nas consequências a longo prazo. Acho interessante porque é que na OTA onde os riscos ambientais eram menores se fez tanto alarido e agora as associações ambientalistas e muitas outras instituições públicas e não só andam tão serenas...
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De Rita PN a 17.03.2017 às 11:52

Um dos maiores infortúnios da sociedade actual é o total desconhecimento e ignorância a respeito da história do seu próprio país.
Não culpo individualidades, culpo a sociedade em geral, numa era em que o show-off, o buzz, o fashion, o viral, o mediático, o emergente, o social, o popular, as aparências, a luxuria e o bem-parecer e a opinião pública são forças motoras, aliciantes e abruptas que estão na ordem do dia e na boca de cada qual.

Nas palavras de Malcom,“As únicas pessoas que realmente mudaram a história foram as que mudaram o pensamento dos homens a respeito de si mesmos.”
E aqui também Cristiano Ronaldo o tem vindo a conseguir. Assim, em tempos, Luís Figo o fez. Mais uma referência futebolística portuguesa além fronteiras. E recuando ainda mais no tempo, vamos ao encontro de Eusébio da Silva Ferreira. (Estes dois últimos já esquecidos por muitos).
Mudam-se os tempos mudam-se as histórias e o valor das mesmas. Caem em desuso outras tantas verdadeiramente heróicas e donas de um valor patrimonial e histórico incalculável. Os nomes dos nosso heróis sofrem erosão pelo tempo, e já são poucos aqueles capazes de os manter vivos.
O teu último parágrafo diz muito sobre aquilo que é, hoje em dia, valorizado em países tão distintos, assim como reflecte na perfeição não só a sua imagem interna, como a visão que deles temos.
E Portugal não é só Ronaldo... é também Ronaldo (assim como é muitos outros nomes sonantes nas mais diversas áreas: política, artística, empresarial, civil, social...), mas é sobretudo resultado do sangue, do suor, das lutas, das conquistas, dos descobrimentos e das vitórias de milhares de nomes ao longo da sua história.

Não esperar pela morte para se homenagear e reconhecer o valor de alguém, sim. Permitir que após a morte apague o nome de marcos importantíssimos da nossa história, não.
Mudam-se os tempos... mas não o começo da História.
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De Robinson Kanes a 17.03.2017 às 12:18

O conhecimento e o saber perdem todos os dias terreno a olhos vistos face a outros expedientes…

Na verdade, de Luis Figo ninguém se lembra, de Ronaldo ninguém se lembrará, de Eusébio ainda nos recordamos pela propaganda política que foi (e é) feita em torno do mesmo e por uma outra instituição do qual foi jogador e que tem um peso enorme na vida dos portugueses… caso contrário estaria esquecido. Não acredito que as palavras de Malcom se adaptem a estas três figuras que referiste.

Portugal é mais vasto que um campo de futebol… e se formos por aí temos outros grandes nomes na área do desporto.

Concordo e discordo do teu penúltimo parágrafo… sou 100% apologista das homenagens em vida, nem questiono isso, mas dar nomes a coisas tão importantes como aeroportos a pessoas ainda em vida enceta um risco… exemplo disso foram já muitas as condecorações (e falamos apenas de condecorações) atribuídas a indivíduos que revelaram não ser merecedores das mesmas.

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De Rita PN a 17.03.2017 às 12:56

Robinson, fui eu quem não se explicou devidamente. ou melhor, comi palavras. Não sou de todo a favor da atribuição do nome de Cristiano Ronaldo ao aeroporto. E concordo a 100% contigo quando dizes "mas dar nomes a coisas tão importantes como aeroportos a pessoas ainda em vida enceta um risco… exemplo disso foram já muitas as condecorações (e falamos apenas de condecorações) atribuídas a indivíduos que revelaram não ser merecedores das mesmas." ... Zenial Bava, só para pegar noutro assunto na ordem do dia.

De certa forma considero que as palavras de Malcom lhes possam ser atribuídas, na medida em que eles conseguem, ou conseguiram mudar opiniões e pensamentos a seu respeito. Conseguem, ou conseguiram mover massas, conseguem e conseguiram ser idolatrados e levar o nome de Portugal além fronteiras. Ainda que não sejam os exemplos ideias. Mas conseguiram. Independentemente dos motivos e dos meios utilizados, assim como da sua efemeridade. Não deixarão de ser lendas do futebol (com todas as polémicas que esse desporto encera).

"Portugal é mais vasto que um campo de futebol… e se formos por aí temos outros grandes nomes na área do desporto." Verdade! E sou a primeira a defender isto. O atletismo merecia muito mais (modalidade onde fomos e somos bronze, prata e ouro), a vela merecia muito mais, o judo, a esgrima, a natação e por aí adiante. Mas o português gosta é de bola... e os interesses estão é na bola... e as movimentações de milhares de milhões fazem-se é na bola, ou por causa dela... os grandes patrocínios são dados à bola... e é todo um mercado financeiro a mexer (lícita ou ilicitamente) em torno da bola.




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De Robinson Kanes a 17.03.2017 às 16:29

Ah! Por acaso tive essa sensação, boa!

Sim, eu entendo o que dizes, do impacte que provoca, mas na questão de mudar o pensamento dos homens… bem, talvez.

Sim, o futebol é cada vez mais um espectáculo, um desporto espectáculo que move multidões e consequentemente milhões. Aí não existem dúvidas :-)
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De Rita PN a 17.03.2017 às 19:41

É o que dá estar a fazer quatro coisas ao mesmo tempo. É explicar-me de forma equivocada. Mas não. Jamais seria apologista de tal batismo...

Em certa parte vão sendo capazes de mudar o pensamento do homem. (Não significa que para melhor...).

Para ajudar aos milhões, surgiram as apostas no placard. Nada de admirar, quando é o futebol umas das forças motoras da sociedade atual. Em Inglaterra tens as famosas apostas em corridas de cavalos, assim como nós EUA. A estes podes ainda juntar os milhões que se fazem em torno da NBA. Cada qual com as suas.
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De HD a 17.03.2017 às 18:51

Atualizar os nomes dos aeroportos é a mais recente -e infeliz!- estratégia de marketing governamental... :\
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De Robinson Kanes a 17.03.2017 às 18:53

Humberto Delgado ainda entendo… fundador da TAP e importante figura histórica que (quer se goste ou não) teve influência na nossa história como nação, já isto...
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De HD a 17.03.2017 às 18:57

É ridículo... sabemos!
Mas já não me surpreende este tipo de posições...
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De Rita a 18.03.2017 às 10:13

Finalmente, também acredito que alguns dirão: “mas o nome de Ronaldo está em todo o lado e quando se fala de Portugal é o Ronaldo que vem à tona”... pois vem, e é isso mesmo que me deixa infeliz. Porque quando se fala de Espanha, é todo um povo que é recordado, quando se fala da Alemanha, são séculos de história e toda uma indústria que é recordada, quando se fala em França são todas as políticas e inovações sociais que são recordadas, quando se fala na Irlanda (um país no mesmo patamar de Portugal) é a inovação e crescimento que saltam à vista e até... quando se fala na Grécia, é todo um passado glorioso que vem à nossa memória.


É isto.
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De Robinson Kanes a 18.03.2017 às 10:26

De facto…

Bom fim de semana.
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De Rita a 18.03.2017 às 11:44

Para ti também :)
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De mami a 20.03.2017 às 06:56

estou a processar pois embora entenda e concorde com o que defendes, entendo que há também uma mais valia turística para o aeroporto da madeira.
Imagina que a madeira não era uma região autónoma mas sim uma cidade como coimbra. chocaria dar o nome de CR7 a uma avenida comercial?
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De Robinson Kanes a 20.03.2017 às 09:06

Será que dar o nome de CR7 ao Aeroporto da Madeira representa realmente uma mais-valia turística? Isto para ir ao encontro do que hoje é lugar comum dizer-se e que é o "é bom para o turismo", que estudos e avaliações sustentam isso?

Em relação à questão que colocas, sim. A mim, pessoalmente, chocaria... ou pelo menos desagradaria. Se formos a falar de Coimbra, nomes não faltariam, é isso que torna a cidade genuína. Por acaso na Madeira já existe uma rua com o nome de Cristiano Ronaldo.

Defendo a importância do Turismo, e se defendo (do ponto de vista económico e social, sobretudo)… contudo não devemos cair em erros que outros já cometeram e nós insistimos em repetir. Barcelona, Madrid, Milão, Roma, até Berlim e tantas outras cidades, a pretexto do Turismo, debatem-se agora com enormes dificuldades e ameaçam tornar uma actividade que é bem acolhida num autêntico tormento.
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De mami a 22.03.2017 às 18:20

o problema das zonas muitos turísticas é que tudo se faz em função do turismo, despojando os residentes da sua cidade.
mas,
não tenho competência ou conhecimento para discutir qual será o melhor ou pior caminho a seguir. considero que, queiramos ou não o CR7 é um símbolo nacional, como a Amália ou Saramago. cada um com seu trabalho e a sua arte!

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