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A Vila e a Praia da Arrifana.

por Robinson Kanes, em 09.06.17

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 Fonte das Imagens: Própria

 

Para quê fugir de Aljezur? Lembram-se aqui? A comida é boa, as pessoas são simpáticas e o ambiente é óptimo. Por isso, porque não descobrir um dos tesouros de Portugal e do Mundo? A cerca de 10km fica a Praia da Arrifana. A Praia da Arrifana é considerada uma daquelas praias que vai estar na moda, espero, no entanto, que a Capacidade de Carga (ver definição abaixo) seja acautelada.

 

De Aljezur à Praia da Arrifana o caminho, por bicicleta, a pé ou de carro é fantástico. A pé conseguimos caminhar mais perto do mar e refrescar o corpo com a brisa marítima. Para ser perfeito nada como fazer o percurso da Praia do Monte Clérigo, onde podemos apreciar a Praia da Amoreira (ver hiperligação acima) noutra perspectiva, e seguir em direcção à Arrifana. No total são cerca de 15km que podem ser reduzidos para metade se o automóvel ficar no Monte Clérigo.

 

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De carro vamos pelo campo e aí refrescamos o olhar com a companhia do gado e de cães pastores que por ali deambulam e nos fazem parar para umas "festas". Além disso, posto que a panorâmica é mais limitada, alimentamos a expectativa da chegada.

 

Chegamos à Arrifana e temos a sensação de estar a sentir o Mediterrâneo, que já não fica longe. O atlântico ali tem outra força, muito por culpa da baía que protege a praia de ventos e ondas mais tenebrosos. É também nesta povoação que se encontra a famosa “Pedra da Agulha”, localizada no topo sul da praia. A vila piscatória é isso mesmo, uma fotografia viva do mediterrâneo.

 

Mas... Chegar à Arrifana e não sentir o cheiro a peixe grelhado é o mesmo que ir a Lisboa e não comer um pastel de nata ou visitar os Jerónimos. O cheiro dos sargos, do carapau da costa, do pargo e dos robalos fazem as delícias de quem gosta de comer um bom peixe. Façam amizades, comprem até o peixe, sobretudo em época baixa, e acabem a degustar uma destas iguarias na casa de algum pescador...

 

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Mas antes vamos à praia e, mais que sentir as águas cristalinas que chegam a fazer lembrar as Caraíbas (só que estas mais bonitas), é fundamental apreciar a panorâmica da praia. Uma verdadeira beleza! Rapidamente se percebe porque é que a natureza decidiu criar tal refúgio natural.

 

Mas caminhemos mais um pouco pela povoação e vamos chegar à Fortaleza da Arrifana (datada de 1635).Paremos e respiremos antes de entrar... É que somos imediatamente transportados para outra dimensão e para uma das mais belas vistas do mundo! Contemplemos, apreciemos a Ponta da Atalaia (onde se encontra um valiosíssimo Ribat Muçulmano (com um cemitério com 900 anos de valor inigualável) e a Praia de Vale Figueira (lá iremos).

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É impossível não ficar de pé a sentir a brisa marítima no rosto. É impossível deixarmos que os nossos olhos não tomem o controlo da nossa vontade e vagueiem perdidos pelo horizonte. A fortaleza envolve-nos também com a sua história de luta contra o mar e contra o desprezo de muitos durante anos a fio, desde a Marinha ao Ministério das Finanças e um sem número de entidades que não lhe reconheceram o valor histórico. Hoje está recuperada e, mais uma vez, é um miradouro e uma infraestrutura de valor singular. Cada pedra, cada rocha que a sustém é uma prova viva da luta da rocha contra o mar.

 

O mar lá em baixo, as vistas de cortar a respiração continuam a fazer-nos deambular e, nem mesmo, o cheiro do sargo grelhado nos afasta desse isolamento uno com a natureza. Deixamos que em nós os versos de Sophia se entranhem no espírito e nessa comunhão com o mar:

 

As ondas quebravam uma a uma

Eu estava só com a areia e com a espuma

Do mar que cantava só para mim.

 

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As gaivotas chamam a nossa atenção, é preciso assar o sargo. Paramos no restaurante que se encontra junto à fortaleza e provamos um branco alentejano. Abastecidos de frescura e do sabor do Alentejo, percorremos caminho até perto do pequeno porto de abrigo. É aí que nos espera o peixe grelhado e a companhia inesquecível que farão deste dia, mais um dia especial e único.

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Notas:

  • Capacidade de Carga Turística: Segunto a Organização Mundial de Turismo, a Capacida de Carga Turística é o número máximo de pessoas que podem visitar determinado local turístico, sem afectar o meio físico, económico ou sociocultural e sem reduzir de forma inaceitável a qualidade da experiência dos visitantes.
  • Nunca esqueçam o "Código de Conduta e Boas Práticas"pois estão num Parque Natural. Pode ser descarregado aqui.
  • Interessante e precioso documento acerca do "Ribat Muçulmano" pode ser descarregado aqui.

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46 comentários

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De Chic'Ana a 09.06.2017 às 09:38

É um local mesmo muito bonito =)
Beijinhos
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De Robinson Kanes a 09.06.2017 às 09:43

É um daqueles que nos faz pensar: mas que raio vou eu fazer para uma praia no México!
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De Melhor Amiga Procura-se a 09.06.2017 às 09:58

Também não sei se capacidade de carga é acautelada, mas tenho que por lá passar....
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De Robinson Kanes a 09.06.2017 às 10:25

Como no pico Verão não tiro férias e evito frequentar zonas balneares (pelo menos de dia), desconheço. Sei que fora da época alta é um paraíso.
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De Maria a 09.06.2017 às 10:18

Gosto tanto, mas tanto de Aljezer, Arrifana e Monte Clérigo...
que zona perfeita!

belas fotos e uma descrição de fazer água na boca ;)
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De Robinson Kanes a 09.06.2017 às 10:30

:-)

Alguém vai ao mercado comprar sargos! :-)
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De Maria a 09.06.2017 às 11:20

Ia a correr...
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De Robinson Kanes a 09.06.2017 às 11:45

Convidavas o "doutor" e ainda degustavam um peixinho grelhado juntos!
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De Maria a 09.06.2017 às 12:25

Ui... É que nem pensar ;)
antes só do que mal acompanhada ;)
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De Robinson Kanes a 09.06.2017 às 12:55

ahahahahahah
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De Ana a 09.06.2017 às 10:42

Devo ser das poucas que raramente ruma aos Algarves, a ver se o faço no próximo inverno quando aquilo estiver mais calmo.
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De Robinson Kanes a 09.06.2017 às 10:43

Junta-te ao clube. Vou sempre em época baixa e não gosto de me ficar só pelas praias :-)
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De Sónia Pereira a 09.06.2017 às 10:48

Que fotografias espetaculares. Consegues sempre captar a essência dos locais através da lente da máquina. É que parece que até por aqui senti o cheiro do peixe assado. :)
É um local muito bonito e menos «turistificado» do que outros ali próximos. Mas temo que seja por pouco tempo. O turismo parece querer engolir tudo. E com isso vem uma certa perda de identidade, de certos costumes, hábitos da sua população.
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De Robinson Kanes a 09.06.2017 às 11:54

Obrigado Sónia. Vindo daí é realmente um elogio com imenso valor :-)
As fotografias não são minimamente trabalhadas, tiro e pronto, não há qualquer tratamento das mesmas, nem contrastes nem nada do que se pareça.

É das coisas que mais gosto, o cheiro a peixe assado e no caso da Arrifana, já foram algumas vezes que no conversa puxa conversa acabo a comer peixe assado sem ter de ir ao restaurante.

O turismo é bom, tem é de ser sustentável. Além de permitir um encaixe económico duradouro, permite a preservação dos espaços e até a qualidade da oferta.

Apontas bem a perda de identidade e dos hábitos, eu acrescentaria até (e deduzo que conheças porque em Antropologia é semelhante quando se faz investigação in loco) o efeito de representação, em que se assiste a uma certa teatralização dos habitantes.
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De Sónia Pereira a 09.06.2017 às 15:11

Não sou, de todo, contra o turismo. Basta recordar como certas zonas, mesmo de Lisboa, estavam em pleno declínio, degradação, para perceber que o turismo trouxe a possibilidade de renovação, de renascimento, de recriação.
O problema é conseguir o equilíbrio entre o turismo e a sustentabilidade. Nem sempre é fácil.
essa teatralização é já evidente, principalmente na capital. Os turistas procuram o típico, o pitoresco, mas muito do que é oferecido já não é o genuíno, mas um sucedâneo representado.
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De Robinson Kanes a 09.06.2017 às 17:47

A questão que apontas em relação a Lisboa é deveras pertinente e faz-me pensar num tema que anda aqui "entalado" na garganta…
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De Luis costa a 09.06.2017 às 11:12

As fotos sao brutais.Tem jeito para bloger de viagens.Bom fim-de-semana.
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De Robinson Kanes a 09.06.2017 às 11:46

Não tenho, não tenho. Mas obrigado.
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De Francisco Freima a 09.06.2017 às 11:36

Grande praia! Se continuares a subir no mapa vais parar à terra do meu pai, que também tem umas muito boas: Zambujeira, Almograve, a praia da Amália :D
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De Robinson Kanes a 09.06.2017 às 11:49

Também conheço. Essa zona é lindíssima. De Tróia a Odeceixe é um mundo lindíssimo, não só por "mar", mas também por terra. Quem sabe, se um destes dias não subo no mapa. A seguir à Zambujeira tens as Azenhas, deduzo que conheças. Adoro esse local e essa vila.
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De Francisco Freima a 09.06.2017 às 12:20

Sim, conheço. Devo ter para lá primos também, a minha avó era da Zambujeira, mas depois há sempre um Zé que conhece uma Maria que era mulher de um Manel que era da minha família lool
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De Robinson Kanes a 09.06.2017 às 12:54

Ou seja, tudo normal :-)
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De Dylan a 09.06.2017 às 12:02

Imperdoável, não sabia da existência da Fortaleza da Arrifana (Ribat).
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De Robinson Kanes a 09.06.2017 às 12:06

Não é nada. Ainda estou em desvantagem contigo :-)

Faz o "download" do documento é muito interessante ;-)
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De Marta a 09.06.2017 às 15:12

Estive em alguns destes sítios quando fui à Aldeia da Pedralva! É lindo!
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De Kalila a 09.06.2017 às 16:59

Lindo, lindo, lindo! Zona de sonho...
Beijinhos, amigo.
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De Robinson Kanes a 09.06.2017 às 17:45

Para relaxar depois de intensos e tão proveitosos debates.
Beijinhos e bom fim de semana.

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