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charles-bronson.jpg

 Fonte da Imagem:https://myfavoritewesterns.files.wordpress.com/2014/06/charles-bronson.jpg 

 

...Esta história de amor tinha de acabar com uma banda sonora romântica. Se está cansado de dançar com o Bonga e já encheu a barriga de fruta, sugiro que desça as escadas até ao final do capítulo e que se deixe levar pela música enquanto lê...

 

 

Look into my Eyes, Robinson... Tell me what you see...

Olha para os meus olhos, Robinson... Diz-me o que vês...

 

Novo compasso de espera que foi interrompido pelas despedidas. Não me peçam para explicar, aconteceu simplesmente. 

 

Contudo, a nossa heroína percebeu que deveria perguntar ao candidato se este tinha questões. Devia estar a consultar aqueles artigos muito "cientificos" com títulos como: "cinco perguntas que deve sempre colocar a um candidato numa entrevista".

 

Respondi que tinha uma  - tinha mais, mas percebi que estava a perder o meu tempo -, estava relacionada com os objectivos da posição e quais os desafios e ambiente que iria encontrar. Deixei claro que talvez fosse melhor questionar o cliente se passasse à segunda fase mas... Eis que irritei a Cidalina que, mexendo-se na cadeira, subiu ao palco e com um olhar à Charles Bronson, proferiu:

 

-Não! Não! Não! Isso também é connosco, nós é que temos essa informação.

 

Percebi a mensagem e olhei a Cidalina como alguém que está à espera da resposta. E atentemos na resposta, passo a citar: "É um novo projecto e os investidores precisam de ajuda de alguém para o lançamento, nestas coisas sabe como é, pode ser bom mas também pode ser um presente envenenado". 

 

Depois de um peculiar toque de cinismo português,  o "eh eh eh", que se seguiu ao "presente envenenado", devo dizer que fiquei esclarecido. Até porque esperei mais retorno, mas sem sucesso. Cidalina Bronson e um olhar de desafio, qual duelo entre dois cowboys a terminar com tiros de pólvora seca!

 

Mas a Cidalina continuava a olhar para o computador. Eu aproveitei para dar mais uma vista de olhos pelos documentos do Ministério Público e pelos os demais currículos.

 

Depois de ter esgotado o meu lado "comadreiro" tossi lentamente, ou seja, a onomatopeia de: “Acabámos ou não? Convidas-me a sair ou é agora que vai sair daí a garrafinha de 1920 e dois copos? Vamos mas é rir disto tudo, inclusive dessa voz de bagaço”.

 

Percebendo isso, a Cidalina lá agradeceu a minha presença e despediu-se com um " obrigado por ter vindo", não sem antes dizer que depois me telefonava. Não! Voltou atrás e disse que enviava email... Assim vai um para todos e está terminado.

 

Levantei-me e esperei que a Cidalina também se levantasse. Cidalina, qual rainha no trono basic da Staples, só o fez quando o meu compasso de espera foi tal que se sentiu obrigada a tal. Apertei-lhe a mão, algo que a mesma não esperava e, também percebi que não seria acompanhado à porta que dava para a rua.

 

Despedi-me dos presentes na sala com um “continuação de um óptimo dia e bom trabalho". A verdade é que todos disseram em uníssono: "obrigado, para si também".

 

...Não disseram nada...

 

Em suma, fiquei com pena dos clientes da empresa da Cidalina, fiquei com pena de mim por ter gasto o meu tempo e gasóleo com a empresa da Cidalina, fiquei também a saber que os “pretos de Angola” andam a correr com os “brancos de Portugal” e que, mais uma vez, no meio de tanto ruído e de tanto folclore, não fui a uma "best place to work" mas sim a uma "best place to die".

 

Regressei e ainda parei para almoçar em Paço de Arcos. Casa da Dízima? Não, lamento, foi mesmo numa tasca já com sardinhas que nem estavam más para o mês de Maio... E mais bem servido que na Casa da Dízima.

 

Porque quem dita o meu destino achou que eu precisava de fechar esta história em grande, ao meu lado estavam “pretos de Angola” a falar de negócios.  Ainda pensei em  abordá-los e sugerir a compra de uma certa empresa, pois davam ares de compradores de sucata.

 

 

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49 comentários

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De Chic'Ana a 01.06.2017 às 09:17

Ufff! Finalmente terminou essa entrevista insólita!
Beijinhos
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De Robinson Kanes a 01.06.2017 às 09:20

(já fiz umas correcções ao texto, há erros que só se apanham depois de publicados)

Finalmente terminou! Mas acredito que o charme e o "glamour" de Cidalina vão continuar a contagiar mais candidatos por esse mundo fora.
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De Ana a 01.06.2017 às 09:40

Ahhh, devias ter levado a Cidalina para a sardinhada. Estou a brincar.
Concluindo e passando à frente, as sardinhas já estão boas não estão? Comi ontem e adorei (mudança estratégica de assunto porque nada de bom haveria a dizer dessa entrevista)
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De Robinson Kanes a 01.06.2017 às 10:22

ahahahah

Para mim a Sardinha até ao S. João não é uma grande aposta. E o ano passado nem aí…

Mas já provei por três vezes este ano e não estão más, ainda lhes falta aquele sabor, mas não estão secas.
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De Maria a 01.06.2017 às 09:56

Meu sábio!... que aventura!
e que relato brilhante!!! (as usual)
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De Robinson Kanes a 01.06.2017 às 10:23

Melhor só a Cidalina ser uma "stalker" com uma garrafa de Mateus Rosé e perseguir-me dias a fio.
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De Maria a 01.06.2017 às 13:38

Bolas, Bolas...
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De Robinson Kanes a 01.06.2017 às 13:44

ahahahahahah
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De Sónia Pereira a 01.06.2017 às 10:16

Por momentos até esqueci a Cidalina. O Bryan Adams, o meu ídolo pré adolescente, até me fez esquecer a voz de bagaço da taberneira dos recursos humanos.

Olha, acho que deves ter tido uma experiência paranormal, só pode. É que para além dos funcionários estranhos, da anfitriã destrambelhada, os próprios candidatos pareciam todos de uma simpatia extraordinária (not). Aquilo foi tipo a Twilight zone. O mundo normal não pode ser assim... ou pelo menos não devia.
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De Robinson Kanes a 01.06.2017 às 10:24

Não gosto do Bryan Adams, porque aquando da última vez que esteve em Lisboa o Parque das Nações transformou-se numa invasão de mulherio que ninguém conseguia estacionar o carro, além da loucura de algumas senhoras já com idade para terem juízo :-))))))

Sim, já tive algumas de fugir, mas aqui todos os elementos do Cosmos estavam contra mim!… Ou a favor, depende do ponto de vista.
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De Rita PN a 01.06.2017 às 12:22

O Bryan já salvou isto tudo. A minha mãe diz que com 3 anos já eu pedia "põe o Bya Nach". (Nem para ouvir os patinhos eu servia, raio da miúda).

Olha, eu nem sei bem que mais comentários terça. E não gosto de inferiorizar nem de desdenhar ninguém, mas a Cidalina também recebe um qualquer apoio daqueles que ela referiu, não é? Só pode... Porque não se encontra no pleno das suas capacidades intelectuais e racionais. E, oh Rob, ser antipático e descordeal era algum requisito?
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De Robinson Kanes a 01.06.2017 às 13:18

Já vi que por aí encanta…

A Cidalina é a prova de que os realizadores, os guionistas, os argumentistas e os escritores deveriam sair à rua e procurar o que aí vai… Acredito que o cinema e a literatura estariam melhor ahahahah

O lado bom disto é o divertimento, temos de pensar que mais tarde ou mais cedo a Cidalina nos virá parar às mãos.

Nota: quando escrevi "argumentistas" aqui o verificado do sapo disse que estava errado e sugeriu "argumentastes".
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De Rita PN a 01.06.2017 às 13:34

Dava um excelente guião, é certo. Olha, porque não o fazes? Quem sabe alguém o queira levar avante.
Quanto às literatura, espero bem não me inspirar na Cidalina, eu já "bato demasiado no ceguinho"...

Sabes, por norma acontece. Tudo é cíclico. Quem sabe um dia seja a Cidalina quem bate à tua porta...

Ahahaha cada vez melhores estes corretores ortográficos. Eu também acabei de reparar que escrevi "teça" no primeiro comentário e alterou para terça. Modernices...
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De Robinson Kanes a 01.06.2017 às 13:46

Podia sempre fazer um "relatório" de todas as minhas entrevistas e de mais alguém… Peripécias não me faltam.

Um dia será… E mesmo que não seja… Não fará grande diferença, cada qual é responsável por si.
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De Alice Alfazema a 01.06.2017 às 13:00

Bom artigo, excelente material para investigação, haja quem queira procurar as várias Cidalinas que andam por aí.

Há uns anos fui tirar um curso após ficar no desemprego, curso esse dado através do IEFP, passamos por várias fases, na primeira sessão de esclarecimento, num auditório, muita gente, um senhor que se apresentou como dr tal tal, foi-nos dito que se tivéssemos algum problema de saúde ou se tivéssemos alguma operação marcada era melhor não nos inscrevermos para os ditos cursos pois só poderíamos dar x faltas, a partir daí não me interessei por mais nada do que o senhor disse, senti-me como se tivesse acabado de cometer um crime e estivesse ali para cumprir uma pena de prisão. Depois no dito curso, dado num "encantador" infantário, a dr, senhora coordenadora, as pessoas ligam muito aos títulos, do curso, era também a dona do lindo infantário, que funcionava com os alunos dos cursos do IEFP e ainda: as crianças que frequentavam a instituição eram filhas de desempregados que se encontravam a tirar cursos...
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De Robinson Kanes a 01.06.2017 às 13:20

E há muitas e não sou só eu que as tenho.

Isso não é uma incompatibilidade? Para não dizer corrupção?

O problema do IEFP é ter muitos "doutores" em meu entender. Posso chocar muita gente, e vai-me cair meio mundo em cima (ou talvez não porque isto é lido por poucos) mas… o IEFP é das instituições mais inúteis que existem neste país. Eu eliminava essa instituição que só sorve e faz sorver dinheiros públicos tão necessários ao desenvolvimento do país.
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De Alice Alfazema a 01.06.2017 às 13:46

Sim parece-me corrupção. Aquilo acabou por fechar, houve queixas, a mim a senhora tentou que eu colocasse lá a minha filha, eu não quis, mas havia gente que tinha medo, porque o desemprego fragiliza...

Para mim foi a pior experiência que tive, tentei também saber com funcionava a criação do próprio emprego, fui a uma "consulta", perguntas e respostas? nada, deram-me um molho de papéis e disseram-me: agora tem de fazer o projecto, depois entrega o projecto, depois o projecto vai para aprovação, o projecto, o projecto...E quem me orienta no projecto? Ah, isso vai ter que fazer sozinha. Tentei ainda me inscrever numa turma de inglês, pois tinha muito tempo livre: a senhora não pode se inscrever, é só para quem está no activo.
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De Robinson Kanes a 01.06.2017 às 14:59

Espero que tenham existido processos também :-)

Já apoiei alguém nessa situação e sei bem o que dizes.
Também já tive conhecimento de exemplos felizes, nomeadamente um que permitiu a uma senhora estar a atingir um patamar de excelência no serviço que presta e no estabelecimento que abriu. Conheci quem a acompanhou, por mero acaso, e era um funcionário exemplar, pelo menos foi esse o retorno que a mesma me deu.

Também já tive conhecimento de indivíduos que saíram com indemnizações milionárias e sem gastar um euro das mesmas tiveram direito a esses apoios. É um direito, mas hoje em dia existe tanta discriminação positiva, não entendo porque é tantas vezes mal aplicada e noutras onde podia ser aplicada não o é.

No caso da pessoa que apoiei, a mesma, debateu-se com as tuas dificuldades. Um indivíduo que era um traste e que nada sabia de empreendedorismo. Limitava-se a passar o "projecto" para consideração superior. Dificultou tudo de tal maneira que a senhora… Desistiu. Ainda troquei palavras acesas e actos administrativos com o mesmo mas percebi que não estava a ajudar a senhora. Por sorte conseguiu encontrar uma outra forma de financiamento e conseguiu também avançar com a sua empresa e ainda hoje canalizar muitos dos seus ganhos, através de contribuições, para o mesmo IEFP/Segurança Social que tanto lhe dificultaram a vida.

Esta temática daria um sem número de artigos, quiçá ainda falemos disto…

Já tive a experiência de apreciar o empreendedorismo em países onde não existe o mínimo apoio e onde o subsídio de desemprego é algo que só se lê nos livros de Mitologia Grega. E deixa-me que te diga… É bem mais fácil sair do fundo do poço :-)
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De Alice Alfazema a 01.06.2017 às 21:44

E por este país existem muitos poços.

:)
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De Robinson Kanes a 01.06.2017 às 21:45

Infelizmente :-)
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De fashion a 01.06.2017 às 13:50

Que história! És um excelente contador, pena é a realidade em que vivemos seja tão insólita. beijinhos
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De Robinson Kanes a 01.06.2017 às 15:00

Por isso temos de a tornar um pouco mais… Humorística?

Muito Obrigado, vindo de uma contadora de histórias nata, é um verdadeiro elogio.
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De Francisco Freima a 01.06.2017 às 16:41

Que entrevista mais kafkiana, uma pessoa nunca sabe com o que pode contar quando tem uma Cidalina pela frente :P
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De Robinson Kanes a 01.06.2017 às 21:40

Pode contar em virar costas e ir embora ou apreciar o espectáculo :-)
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De HD a 01.06.2017 às 18:43

Que banda sonora arrebatadora ahahaha

Essa Cidalina passou ao lado de uma carreira de cinema spaghetti xD
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De Robinson Kanes a 01.06.2017 às 21:40

ahahahah O Bom, o Mau e a Cidalina!
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De HD a 01.06.2017 às 22:08

Hehehe Aqui terias de pôr a rolar o Ennio em vez do Bryan xD
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De Robinson Kanes a 01.06.2017 às 22:25

Grande som! O Ennio é um lenda viva!
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De HD a 01.06.2017 às 22:41

Grandioso, já nos brindaste com o seu som :)
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De Robinson Kanes a 01.06.2017 às 22:42

Em breve haverá mais! :-)
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De HD a 01.06.2017 às 22:44

Venha lá mais uma peça do grande maestro :D
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De Kalila a 01.06.2017 às 18:53

Acabou a saga, amigo... ? É assim, eu não te quero desiludir, pensei que isto tivesse acontecido no passado mas, infelizmente, parece-me que estás desempregado pelo que é mais do que natural que te aconteça ainda pior... Pois, a não ser que à partida excluas o que pode vir a ser do mesmo estilo. A mim marcaram-me entrevistas em salas alugadas para o efeito e em empresas que depois de investigadas tive que excluir. Há uma autentica selva à nossa volta, é o que é.
Estive nessa situação há três anos atrás, suponho que as coisas não estejam muito diferentes. Uma das entrevistas a que compareci de bom grado por ter conseguido as melhores informações demorou cerca de 45 minutos em que quase praticamente só se falou do meu cabelo ruivo. Era uma senhora, também ruiva, com variados problemas com o próprio cabelo e que achou por bem escolher essa temática ou então viu em mim propensões à arte de cabeleireira ou a alguma especialidade médica que trate do mesmo assunto. Suponho que aches impossível mas aconteceu comigo e nem sequer fui escolhida.
Portanto, meu querido amigo, há muitas Cidalinas e, ainda por cima, algumas são ruivas.
Beijinhos.
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De Robinson Kanes a 01.06.2017 às 21:44

Também nos cabe investigar onde poderemos passar os nossos dias futuros… Isso é das coisas mais importantes que os candidatos devem fazer.

Desemprego não é bem a realidade, mas a procura de algo melhor… O encerramento da organização onde estava atirou-me para situações de trabalho pontuais, mas muito ricas, afinal não consigo estar parado :-)

Histórias destas não faltam, temos de criar uma colectânea. A senhora tinha uma grande "pancada" com o cabelo, já vi e deixou isso monopolizar a atitude profissional.

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