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O Verdadeiro Natal no Striezelmarkt...

por Robinson Kanes, em 28.11.17

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 Fonte das Imagens: Própria.

 

Uma das imagens mais belas que se pode ter da Saxónia e que me fazem recordar as minhas deslocações e estadas em Berlim é o "Striezelmarkt" de Dresden, ou seja, o Mercado de Natal local. Todavia, acredito que a melhor entrada na Saxónia não será via Berlim, mas sim pela Boémia com a primeira paragem alemã na pitoresca Bad Schandau mesmo junto ao Elba.

 

Não vou falar de Dresden, para mim, a cidade mais bonita e romântica da Alemanha, mas sim do seu Mercado de Natal. Os Mercados de Natal da Alemanha são dos mais genuínos e interessantes que podemos conhecer e aqui, admito, que somos (portugueses) claramente ultrapassados na forma de celebrar o Natal.

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O "Striezelmarkt" remonta a 1434 e tinha a duração de apenas um dia. Este mercado visava apenas venda de carne, segundo as as leis de Frederico II, Princípe da Saxónia. O nome advém da palavra "Striezel" que é uma espécie de pão típico de Natal e também conhecido por "Stollen". Caminhar pela Altmarkt com uma caneca de Glühwein (vinho tinto aquecido com canela, cravinho, laranja ou limão e açúcar) numa das mãos e na outra com uma Lebkuchen (um espécie de bolo de mel e com um sabor a gengibre que... hum...) pode ser um dos passeios mais interessantes que vão ter nas vossas vidas. Dresden é uma cidade romântica e das poucas fora do Mediterrâneo que me apaixonam, mas sem dúvida que um Natal a dois não pode nem deve dispensar um passeio junto ao Elba e pela Altmarkt. Amigos alemães que não me enviem Lebkuchen no Natal têm de aturar o mau feitio do Robinson.

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Com a maior pirâmide "Erzgebirge" do mundo (14,62m) e o maior arco de Natal do mundo (13,5m de largura), neste mercado é impossível resistir às bancas que vendem somente produtos natalícios, desde a comida a peças de atesanato com especial destaque para os brinquedos. Também as "barraquinhas" são decoradas com extremo bom gosto e que tornam quase impossível não relembrar os tempos de criança... Eu diria até que voltamos a ser crianças. Quem diria também que há 72 anos esta cidade foi arrasada por um dos mais terríveis bombardeamentos da história e um dos grandes desastres cometidos pelos aliados que não olharam a meios e mataram um sem número de civis (250 000 foi a contagem inicial, que agora aponta para 25 000) de forma absolutamente desnecessária e ainda hoje um tema tabu quando se fala na Segunda Guerra Mundial, pois são muitos os que defendem que se tratou de um crime de guerra.

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Cachecol, gorro, e uma caminhada bem abraçados e aconhegados com a nossa paixão, tornarão todo e qualquer momento neste mercado inesquecíveis e nem o frio da Saxónia será capaz de quebrar a vontade de conviver na rua entre amigos de longa data ou recém-amigos que connosco, sem medo do gelo, partilham momentos singulares e inesquecíveis.

 

Toda a cidade é uma festa, mesmo antes, se viermos da Estação vamos encontrar também um enorme Mercado de Natal, e atravessando o Elba encontramos, logo a seguir à Estátua do Cavaleiro de Ouro (Augusto, o Forte - Rei da Polónia e Grão Duque da Lituânia) mais um mercado que não nos deixa ficar quietos e onde podemos saborear um sem número de produtos locais, aqui, com forte enfoque nas carnes.

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Apesar do frio, o melhor local para saborear estes petiscos é mesmo junto ao Elba, sem necessidade de voltarmos a atravessar a ponte. De noite ou de dia, e muitas vezes com um frio cortante, podemos contemplar o "Brühlsche Terrasse", mais conhecida como as "Varandas da Europa" e a "Kunstakademie" (Academia de Belas Artes) sem esquecer a imponente "Hofkirche" e a "Semperoper", a ópera de Dresden e visita obrigatória para um concerto ou mesmo para uma ópera! Acreditem que merece bem a pena assistir, nem que seja a um concerto da Orquestra Estatal de Dresden.

 

Olhando à minha volta e assistindo a mais uma loucura colectiva, que de Natalícia tem pouco, saberia bem caminhar por entre bonecos de madeira, cheiro a lareiras e a vinho quente enquanto colava os meus lábios e os aquecia na minha alemã numa qualquer barraquinha do "Striezelmarkt"... 

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Por aqui, voltaremos para a semana... Boa Semana e antes do Natal vivam os vossos e todos aqueles que vos rodeiam... Todos os dias....

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Nunca Mais Acaba o Natal!

por Robinson Kanes, em 27.11.17

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Fonte da imagem:  https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/236x/89/16/3f/89163f33a238b5e825a89d506be59013.jpg

 

(Original publicado a 30 de Novembro de 2016 e agora reeditado com outro sabor...)

 

Já estamos na época natalícia... O vizinho da frente já comprou um lote de luzes que dava para iluminar Amesterdão inteira, mesmo naqueles dias mais escuros. Obviamente que o vizinho do lado, não querendo ficar para trás na corrida energética, comprou um lote de luzes que obriga os aviões com destino a Schiphol a mudar de rota e a aterrar em Haia devido ao encandeamento provocado pela fortaleza de luzes capaz de fazer inveja a qualquer artilharia anti-aérea.

Não vou questionar a vertente comercial do Natal. É preciso vender e, em alguns casos, antecipadamente. Um exemplo? Os jantares de Natal das empresas, isso leva tempo e começar em Setembro pode ser um bom ponto de partida.

E quem não gosta de andar por Praga, Nuremberga, Dresden e outras cidades e sentir o espírito dos mercados de Natal? Quem não gosta do convívio, de um Glühwein ou de uma boa conversa embrulhado em cachecóis e casacos bem quentes? E a entrada é grátis!

Todavia, em alguns países (Portugal também), tenho a sensação de que quando chega o dia de Natal, para muito boa gente, é o dia em que finalmente chega a paz e o sossego! Acabou-se a injecção de anúncios, catálogos no correio, as músicas da Mariah Carey ou então “midis” com o “jingle bells”, crianças aos berros, os peditórios, os “emails” de boas festas formatados, as propagandas de Governos que fazem lembrar as ditaduras sul-americanas, e aquela correria de comprar coisas mais caras e que também existem a melhor preço noutras épocas do ano.

 

E quem é que não adora circular num hipermercado num ou num centro comercial, numa época tão bela e de paz, mas que se não toma cuidado ou é empurrado ou atropelado por um conjunto de gente com mau feitio e com o desejo de comprar qualquer coisa, qual leão atrás de uma palanca - eu acredito que não é fácil ter dinheiro na carteira e poder gastá-lo em tudo e mais alguma coisa, mas vejamos, nem todos podemos ter a sorte de viver na Síria, no Egipto, no Bangladesh ou na Venezuela! Não andem tristes nem se comportem como autênticos figurantes do videoclip do “Thriller” de Michael Jackson. Infelizmente, ter dinheiro para gastar e poder acumular dívidas tocou-nos e temos de viver com isso, por isso que o façamos com um sorriso e simpatia e respeito pelos outros... Eu sei que não é fácil, mas os outros também conseguem viver.

 

Depois temos as “Black Fridays”, que, num país com mais dias de promoções que habitantes faz claramente todo o sentido. Faz tanto sentido que alguns até vão mais longe e criam os “Black Weekends” ou as “Black Weeks” não vá escapar algo à nossa lista de desejos.



Acredito até, que o dia de Natal, ou mesmo a consoada, são uma tremenda ressaca e que o ar enfadado, na cara de muitos, prova isso mesmo. Lá se vai um subsídio para meia-dúzia de horas e ainda por cima para marcar no calendário esta comunhão. O dia de Natal em si, é feito sentado à mesa e numa apatia muitas vezes assustadora... É preciso comer e ficar com um aspecto anafado! Tenho aquela sensação de que alguns indivíduos "encharcam-se" tanto nesta época que indago se não temos qualquer relação com o urso, por exemplo, que precisa de uns bons quilos de salmão para aguentar o período de hibernação sem comer ( no caso dos humanos, esse período dura até à Páscoa e em alguns casos até às chamadas férias de Verão). Não esquecemos que a fauna portuguesa precisa de épocas impostas para festejar algo... Mesmo que acabe farta e cansada com uma expressão de cara de atum.

A vertente consumista (mesmo a dos peditórios) é tanta e tão mecanizada como a própria época que questiono se ainda existe Natal. E nem sou daqueles que vê o Natal com o menino Jesus nas palhas deitado (ou será nas palhas estendido?) ,mas sim o Natal como uma época que se sinta, que se viva, que se experimente com naturalidade e com a emoção devida, independentemente da religião ou qualquer outra convicção... Se tiverem oportunidade de partilhar e "ensinar" o espírito de Natal com indivíduos que não são crentes arriscam-se a ter um Natal mais cristão que os próprios cristãos...

Talvez seja uma visão romanceada... talvez seja até uma visão infantil, mas tal como Saint-Exupery, eu próprio possa ser levado a pensar se a infância em Saint-Maurice-de-Rémens não teria sido o corolário de uma vida e o que aí se seguiu uma luta pela verdade e pela realidade da mesma.

 

P.S: E porque já se fala de Natal, o meu desejo é  que ninguém se lembre de me proibir de sorrir ou cantar no carro... Se o ACP (Automóvel Clube de Portugal) e a LPCPBD (Liga Portuguesa Contra as Pessoas Bem Dipostas) começam a perceber que existem muitos indivíduos como eu, vão perserguir-nos como a qualquer fumador que puxe do seu cigarro dentro do veículo. Eu sei que é uma forma estúpida de conseguir financiamento para campanhas e para algumas carteiras... Mas isso não!

 

 

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 Fonte: http://www.thirteen.org/13pressroom/press-release/great-performances-at-the-met-il-trovatore/

 

Ontem tive a notícia de que o mundo da música ficou mais pobre... Fui confrontado com a morte do siberiano Dmitri Hvorostovsky, o grande barítiono russo que não resistiu a dois anos e meio de luta contra um tumor cerebral.

 

Dmitri Hvorostovsky é uma jóia russa e isso ficou bem patente nas condolências prestadas pela presidência do seu país. De Hvorostovsky só posso recordar algumas árias de grandes óperas, uma delas a "Di Provenza il Mar Il Suol" da "La Traviata",ópera de Verdi que já abordei aqui, onde desempenhou o papel do pai de Alfredo, o Sr. Giorgio Germont. Deixo aqui uma dessas interpretações, é belo... E porque não dedicarem uma parte do fim-de-semana à "La Traviata?

 

E como hoje é dia 24 de Novembro, celebra-se também o aniversário da morte de outro senhor da música... O tanzaniano Farrokh Bulsara que em 1991 nos deixava um dia após ter assumido a doença (HIV). Para muitos, este nome é estranho, mas se vos falar em Freddy Mercury já é possível que conheçam... Por isso, depois de uma triste "La Traviata" e de chorarmos a morte de Violetta, nada como apreciar os "Princes of the Universe" dos "Queen"... Afinal acabamos todos por ser principes neste universo infinito... Gosto especialmente da sonoridade deste tema e claro, da guitarrada a solo do Brian May, o grande guitarrista da banda... 

 

Finalmente, tenho de falar num livro de Ludgero Santos e que não é fácil encontrar em livrarias... Falo do "Perfume da Savana"... Sei que muito já se falou deste livro por aqui, pelo que vos dispenso a descrição do enredo. Aponto, contudo, que só alguém com uma grande vivência em África poderia escrever tal livro... Muito se escreve de África mas poucos terão experenciado e conseguido colocar em livro ou documentário aquilo que Ludgero Santos nos descreve... Ludgero é um guia de uma África única e de tempos passados que marcaram gerações de negros e brancos... A coroar tudo isto, a capacidade de Ludgero em descrever o amor e em criar uma daquelas histórias que nos prendem e que nem sempre acabam como desejamos...

 

Desconheço se estamos a falar de ficção ou de realidade, mas a sensação com que fico é que estamos quase num relato na primeira pessoa. Obrigado Ludgero.

 

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Fonte: Própria.

 

 Bom fim-de-semana...

 

 

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A Uber dos Mortos...

por Robinson Kanes, em 23.11.17

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Fonte da Imagem: Própria. 

 

Se fosse hoje, a versão da música dos Ghostbusters (Caça-Fantasmas), da autoria de Ray Parker Jr. seria algo como:

 

Se queres fazer um jantar de gala...

Quem é vais chamar?

O Panteão Nacional!

 

Se ao centro de Lisboa queres chegar, mas não queres um taxista que te leve a Cascais...

Quem é que vais chamar?

A Uber!

 

Se o teu amigo ou familiar morreu e queres enterrá-lo ou cremá-lo...

Quem é que vais chamar?

A UMER!

 

A UMER! Pois é, empacotar os nossos entes queridos agora está ao alcance de uma "app" (https://www.umer.mobi) termo porreiraço para aplicação. Até porque aplicação dá sempre aquela sensação de que estamos a falar de bricolage e se não formos alemães ou esmerados pais de familia americanos é provável que o impacte seja fraco.

 

Quando ouvi falar da UMER há algum tempo ainda pensei que era mais uma daquelas coisas que nascem e morrem no dia a seguir mas... A verdade, é que a "app" dos mortos continua activa e de boa saúde. Imaginem o vosso ente querido a quinar e toda aquela papelada que é preciso preencher além de termos de encontrar a melhor cama possível, uma espécie de IKEA mas sem o "monte você mesmo"? É aborrecido e além disso, tal como com alguns taxistas, estamos sempre sujeitos a ser também enganados por alguns abutres do ramo.

 

Mas a UMER resolve o problema, basta puxarmos do nosso smartphone e tratamos logo ali do serviço. Aliás, UMER em russo, significa algo como "morrer" e o próprio slogan da aplicação é: a aplicação que o ajuda se alguém morrer, ou algo como isto Приложение, которое помогает, если кто-то UMER. Tendo em conta alguns comportamentos a que tenho assistido, o UMER em Portugal fazia sucesso e... Quantos não davam para que um simples clique praticamente fizesse desaparecer os tão amados pais ou amigos? Já viram quão bom pode ser ao não permitir que as férias sejam interrompidas? Quem é que quer deixar os areais do Algarve para chorar os amigos ou enterrar os pais? Cada vez menos! Aposto que a próxima inovação da UMER será o imediato envio de uma mensagem via "whatsapp" com o texto: "o Valdemar morreu, Deus o tenha. Se quiser aparecer na cremação informamos que terá lugar no cemitério de Carnide pelas 16h:30m, o dress code é casual death. Mais informamos que temos o serviço de florista, carpideiras do Trocadero, estacionamento e transfer para convidados. Não hesite em contactar-nos".

 

Também já estou a imaginar a UMER a fazer promoções ou a dinamizar, qual "Bookingdos jazigos, um segmento "genius" para os clientes mais fiéis. Ainda vamos ter os caça funerais sempre à procura do desconto. Imaginem uma pastelaria em que um velho diabético cheio de problemas cardíacos ao empaturrar-se de bolas de berlim e galões cai e morre ali mesmo... Primeiro tirar-se-ão as "selfies" enquanto se simulam manobras de RCP - isso é fundamental - depois todos se irão agarrar ao smartphone na tentativa de serem os primeiros a fazer a reserva... Isto até alguém que ainda vive no século XIX se lembrar de dizer: "então e ninguém ajuda o velho, ele ainda respira! Liguem para o 112". Preparem-se é para ouvir é que afinal "não está nada vivo, está é mal morto!". Ninguém vai querer perder a oportunidade, acreditem.

 

Para o caso de ser comigo, aviso já que quero um funeral ao estilo de Nova Orleães e pretendo ser colocado num local onde todas as noites existam jantaradas e festas... A morada para pagamento das respectivas contas pode ser a Rua do Enxofre Lote 23, Casal do Ò Diabo, 2039-428 Lagameças.

 

A todos uma boa morte...

 

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Na Rota do Trancão...

por Robinson Kanes, em 22.11.17

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

O Rio Trancão é um dos rios mais conhecidos de Portugal, sobretudo por causa da poluição. É um rio que nasce na Póvoa da Galega (concelho de Mafra) e desagua em Sacavém (concelho de Loures).

 

O que talvez muitos de nós não saibamos é a importância história deste rio: foi nas margens deste que se deu a Batalha de Sacavém, o primeiro embate entre as tropas de D. Afonso Henriques e os Mouros aquando da conquista de Lisboa. Também foi por este rio que muitas materiais (sobretudo a pedra) foram transportados para as obras de construção do Convento de Mafra. Este foi também, até ao século XIX, a linha de abastecimento de Lisboa que assim recebia os produtos da zona saloia. Ainda hoje o imaginário desta época está presente nos grupos folclóricos saloios. Em qualquer festival de folclore saloio vão reparar que o rio estará sempre presente nas vestes (o pescador), nas danças e na própria música.

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Hoje, a Foz do Trancão, particularmente, é um espaço de lazer e desporto onde podemos praticar desporto ou simplesmente contemplar o Tejo. No entanto, uma das rotas mais interessantes do Trancão é aquela que liga Granja (freguesia de Vialonga, concelho de Vila Franca de Xira) a Sacavém, passando pelo bela lezíria de Loures com os seus campos agricolas muito férteis.

 

A bicicleta é sem dúvida o parceiro ideial, afinal o caminho é longo, todavia também pode ser feito a pé, aliás, uma parte desse caminho é "Caminho de Fátima" e "Caminho de Santiago". Lembro-me da primeira vez que fiz este percurso, ainda à descoberta e com uma bicicleta "amadora", a minha BERG. Talvez tenha sido, aliás, o meu primeiro percurso BTT a doer e onde fiquei a perceber que uma bicicleta cheia de lama é um transtorno.

 

Mas todo este percurso coloca-nos numa Lisboa onde é possível atravessar pequenos montes e vales junto ao curso de um rio observando campos agrícolas, pequenas quintas, e uma riqueza faunística singular, sobretudo dominada por aves de estuário, ou não fosse o Trancão um afluente do Tejo. Podemos também encontrar alguns equinos que deambulam pelas margens do Trancão enquanto dividem o seu espaço com as garças. 

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É difícil imaginar os barcos de mercadores a cruzarem este rio, sobretudo se nos sentarmos na relva junto ao chamado "Parque Tejo". O crescimento urbanístico torna difícil essa memória e a poluição não nos deixa perceber como foi um dia possível por ali tomar um banho. De facto, hoje o rio está mais limpo devido ao forte investimento feito na sua limpeza, sobretudo aquando da "EXPO 98", no entanto, o forte assoreamento também não ajuda.

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E na verdade, muitos de nós já atravessámos este rio, nomeadamente quando entramos em Lisboa pela A1 ou até mesmo pela estrada nacional 10 em Sacavém.

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O Grande Inspirador de Marcelo!

por Robinson Kanes, em 21.11.17

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Marcelo não fugiu à tradição e lá tratou de condecorar, mal chegou a Belém, os amigos e talvez aqueles que foram sustentando a sua presença por aí, uma espécie de pagamento por muitos almoços. Todavia, Marcelo Rebelo de Sousa esqueceu-se de condecorar o seu grande mentor e precursor na arte de aparecer a todo o custo em todo os lugares mesmo que seja para trazer uma mão cheia de nada: o emplastro! E convenhamos, até o emplastro é cata-vento, pois não aparece só nos jogos do Futebol Clube do Porto. Estranhamente, condecora futebolistas mas não condecora heróis que salvam um país das chamas, não condecora tantos outros anónimos quando se diz o Presidente de todos os portugueses, discurso esse que, mais recentemente, foi alterado para os portugueses (os que nele votam) e os distraidos (os que nele não votam) ...

 

Acredito, no entanto, que a "Ordem do Mérito" tem de ser atribuida ao "emplastro". E porquê? Sobretudo porque está a nascer mais uma profissão com grande futuro. Claramente não podemos apelidar a mesma de "emplastrista", como muitos já fizeram. Não é "fashion" e não gera "likes". Que tal "Show Off Segment Leader" ou "Selfie Key Account Manager"?

 

Esta actividade está tão desenvolvida que até já existem duas vertentes interessantes: o que vive de se mostrar ao lado dos outros e o que vive de aparecer ao lado dos outros, há diferenças. O primeiro é uma espécie de "Senior Show Off Leader" ou então "Head of Selfie Sticks" o outro é... Enfim, eu sei o nome que lhe posso chamar em inglês mas prefiro não o fazer.

 

O primeiro é aquele que, mesmo involuntariamente, é perseguido por tudo e por todos para tirar uma "selfie". Estamos perante uma espécie de pai natal dos centros comerciais em que as crianças fazem fila para aparecer e consequentemente serem fotografadas ao lado do mesmo. O objectivo das crianças? Uma foto com o pai natal! O objectivo dos adultos? Tirar uma fotografia junto àquele indivíduo e passar a mensagem de que "também" se é importante, mesmo que na verdade não se passe de um lambe-botas aproveitador que não mostra trabalho mas mostra um sorriso ao lado de alguém conhecido. Já estou a pensar em inventar para mim uma personagem - vou fingir-me de indivíduo que fez fortuna a vender espinhas de perca na Tanzânia e que tem agora um negócio de gindungo no Lesoto. Até aqui é simples, paga-se uma campanha, apareço nos locais certos, isto será o que me vai custar menos, depois basta aparecer e começar a cobrar por cada fotografia com a minha pessoa! É preciso financiar a actividade, ao contrário de muitos, o Robinson não é apologista de um "Estado Papá". Alpinistas não faltam. Ainda vou ter um "pivot", imparcial e de Telejornal de canal generalista, a apelar que votem um dia em mim para Presidente da República. Será isso ou uma pequena questão de tempo até alguém dizer que sou eu o padrinho dos portugueses. Não se admirem, existem jornalistas  que o fizeram, todavia, não será de admirar quando também fizeram, e fazem, a apologia de um indivíduo, já falecido, que enganou um sem número de pessoas com empresas fachada.

 

Não esqueçamos o segundo: este é o que aparece sempre junto aos outros, aquele que precisa de estar sempre rodeado de alguém. Existem indivíduos que passam os dias em conferências, seminários, encontros da terceira idade, matinés dançantes, torneios de xinquilho e jogos de futebol das distritais a tirar fotografias. De dois em dois minutos lá vem uma fotografia no palco das redes socias, fotografias tiradas nas piscinas municipais de Cabeceiras de Basto ou na mercearia "O Emigrante" em Virtudes. Convenhamos que isto tem de ser lucrativo, caso contrário estariam a desenvolver outra actividade ou a trabalhar. Estes são uma espécie de Chief Executive Officer (CEO) de uma indústria de papalvos que, ou aparece enquanto outros fazem aquilo que estes dizem fazer, ou vivem somente disso mesmo, de aparecer. E convenhamos, quando aparecemos muito, podemos dizer tudo e mais alguma coisa que somos sempre levados a sério, mesmo quando num dia dizemos uma coisa e no outro o seu contrário. Até no LinkedIn já existem especialistas em... LinkedIn. Estes debitam fotografias com este e com aquele e recomendam os outros a fazer o mesmo de modo a serem atractivos para o mercado... Reparem que não escrevi mercado de trabalho por achar que o conceito de "trabalho" não entra na equação.

 

Entretanto, Lili Caneças e Jô Caneças celebraram já um cessar-fogo temporário pois contam formar uma união para manifestarem o seu descontentamento por aquilo a que acusam de abuso do poder presidencial, posto que a Constituição não permite que o Presidente da República apareça em mais de 5 publicações semanais da chamada imprensa "cor-de-rosa" e em mais de 1500 fotografias ao lado de alguém. 

 

Convidámos tanta gente inútil para estar na "Web Summit" (felizmente por lá passaram também indivíduos de destaque) que nos esquecemos de convidar o "emplastro", pois é ele o grande guru de uma das profissões mais lucrativas em Portugal e bem mais rentável que o "robot Sophia". Aliás, seguidores do "aparecer" não faltaram também neste evento, onde muita gente saiu de lá com selfies mas poucos com ideias... E as boas ideias até andaram por lá...

 

 Fonte das Imagens:

Imagem 01: Semanário Sol

Imagem 02: https://static.noticiasaominuto.com/stockimages/1920/naom_52f68835adf8f.jpg 

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O Mosteiro de Santa Maria das Júnias...

por Robinson Kanes, em 20.11.17

IMG_6875.JPG Fonte das Imagens: Própria.

 

Como prometido, teria de voltar a Pitões das Júnias. O espaço de um artigo, que pode ser lido aqui, é pequeno para a grandeza desta aldeia, "perdida" no concelho de Montalegre e onde o Gerês termina a sua conquista de vales e montes e abraça o Barroso. 

 

Não podemos falar de Pitões sem mencionar o Mosteiro que aí se encontra perdido e em ruínas. Não defendendo que o mesmo esteja em ruinas, de facto, é um marco e uma imagem inesquecível, um pouco ao nível do que encontramos no Convento do Carmo, que não precisa de obras para ser imponente e apetecível. Todavia, e segundo a Câmara Municipal de Montalegre, já existe um projecto para reabilitar o mesmo... Fantástico, não é?

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O Mosteiro encontra-se, na maioria das publicações, datado no pré-românico, mais precisamente no século IX. Todavia, as investigações mais recentes apontam para o século XII - com alguma precisão para o ano de 1147. Acerca da história deste mosteiro, inicialmente Beneditino, sugiro este artigo do Instituto de Estudos Medievais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.  

 

Com uma planta trapezoidal, é um mosteiro românico mas com um claustro já com alguns apontamentos góticos, pelo que não nos devemos deixar enganar pelos arcos de volta perfeita, mais românicos. À semelhança de muitos destes espaços, a evolução do mesmo esteve sempre lado-a-lado com a História e respectivamente com a arquitectura da época. Desde então as grandes mudanças deram-se sobretudo ao nível social, primeiramente com a absorção dos Beneditinos pela Ordem de Cister e já em 1834 com a extinção do mesmo por arrasto da extinção das ordens religiosas. Passou a ser paróquia e a ter outras utilidades e hoje, no dia 15 de Agosto ainda é alvo da romaria dos habitantes de Pitões e aldeias vizinhas.

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Chegar ao mosteiro é entrar num cenário digno de filme ou, como alguém no artigo sobre Pitões apontou, encontrar uma terra encantada. Atravessar os campos, sempre com uma vista soberba para o rio e para as montanhas a sul, acompanhar o ritmo da fauna e seguir os lameiros é, sem dúvida, a melhor porta de entrada para o vale em que encontramos estas ruinas e percebemos como o homem e a natureza são capazes de viver e criar em harmonia. Para mim, este é sem dúvida um dos melhores locais para a realização de um piquenique ou até para nos deixarmos cair no chão e esperar que o sol nos aqueça o rosto ou a chuva nos lave de todas as inquietações.

 

Com o som da água, pela ribeira que passa mesmo ao lado do mosteiro, em sintonia perfeita com os pássaros e um "barulho silencioso" de todo aquele vale, diria que estamos no mais perfeito dos romances. Disse acima que é um local perfeito para um piquenique, e diria até, que é o local perfeito para acompanhar os amantes que naquele encanto natural podem viver a sua paixão eterna em perfeita simbiose com o meio-envolvente. Um dos locais mais românticos no Gerês, é sem dúvida o Mosteiro de Santa Maria das Júnias.

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 Para os mais curiosos, sugiro algumas publicações acerca do mosteiro, da aldeia e até da própria região:

 

BARROCA, Mário Jorge – “Mosteiro de Santa Maria das Júnias – Notas para o estudo da sua evolução arquitectónica”, in Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, II série, vol. 11, Porto, 1994, pp. 417-443.

BORRALHEIRO, Rogério – Montalegre - Memórias e História – Montalegre: Barrosana, E.M., 2005.

COUCHERIL, Maur - Routier des Abbayes Cisterciennes du Portugal - Paris: Fondation Calouste Gulbenkian,  Centre Cultural Portugais, 1986.

GUERREIRO, Manuel Viegas - Pitões das Júnias. Esboço de monografia etnoigráfica - Lisboa, 1981.

MARTINS, Clara Joana - Mosteiro de Pitões das Júnias. Um caso de obstinação, in Revista Descobrir, nº 0, Lisboa, 1995, pp.110-115.

VASCONCELOS, Joaquim - A Arte Românica em Portugal, Publicações Dom Quixote: Lisboa, 1992.

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IMG_6891.JPGFonte das Imagens: Própria.

 

Ontem falei do Outono e... Falar do Outono sem falar em Trás-os-Montes e mais especificamente em Pitões das Júnias é um autêntica falta de sensibilidade para com esta estação.

 

Pitões das Júnias, no concelho de Montalegre, não está na moda, por isso não confundamos as coisas. Aliás, se alguma vez esteve na moda foi no âmbito da etnologia e da antropologia sobretudo no estudo e na abordagem às aldeias comunitárias.  Sobre uma delas debrucei-me em tempos, Tourém.O próprio nome da aldeia ainda hoje é alvo de um grande debate, pois não é fácil perceber a sua origem.

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Pitões das Júnias é a aldeia mais alta do Barroso e encontra-se no Parque Natural da Peneda-Gerês. Apesar da proximidade com Espanha, não deixa de ser uma aldeia perdida do interior, uma aldeia esquecida e que tem, graças ao turismo, conseguido manter-se de forma a que não se torne apenas mais uma recordação do passado. A abordagem a Pitões também não pode ficar circunscrita só a um artigo (cá voltaremos), apesar da dimensão da aldeia e da sua população de pouco mais de 150 habitantes. Pitões é mais que uma aldeia, e quando chegamos a Pitões é fácil sentir essa diferença. Pitões é a história de um povo que numa região inóspita lutou contra as adversidades de um clima rigoroso e contra a distância dos grandes centros e isso reconhece-se ainda hoje nos rostos daquelas gentes - gente forte, dura mas de uma humildade e carinho singulares. A própria génesa das aldeias comunitárias nasce dessa necessidade de união e partilha face aos diferentes desafios.

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Entre o rio, a "Pala da Vaca" e os "Cornos de Pitões" (Cornos da Fonte Fria), como são chamadas pelos locais as elevações que "protegem" a aldeia e que contribuem para uma imagem pitoresca sobretudo ao amanhecer e durante o crespúsculo. A vista da aldeia a partir do cemitério é algo que fica para sempre na nossa memória. Daí podemos rever o nosso circuito dentro da aldeia e imaginarmo-nos nós também como parte da mesma. O forno comunitário/Ecomuseu, as fontes com uma água cristalina, a Igreja e as diferentes casas são de uma beleza indescritível e não faltam relatos desta riqueza em livros e também na web, sobretudo daqueles que lá vivem, e não daqueles que, como eu, só lá vão de vez em quando.

 

Também não é incomum encontrarmo-nos com amigos de 4 patas, sejam bois ou enormes cães que nos abordam com um olhar inquiridor mas rapidamente se deixam contagiar pelas nossas festas.

 

Entre os "Prados do Lima", os "cornos" e os ribeiros podemos encontrar verdadeiros dias de descanso, considero até que é um dos locais perfeitos para fugir do mundo e reflectir. Contudo não nos deixemos enganar, pois não perdemos a ligação com a vida e com as pessoas, a outra grande riqueza desta aldeia. Em Pitões apodemos perder a carteira com algum dinheiro e rapidamente toda uma aldeia se mobiliza para encontrar o proprietário da mesma, mesmo que este já se encontre em Lisboa com a memória da "Cascata" ainda bem presente nos seus pensamentos.

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Mas voltaremos a Pitões para descobrir mais um dos segredos deste nosso país. Por agora repousemos entre um clareira rodeada de carvalhos e estudemos este interessante percurso recomendado pelo ICNF. Depois, abramos os nosso cesto de piquenique porque a fome já aperta. Ao que sei está rechedado de enchidos e licores da região...

 

Finalmente, e como Pitões se encontra num Parque Natural, nada como recordar o Código de Conduta e Boas Práticas que deve ser interiorizado por todos os visitantes das áreas protegidas.

 

Bom fim-de-semana...

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Porque Não Sou Apologista de Contra-Concursos!

por Robinson Kanes, em 16.11.17

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 Fonte da Imagem: http://alpientertainment.com/en/service/showtime/

 

 

Este é o artigo que me pode custar todos os seguidores e todas as visualizações que vou tendo ao longo dos últimos tempos, todavia, e posto que já fui abordado com esta situação cumpre-me também dar a minha opinião, e não, como muitos sabem não me considero um "blogger". Ainda tenho muito que aprender e, muito honestamente, não é a minha área.

 

Espero também que este meu artigo, se for lido, seja entendido como algo construtivo, porque a ideia base deste "contra-concurso" foi muito interessante. Falo do concurso que para melhores "blogs" e que está a ser divulgado nesta plataforma.

 

1. Promover algo como forma de revolta a algo que aconteceu no dia anterior parece-me contraprudecente, esta é a minha opinião. Pode ser uma "brincadeira", mas a fazer que façamos as coisas bem. Maturar a ideia só trará bons resultados a longo prazo. Isto é uma espécie de resposta quente a um "email" que recebemos e não gostamos e que mais tarde tem consequências. Em suma, é o poder a cair na rua e sempre que assim é as coisas não correm bem.

 

2. Um concurso tem de ter regras, este que está a decorrer não as tem. Antes de falar tive de fazer uma pesquisa e vemos "bloggers" a nomearem três e quatro "blogs" para a mesma categoria e outros a não nomearem para todas. Mais exemplos existem, como nomear "blogs" que já estão encerrados. Tem de existir um fio condutor. 

 

3. Defendo que também, sendo um concurso, tem de decorrer em espaço neutro, aliás, até como mais-valia para o futuro, seria interessante ter um espaço próprio. Com espaço próprio quero dizer um "blog" próprio, além de dotar o mesmo dessa neutralidade, poderia e deveria ser gerido por "bloggers" que seriam sorteados à sorte e convidados a gerir o mesmo. À neutralidade seria possível dar um toque de imparcialidade também. Já diz o ditado que "à mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta" pelo que seria um bom começo e valorizaria e muito o papel da organização.

 

4. Penso também que seria de bom tom envolver a plataforma SAPO, e digo isto sem qualquer ligação à mesma, até porque quem me segue sabe que nem somos os melhores amigos. Daria até muito credibilidade à iniciativa.

 

5. Temos de ter em conta que o próprio SAPO dá primazia na divulgação de certos "blogs" e "bloggers" e que existem também bastidores activos e que não envolvem o SAPO. Como é que lidamos com esta situação? Não corremos o risco de cair num erro "Orwelliano" e substituir uma elite por outra? Será que estamos mesmo a chegar aos mais escondidos com esta iniciativa?

Como é que podemos conseguir que isso não aconteça? É uma discussão interessante para se ter. Aliás, não existindo um espaço neutro até a própria autora da iniciativa acaba por assumir um destaque face a muitos outros. Aqui vale o que vale, em meu entender, se teve a ideia merece disfrutar da mesma, mas nem sempre o público pensa assim.

 

6. Também não existe um sistema de votação único. Chocam várias formas de votação que levantam algumas questões: Ao colocar nos comentários os "blogs" nos quais vou votar não estou a influenciar outros votantes? Posso! Mas também o IP fica gravado e sabemos que o voto não é repetido, aliás, pode ser mas a origem é diferente e assim podemos reduzir a margem de erro.  Mas em privado a questões também se colocam: quem é que vota? Só "bloggers" ou também podem votar "não-bloggers"? E como é que garantimos que cada "email" por exemplo é único? Não é difícil a minha pessoa criar 100 enderenços e enviar nomeados.

 

7. Finalmente, e não me levem a mal, não vi tanto entusiasmo em criar e aderir a iniciativas de cidadania sobretudo face aos acontecimentos dos últimos meses. Um bom "blog" não deve ter impacte apenas na chamada "blogoesfera", um bom "blog" faz parte e toma parte no mundo real.

 

Nada disto invalida que a ideia não tenha sido óptima, bem pelo contrário - merece, aliás, os meus parabéns. E sim, é uma brincadeira e que todos se divirtam, vale mais alguma coisa do que nada. Eu nem me lembraria sequer...

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O Outono... O Pointer... E as Memórias...

por Robinson Kanes, em 16.11.17

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

Já deixei aqui bem patente a minha paixão pelo Outono. Por lá disse que "o Outono dá cor às nossas telas, inspiração à nossa música, faz-nos dançar com as folhas e gentilmente sentir o chão ao pousarmos e a esvoaçarmos novamente, como as aves que partem para destinos mais quentes. O Outono é arte e não é por acaso que existem lugares neste Portugal e não só, onde o Outono é a época mais bonita do ano: pensem no Douro, no Alentejo ou então vamos até à Toscânia ou deixemo-nos prender pela paisagem de Santorini enquanto bebemos um café grego (aquilo para mim é café turco, mas pronto) e admiramos os telhados azuis. O Outono é talvez a mais poderosa e artística estação nos países do mediterrâneo".

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O Outono lembra-me sempre um dos meus grandes amigos, o Nilo. O Nilo é Pointer Inglês "cá de casa", um caçador nato  que não faz mal a uma mosca mas que por isso não perde todos os instintos. A propósito disso, o Outono lembra-me também a época de caça (embora não seja caçador) e todo o movimento que em tempos a mesma provocava, sobretudo em zonas mais rurais. Lembro-me da azáfama junto de tabernas e largos de vilas e aldeias... Dos restaurantes típicos cheios de caçadores e de todo aquele convívio em torno de uma actividade que, independentemente do que possamos pensar da mesma, animava, e de que maneira, aqueles locais.

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Retomando ao Nilo, só posso recordar esta força da Natureza que é capaz de sair às sete da manhã de casa, começar a correr e só parar às sete da tarde e continuar como se nada tivesse acontecido. Costumamos brincar e dizer que esta raça e outras similares têm uma baixa esperança de vida porque vivem tão intensamente essa mesma vida que é impossível um coração aguentar tantos anos de energia ao máximo. Encontrar o Nilo parado é um verdadeiro desafio, pelo que é necessário possuir características de fotógrafo da "National Geographic" e esperar pacientemente que o dono dos campos pare, nem que seja para respirar...

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Um outro aspecto do Outono que me encata é o musgo nos muros, sobretudo nos muros de pedra. Regressar depois do Verão e ver o musgo seco a ganhar cor no granito é dos espectáculos mais bonitos que a natureza nos proporciona. Muitos de nós desconhecemos a quantidade de vidas que este fenómeno permite que existam e, de facto. é algo único. Existe quem o queira arrancar, nós deixamo-lo estar, afinal, nos muros de pedra, a melhor tinta é a própria natureza e na Primavera, os lagartos aplaudem este ecossistema quando deixam a hibernação e procuram os primeiros raios de sol.

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Atenção... Acho que consegui encontrar o Nilo parado...

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 Bom Outono... E tanto que se fala no Natal quando ainda falta tanto para o mesmo, talvez o melhor presente seja um copo de sol outonal...

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