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Um Fim de Semana La Bohéme

por Robinson Kanes, em 28.04.17

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Fonte das Imagens: Própria

 

 

Não é bem a vida que faz falta - só aquilo que a  faz viver.

Vergílio Ferreira  in  "Para Sempre"

 

Já há algum tempo que não falo de sugestões para o fim de semana. Talvez por tédio, talvez porque outros temas se descobrem, talvez por... apatia.

 

Lembrei-me de recomendar uma ópera, uma das minhas grandes paixões, uma ópera verdadeira, simples e até contestada, sobretudo o seu compositor (Giacomo Puccini), por ter escolhido como personagens principais figuras do povo.

 

Sou seguidor confesso de Puccini e, La Bohéme é talvez uma daquelas óperas mágicas. Pode não agradar a muitos pseudo-intelectuais que a acusam de ser uma ópera de povo, uma ópera básica no seu argumento... talvez por ser uma Ópera verdadeira que fala do verdadeiro amor e da realidade como ela é... talvez, por isso, não seja do agrado dessa pseudo-elite.

 

Tive oportunidade, e a honra, de assistir a esta ópera ao vivo, em Praga, mais precisamente no Národiní Divadlo (Teatro Nacional). Mais honra tive de, ao sair, encontrar a neve a cobrir de branco aquela noite escura de Novembro e a most Legií. A neve é uma constante nesta peça... aliás, é ela que acompanha a chegada de Mimi e apadrinha também o seu desespero quando se sente perdida sem Rodolfo. É a queda de neve e o frio que lá foram embalam Mimi quando se despede de Rodolfo e dos seus amigos: Marcello, Colline, Schaunard e a bela Musetta. Devo dizer-vos que beijar apaixonadamente a minha miúda depois daquela ópera, ali mesmo em cima da ponte, naquela noite fria de Praga, é um momento que ainda não esqueci... sobretudo porque eu me encontrava vestido como um praticante de trail e ela como uma princesa, qual Turandot...

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Esta é uma ópera na Paris de 1830, dominada pela pobreza, pela fome e pelo frio... é uma ópera da vida como ela é, do amor real, de vidas perdidas e deambulantes nas grandes cidades, da pobreza, do quotidiano... sem magia, sem a beleza dos grandes palácios. Não encanta os pedantes, muito menos encanta quem almeja um dia ser uma elite. Mas acredito, que encanta todos os outros, desde os mais pobres às verdadeiras elites.

 

O amor e a simplicidade de Mimi, admito, comovem-me ao longo de toda a obra... e destaco Mirella Freni como a minha intérprete preferida neste papel. Confesso que uma das minhas grandes surpresas foi o papel de Musetta, brilhantemente interpretado em Praga por Marie Fajtová e com especial destaque para a interpretação de "Quando m'en vo". A forma como Mimi se apresenta com "Se mi chiamano Mimi" é algo de único... bem como Rodolfo com o seu "Che gelida manina" e "Oh soave fanciulla".

 

Deixo-vos a ópera completa, aliás, até é a versão em DVD que tenho em casa com a Mirella Freni e uma das minhas preferidas (existem outras mais recentes e com tradução, ou então podem ouvir apenas). Aos que estão sozinhos, deixem-se envolver e quem sabe a Mimi vos entre pela porta, ou o Rodolfo... aos que estão acompanhados, pois que se deixem contagiar pelo carisma de Rodolfo e pela pureza de Mimi, talvez porque como dizia Delhomme, "a eternidade do instante é a sua profundeza, não a sua extensão".

 

Bom fim de Semana

 

 

 

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A Matilha Humana...

por Robinson Kanes, em 27.04.17

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 Fonte da Imagem:http://www.apparelthing.com/page/3/

 

Ainda não é hoje que vou aderir ao movimento "slow blogging" e, confesso, que até tinha esta data seleccionada para o efeito, mas...

 

Em Portugal, uma das máximas do jornalismo, dita por John Bogart, continua a não ter efeito: "não é notícia quando um cão morde um homem, pois isso acontece muitas vezes. Mas se um homem morde um cão, isso é notícia." Sempre que um cão em Portugal ataca alguém é um sem-número de fundamentalismos que se levantam. Fosse assim para os crimes de colarinho branco, ou para muitos crimes sexuais e de sangue e teríamos o país perfeito.

 

Sou tutor de um Pastor Alemão, e claro, lá fui obrigado a ir ver as notícias pois toda a gente me dizia para ter cuidado com o meu cão. Até o sapo deu destaque a um artigo, no mínimo fundamentalista e carregado de vernáculo, que em nada abona a causa de quem a defende. Mas vamos por partes:

 

1) Não existem cães perigosos, mas sim cães potencialmente perigosos e aqui existe uma clara diferença;

 

2) O Pastor Alemão não é um cão potencialmente perigoso, o dono pode ser, mas o Pastor Alemão não! Tenho lido indivíduos que dizem que o Pastor Alemão nunca deveria ser um cão de companhia porque é utilizado para perseguir criminosos! O Pastor Alemão e os outros todos, isso não nasce com eles. Mas o que não li foi dizerem que o Pastor Alemão, e outros, salvam vidas, encontram pessoas em escombros, detectam drogas, protegem pessoas e bens e realizam um sem número de tarefas em prol dos seres-humanos, inclusive reabilitação de adultos e crianças!

 

3) A apologia (ou fundamentalismo) dos cães pequenos face aos grandes. Sem qualquer cariz científico, digo que tenho um Pastor Alemão que já perdeu a conta aos ataques que sofreu de cães pequenos. Até hoje não contra-atacou. E isto acontece porque? Porque muitos tutores de cães pequenos acreditam que não têm de acautelar este tipo de situações e deixam que os mesmos andem soltos, obrigando os tutores de cães grandes a andar com os respectivos à trela. A ausência de contra-ataque acontece porque está treinado! Treinar um cão acarreta despesas e trabalho, quantos estão preparados para isso?

 

4) A conversa das "criancinhas"! O discurso do "as nossas crianças" ou o "qualquer dia ninguém pode andar na rua com medo" é de um fundamentalismo atroz! Mais que isso, é de um egoísmo assustador. E já que falamos do 25 de Abril esta semana, temo que andemos a festejar um fim de uma Ditadura porque a substítuimos por outra, uma espécie de substituição de uma Ditatura "top-down" pela minha ditadura pessoal e por me ser permitido também fazer a minha manipulação (mal eu sabendo que também sou manipulado)!

 

5) Menos César Milan e mais ciência! Das coisas que tenho visto nos últimos dias, são os defensores da estrela de televisão César Milan. César Milan não tem um método e muito menos a abordagem é cientifica e comprovadamente eficaz! Falem mais com os veterinários dos vossos cães e com verdadeiros especialistas em... comportamento animal e interacção entre animais e humanos. Se dúvidas existirem, terei todo o gosto em partilhar contactos de verdadeiros profissionais da área e especialistas de renome, aliás, os melhores a nível mundial. César Milan utiliza métodos aversivos, ou seja, métodos agressivos que colocam os animais em níveis de stress incompatíveis com um resultado favorável. Além disso esses métodos aversivos utilizam violência... violência, gera violência. César Milan não utiliza um método de treino posítivo, é somente uma estrela de televisão;

 

6) Ter um cão dá trabalho! Ter um cão fechado todo o dia sem distracções tem consequências, tratar mal um cão tem consequências, ter um mau-ambiente em casa tem consequências pois transparece para o cão... são muitos anos de convivência entre homem e cão. Um dono agressivo é igual a um cão agressivo! Um cão não é um objecto e muito menos uma tendência da moda. Já me disseram que tenho um cão e não um filho porque assim não tenho trabalho, vejamos: no mínimo, um Pastor Alemão exige, diariamente, cerca de uma hora a uma hora e meia de exercício! Quantos pais o fazem com os filhos e orgulhosamente ostentam os indíos como uma coisa boa? Um Pastor Alemão, o meu, come dois quilos de ração (ou arroz com frango ou peixe) por dia! O meu Pastor Alemão, além do exercício requer treino diário, treino positivo e que leva tempo. O Pastor Alemão pede-me quando quer fazer as necessidades e além disso obriga-me a pisar as fezes de cães cujos donos não conhecem a palavra civismo e higiene. Um Pastor Alemão obriga a uma limpeza quase diária da casa e do carro.  Adoro e não me queixo;

 

7) Infelizmente, continua a ser mais fácil matar o cão do que responsabilizar o indivíduo. Muitos cães atacam por medo, não por pura maldade, pensar o contrário é antropomorfismo. Conheçam mais os vossos cães, observem-nos mais, comuniquem mais e vão ver que os resultados serão outros;

 

8) Deixem a sobranceria humana, do Ser que tudo sabe e nada deve a outras espécies e aprendam mais sobre comportamento e interacção animal. Em muitos países é preciso ter uma "carta de condução" para cães, importamos tanta material obsoleto, talvez fosse altura de importar algo com valor.

 

9) Também já cometi erros com o meu cão, não sou o "papá" perfeito e não sou "guru". E por isso, também não sejam fundamentalistas quando censuram aqueles que tratam os cães como crianças (sem laços e adereços fúteis, isso não)... Lembram-se de anteontem defenderem a Liberdade?

 

10) Cuidado com os comportamentos de matilha, nos cães é por uma questão de sobrevivência muitas vezes, nos seres-humanos tende a ser por uma questão de maldade e fundamentalismo. 

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Fonte da Imagem: <a href='http://www.freepik.com/free-photo/blond-businessman-happy-expression_1030499.htm'>Designed by Freepik</a>

 

Ultimamente, sobretudo em redes profissionais, quantas vezes não lemos/ouvimos um coro de indivíduos "altamente motivados" a proferir as seguintes afirmações:

 

Na minha área nunca me deito antes das duas da manhã!

Entro sempre cedo para o trabalho e nunca tenho horas para chegar a casa!

Não tenho tempo para a minha família e mal vejo os meus filhos mas adoro o meu trabalho e dou tudo pelo menos!

Passo o dia em reuniões e trabalho tanto, mas tanto, mas tanto mesmo que não sei se chego aos 50 e adoro é tão bom!

Lido com clientes do pior e faço todo o trabalho do meu escritório mas é tão bom trabalhar em equipa!

O que eu gosto no meu trabalho é de trabalhar muito, mas muito mesmo até cair e estou sempre a sorrir!

 

Por norma, estas afirmações surgem sempre seguidas por um:

 

Mas estou super motivado, adoro o meu trabalho, é aquilo que eu gosto mais e todos os dias me entrego de corpo e alma, porque é mesmo um sonho!

 

Das duas uma: ou estamos perante indivíduos que têm um problema com a sua vida pessoal e veiculam todo o tempo para o trabalho, ou então são efectivamente... estúpidos.

 

Sou muito pragmático no trabalho. Já realizei trabalhos apaixonantes, já me deparei com meses sem vir a casa por causa do trabalho, nunca soube o que era sair mais cedo e muito menos sou daqueles que defende que viver sem trabalhar é possível e basta acreditar nos "Chakras" que se consegue tudo. Em suma, gosto de trabalhar, mas... meus senhores, poupem-me o discurso de que chegar aos 30 anos completamente arrasado e que trabalho e mais trabalho é que é bom, mesmo que sejamos um autêntico autómato. Não, não é! Além de que trabalho sem o lado familiar e de lazer não é... trabalho. Lamento se vos desiludi e se provavelmente gorei as vossas expectativas de agradarem ao vosso empregador... a não ser que, esse empregador seja aquilo a que em Espanha chamam de "negrero".

 

Todavia, também é interessante reparar que muitos destes trabalhadores 24/7 quando recebem uma chamada ou um email às seis da tarde não respondem porque já saíram do trabalho. Também é interessante reparar que muitos deste trabalhadores de árdua entrega, à sexta-feira, passam o dia a colocar informação nas redes sociais e a enviar emails aos colegas com frases como: "yuppppppie é sexta-feira, vem aí a rambóia do fim de semana!". Também é interessante ver as redes sociais, não profissionais, destes indivíduos com fotos de boa vida e pouco de trabalho. Finalmente, também é interessante, vocês estarem a fazer horas no trabalho ou a trabalhar durante o fim de semana e feriados e os convites para jantaradas e afins não pararem de cair... e quem convida? Estes profissionais que nem sabem o que é ir à casa de banho porque estão sempre a trabalhar.

 

E alguns dirão: "mas eles até enviam emails às duas da manhã!". Sim, eu também, sobretudo se passar o meu dia nas redes sociais e não me dedicar ao trabalho... ou então, programar o meu outlook (caixa de correio) para descarregar um sem número de emails a horas menos próprias - digam lá que não fica bem? Robinson trabalhador. Além de que, enviar emails, para mim, não é trabalho a não ser que se trabalhe em assistência ao cliente e se use essa via para prestar esclarecimentos. Fraco profissional e fraca chefia que mede a produtividade baseada na quantidade de emails enviados.

 

Em suma, se assistisse a um colaborador meu com este discurso, pensava duas vezes na manutenção deste na minha organização, pois está a passar uma imagem de que o cuidado com os colaboradores é igual a nada. Também aposto que, publicamente, estaria a piscar o olho a uma outra organização, ávida de contratar profissionais que só sabem trabalhar e andam sempre com a manta atrás qual personagem de Charlie Brown. Isto, talvez, porque está cansado e detesta a minha organização!... Ou então, porque... somente é parvo.

 

Boa semana, bom trabalho...

 

P.S: também não percebo porque é que quando procurei imagens para este artigo, sempre que utilizava a palavra trabalho, praticamente só me surgem indivíduos ao computador ou a sorrir (aquele sorriso forçado) em ambiente de escritório...

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Notas De Um Feriado no Ribatejo...

por Robinson Kanes, em 25.04.17

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Fonte das Imagens: Própria 

 

O Ribatejo...

Muitas vezes falo do Ribatejo, pelo cheiro da terra, pela bravura e espírito de sacrifício das suas gentes, pelos pastos verdejantes no Inverno e pela aridez dos mesmos no Verão. Pelo vinho que naquela terra tem um sabor especial, sobretudo se bebido num café de estrada entre cartazes tauromáquicos e calor de gente da terra! Mas o Ribatejo é uma paixão, é um sentir, é um viver numa dimensão mediterrânica única. É uma terra rica na fronteira entre o Norte e o Sul de um país.

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Terra de "toiros" como dizem os aficionados, terra de "toiros" como aqueles que perdem horas a observar estes senhores de negro que vagueiam pelos pastos verdejantes. Chamam-lhes "gado bravo" mas é no seu olhar que encontramos a busca de paz e o afastamento que desejam de todos aqueles que lhes tirem o seu agradável descanso.

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E com tudo isto, já falta tão pouco para as Festas da Ascensão na Chamusca... para umas migas no Poiso do Bezouro (publicidade não paga e baseada na experiência e na imparcialidade como deve ser qualquer sugestão), mas... mais que as migas a acompanhar uma carne ribatejana frita, o calor e a simpatia dos colaboradores, a entrega das cozinheiras que mesmo fora d'horas não deixam os comensais à porta. Para um almoço tardio naquela antiga adega ainda com o cheiro de outros tempos e, cuja decoração original, dispensa qualquer investimento em desprestigiantes adereços modernos e descontextualizados.

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 Bom feriado, quem sabe... com um passeio pelo Ribatejo...

 

 

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Vive La France!

por Robinson Kanes, em 24.04.17

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Eugène Delacroix, A Liberdade Guiando o Povo (Museu do Louvre)
Fonte da Imagem: Própria

 

Não vou falar de política, nomeadamente de quem poderia ou deveria ter ganho as eleições em França.

O foco da minha análise baseia-se sobretudo numa temática que passa pela ausência de líderes mobilizadores e capazes de arrastar atrás de si os eleitores. Este é um dos dramas dos países da União Europeia e até da própria instituição. Numa época em que se fala tanto, mas tanto, de liderança, são cada vez menos os indivíduos a fazer jus ao conceito. Tantos "gurus" da temática e tão poucos Líderes...

 

Os franceses aperceberam-se disso, aperceberam-se de que o jogo político do costume tinha de acabar, um pouco à semelhança do que aconteceu nos Estados Unidos da América com a eleição de Donald Trump. Resta agora saber se, Macron ou Le Pen, estarão também à altura dos desafios, pois serão mais que muitos numa nova realidade europeia e mundial. Os franceses provaram que os velhos líderes, herdeiros da lição do pós-guerra, da era da prosperidade e do dinheiro fácil não eram a solução para os problemas da sociedade actual, sobretudo a francesa. 

 

A Macron, apesar da ligação a Hollande, resta esperar pela capacidade mobilizadora, que tem de ir mais longe e não se servir só do discurso anti extrema-direita, até porque estando Le Pen eliminada, esse mesmo discurso deixa de fazer sentido e... os franceses querem mudanças! A Le Pen, não poderei deixar de elogiar a força mobilizadora, a visão menos radical que a do pai e acima de tudo a força, à semelhança de Trump, com que enfrentou o "novo" actor político do mundo ocidental: os media! Em meu entender, mais uma vez, os media foram os grandes derrotados de um jogo que não é o seu mas em que insistem tomar parte.

 

Em suma, a vencer a segunda volta, Macron encontrará um desafio já assinalado pelo seu compatriota Rousseau e que defendia que "os povos, tal como os homens, só são dóceis na sua infância, com a idade tornam-se incorrigíveis: uma vez que os costumes estão estabelecidos e os preconceitos enraizados, é uma empresa perigosa e vã querer reformulá-los". O povo francês poderá ter, finalmente, aberto espaço para uma mudança. Veremos, contudo, se essa mudança ocorrerá e como poderá se encetada, quer ao nível do Elíseu quer nas ruas e é aí, entre perfume e suor, que se reconhecem os verdadeiros líderes.

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Testemunhas da Perseguição...

por Robinson Kanes, em 21.04.17

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 Rembrandt Harmens Van Rijn, O Sacrifício de Isaac - Pormenor (Alte Pinakothek)

Fonte da Imagem: Própria

 

Não sou Testemunha de Jeová (TJ). Também reconheço que existem coisas que me deixam a pensar no que a este movimento concerne (admito que talvez por alguma falta de informação) e... também conheço muitas TJ e nunca tive nada a apontar às mesmas. Posso ter algumas questões, mas não posso negar a cordialidade, a simpatia e o reconhecimento que já tive por parte deste movimento, aliás, num dos casos até pela cúpula da própria organização a nível mundial!

 

Foi no dia 20 de Abril de 2017, ou seja, ontem, que um tribunal russo sentenciou o fim deste movimento naquele país. Para os mais esquecidos, não foram somente os judeus a serem perseguidos durante o regime Nazi. Durante este regime, também os homossexuais, os ciganos, muitos povos eslavos e outros foram perseguidos. Aliás, um dos alvos foram também as TJ que agora testemunham uma repetição da História... é interessante perceber que a História se repete tantas vezes. Sou obrigado a recorrer-me de um dos mais actuais escritores/pensadores: Aldous Huxley. Este dizia-nos que "talvez a maior lição da História seja que ninguém aprendeu as lições da História". Mais uma vez não aprendemos a lição e vemos a História a repetir-se, sobretudo porque não existe sequer um argumento válido ou sequer uma ameaça de conspiração.

 

Estamos a entrar em terrenos pantanosos, sobretudo quando os já referidos nazis são sempre o bode expiatório. Nunca percebi porque se fala tanto dos Nazis e não se fala do Estalinismo ou até de outros regimes que fariam Kim Jong Un parecer o Peter Pan. Podemos alegar que as TJ são uma comunidade perigosa e com as quais é preciso cautela... mais aí podíamos falar de tantos outros grupos, associações, clubes e outras organizações que. Não vejo nenhuma acção nesse sentido. Podíamos falar da questão das transfusões de sangue, e que, para mim, cabe a cada um decidir o seu destino. No caso português, por exemplo, um juiz pode, tratando-se de um menor, decidir em nome da família.

 

Esta perseguição sem sentido pode abrir portas a outro tipo de perseguição e criar também um case study a ser seguido por outros países. Em nome da liberdade, estamos a perseguir inocentes, quais anos que se seguiram à Queda da Bastilha e que de Liberdade tiveram pouco... ou até demais... 

 

Estamos a perseguir "potenciais criminosos" sem acusação formada e fundamentada... e sempre que isto acontece, o resultado pode ser catastrófico. Espero que os tiroteios em França, não desviem a atenção deste facto...

 

Bom fim de semana e que não continuem a testemunhar retrocessos civilizacionais...

 

Fontes da notícia: www.reuters.com e www.jw.org

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IMG_6645.JPG Fonte das Imagens: Própria

 

Com o acampamento católico a sofrer com as chamas, Boabdil e Muza não perderam tempo e aproveitaram o mesmo para, logo no dia seguinte, atacar os cristãos.

Ao que se sabe combateu-se corpo-a-corpo em cada pedaço da vega de Granada. Não houve um jardim, uma horta, a sombra de uma árvore, um pedaço de chão que não tivesse absorvido o sangue daqueles bravos guerreiros. Segundo Frey António Agápida, até um embaixador francês que se encontrava do lado católico ficou pasmado e teceu um rasgado elogio aos guerreiros mouros que combatiam como ninguém depois de 10 anos a somarem derrotas atrás de derrotas e a perderem soldados e reis.

 

Contudo, do lado de Castela e Aragão a artilharia e o número de homens disponíveis era francamente superior e a batalha acabou com o recuo de Boabdil (que quase fora capturado) e Muza para dentro das muralhas da cidade. Em resposta, o rei católico decidiu erguer uma cidade, mesmo ali em frente a Granada: Santa Fé.

 

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Esta afronta de D. Fernando II, aliada ao corte das vias de abastecimento à cidade (onde o Marquês de Cádiz mais uma vez mostrou a sua valentia) e à ausência de apoio por parte dos reis berberes e do sultão do Egipto (a ausência de um porto onde estes pudessem atracar os seus reforços não permitia tal apoio) levou Boabdil a convocar um conselho. Aí, reuniu os melhores guerreiros, os melhores filósofos e políticos da cidade e, perante as condições de miséria e estado das tropas, todos se decidiram pela rendição! Todos... excepto Muza! Muza, mostrou o guerreiro que era, e tivesse entrado mais cedo na guerra, talvez as coisas tivessem sido diferentes! Exortou ao levantamento, à força, assumiu que todos os seus soldados estariam preparados, levantou o ânimo, admitiu recrutar e distribuir armas por cada habitante da cidade capaz de lutar. Muza colocou-se como sendo o responsável por guiar todos os esquadrões, de lhes indicar todos os caminhos, de levar todos à vitória ou à morte, mas de jamais entregar a cidade e o reino!

 

IMG_6564.jpgSegundo os relatos da época, perante este discurso, que não venceu o desespero dos sábios e dos governantes de Granada, Boabdil comoveu-se e caiu num silêncio que só terminou com a ordem de rendição. 

 

Foi enviado o Governador da cidade, Abulcasim Abdel Melic, que negociou os termos da rendição. Estes termo abrangiam a entrega da cidade, a libertação de presos católicos, os direitos  dos habitantes de Granada, a vassalagem perante a coroa de Castela e Aragão e a concessão de terras para os dois lados. 

 

Aquando do seu regresso e da apresentação das condições ao soberano de Granada, mais uma vez Muza, mostrou de que sangue era feito e, enquanto todos os outros desesperavam em lágrimas, este exclamou:

"deixemo-nos senhores de inúteis lamentações, próprias de mulheres e crianças; somos homens e tenhamos coração, não para verter tristes lágrimas mas sim o nosso sangue. Observo que o ânimo de todos está de rastos, que é impossível salvar o reino. Todavia, resta uma alternativa aos espíritos nobres: uma gloriosa morte! Sucumbamos defendendo a nossa liberdade e vingando os desastres cometidos contra nós! A nossa terra-mãe receberá no seu solo os seus filhos, livres das correntes e humilhações dos conquistadores e se alguém não encontrar sepultura onde enterrar os seus restos mortais, não irá carecer de um céu que os cubra. Alá não permitirá que se diga que os nobres de Granada tiveram medo de morrer na defesa do reino!"

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 Estas palavras não surtiram efeito, pois para Boabdil e para os nobres de Granada o destino do reino estava escrito no livro desde que o primeiro nascera, contudo mostraram a raça de um homem como Muza e de como este era mais fiel ao reino que todos os nobres!

 

Para os recém-chegados a esta aventura:

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/aben-hacen-e-zahara-17518

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/el-zegri-e-ronda-18287

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/salobrena-e-a-morte-de-aben-hacen-19240

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/cordoba-o-quartel-general-cristao-19524

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/malaga-o-inicio-das-hostilidades-20973

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/malaga-o-desastre-e-a-capitulacao-21257

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/da-serra-nevada-e-das-alpujarras-se-22619

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/granada-cada-vez-mais-perto-23369

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/o-alcazaba-do-alhambra-e-a-inspiracao-24720

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/a-conversa-com-o-zagal-na-sala-dos-25527

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/ainda-com-o-zagal-o-palacio-e-o-26537

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/um-lanche-com-o-zagal-no-generalife-27602

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/entre-os-ataques-de-muza-e-as-facanhas-28754

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/granada-o-capricho-da-rainha-em-zubia-e-29976

 

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E se as Redes Sociais Aumentarem a Privacidade?

por Robinson Kanes, em 18.04.17

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Fonte da Imagem: <a href='http://www.freepik.com/free-vector/laptop-with-hand-drawn-social-media-elements_944027.htm'>Designed by Freepik</a>

 

No nosso país e numa sociedade ocidental é comum falar-se da privacidade como um aspecto que tem vindo a decair com o advento das redes sociais. No entanto, deixemos o nosso pequeno mundo e pensemos no caso chinês ou até de muitos países do sudoeste asiático.

 

Na China, por exemplo, as redes sociais, ao invés de serem um foco de devassa da vida alheia, funcionam exactamente ao contrário. Em países como a China é comum que famílias inteiras durmam no mesmo quarto, que partilhem os mesmos espaços, que vivam com outras famílias em comunidade e sem qualquer preocupação com a privacidade. Eu tenho amigos e já tive vizinhos chineses e foi possível comprovar isso! Para a China tradicional, guardar um segredo, é basicamente esconder alguma coisa má! Ou seja, quem tem segredos... não é de confiança.

 

Em suma, as redes sociais, maioritariamente, não servem como uma espécie de montra para os indivíduos. O viver bem com a sua família, com os seus amigos e com a comunidade deixam de lado esse género de preocupação - essa preocupação que para nós, sobretudo portugueses, é tão importante. Seria necessário uma outra abordagem e estudos, mas provavelmente ouso questionar se no caso ocidental não existe mais insegurança, medo e solidão do que no caso Chinês em que é exactamente ao contrário. Essa necessidade de mostrar e de aparecer não vem de todo de um bem-estar consigo próprio e com a comunidade.

 

No caso da China - e com a margem de erro devida pois trata-se de um país enorme e com diferenças abismais entre as diferentes regiões – as redes sociais são o local ideal para preservar a privacidade. São o local onde muitas pessoas partilham aquilo de que tem medo e choca a sua própria comunidade, são também o local onde podem ter os seus segredos, mas mesmo assim é comum que diferentes indivíduos troquem até as suas senhas de acesso às diferentes redes sociais.

 

É uma situação curiosa e que coloca noutro patamar a questão do impacte das redes sociais nos indivíduos e na cultura dos povos e, mais uma vez, reforça que não são as redes sociais que fazem os indivíduos, mas os indivíduos que fazem as redes sociais.

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Cabrito à Padeiro na Máquina de Lavar...

por Robinson Kanes, em 17.04.17

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 Fonte das Imagens: http://gray-design.squarespace.com

 

Querida, hoje preparo o jantar, uso o programa para comida delicada?

 

2.jpgEsta pergunta pode acontecer em breve na medida em que, Liora Rozin, da Academia de Artes e Design Bezalel, em Jerusalém, decidiu criar uma embalagem de vácuo à prova de água e que serve para... cozinhar!

 

É simples, chega-se a casa, tira-se a comida do frigorifíco, coloca-se o saco na máquina de lavar roupa e voilà... um manjar dos deuses temperado com Ariel Líquido e um toque de Soflan, para a carne não ficar muito rija.

 

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O segredo para poupar energia e tempo nos fornos tradicionais, segundo os criadores deste produto, é colocar a comida na máquina e escolher um programa de longa duração para tecidos sintéticos! Já estou a imaginar um entrecosto a saber a cuecas DIM (e não são novas) ou então a sulfato de peúga com aroma de suor de camisa de algodão da boutique ciganal.

 

Sim Robinson, isso é tudo muito bonito mas... e os vegetarianos? Esses também são abrangidos, eu respeito todas as religiões! Para os vegetais, nada como um programa de curta duração para tecidos de algodão! Cuidado é com a quantidade de anticalcário que colocam, pode ficar demasiado sensaborão.

 

Não tem nada que saber, além de que os sacos trazem instruções bem claras de como cozinhar aquele pitéu!

 

Agora já não há desculpa para quem não gosta de cozinhar nem de lavar a roupa! Aliás, enquanto vão às compras, até podem deixar a comida a fazer naquelas máquinas de lavar que existem agora espalhadas um pouco por todo o lado, depois é so recolher, estilo take-away.

 

 

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Boa Páscoa e Esqueçam as Cruzes!

por Robinson Kanes, em 13.04.17

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Michelangelo Merisi da Caravaggio, A Deposição de Cristo (Museus do Vaticano)
Fonte da Imagem: Própria

 

Pois é, católicos e não católicos e... católicos não praticantes que é a mesma coisa que não católicos mas com o lado bom de ser católico quando dá jeito, especialmente nos feriados.

 

Vem aí a Páscoa e, embora não vá muito à Igreja, confesso que esta época vale sobretudo pelo facto de podermos reflectir e estar com a família ou com aqueles de quem gostamos. Também tendo a pensar no crucificado que nasceu há 2017 anos e nos insistem em dizer que morreu por nós. Se morreu por nós não deve ter servido de muito, até porque o que não falta são cruzes por ocupar e outras tantas que foram sendo ocupadas. 

 

Mas a Páscoa é sobretudo isso e, embora não esteja por terras portuguesas, devo dizer que pode ser um tempo para telefornarmos àquelas pessoas de quem gostamos ou que já nem telefonamos há séculos... eu sei que isso se faz no Natal, mas... porque não na Páscoa? Será porque nesta época não se dão presentes ou porque aquela mensagem não tem impacte:

 

 

 A família Martins deseja a todos os seus amigos uma santa e feliz Páscoa, pois estamos sempre a pensar em vocês, mas só conseguimos comunicar convosco quando aproveitamos a mensagem de felicidades da mãe do Carlos e direccionamos para todos os contactos. Que continuem a ter um bom ano, no Natal, como vossos amigos que somos voltaremos ao contacto.

 

Aproveitem a Páscoa como qualquer outra época, aproveitem-na e vivam-na intensamente. Não pensem tanto na cruz e pensem no modo como o crucificado se pôs a andar e ninguém deu por ele, aliás, até hoje não lhe encontraram o rasto... acredito que terá pensado, certamente, que tinha carregado a sua cruz e que cada qual agora que carregasse a sua - "já me tramasteis muito, mas a mim não me tramais mais".

 

Feliz Páscoa... e até segunda...

 

E a melhor banda sonora para a Páscoa não podia deixar de ser a obra-prima de J. S. Bach: "A Paixão Segundo S. Mateus", bem a propósito. Vale cada minuto das quase 3 horas de duração... mesmo para quem não gosta.

 

 

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