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Um Fim de Semana Com o Felix!

por Robinson Kanes, em 31.03.17

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Almada Negreiros, Sem Título (Colecção Privada)
Fonte da Imagem: Própria

 

 

No momento em que escrevo este texto encontro-me numa turbulência (não é metáfora) daquelas em que até os “palradores” do costume se calaram. Mas senti que devia escrever, será que começo a sentir o peso da responsabilidade para com quem ainda perde algum tempo a ler-me?

 

Como é sexta-feira, (ou vai ser porque estou a escrever isto numa quinta-feira) é o dia em que falo de algumas coisas que me agradam, que me deixam contente e de bem com a vida - para trás Satanás, hoje nada me farás pois o Senhor é o meu Pastor!

 

Esta quinta-feira, pela manhã, que afinal é sexta-feira, dei comigo a percorrer a ponte Vasco da Gama e a usufruir de uma sonoridade que, quem fosse ao meu lado, julgaria que na minha humilde viatura se ouvia AC/DC ou Rolling Stones, mas não... estava a “curtir uma bela de uma malha” de Mendelssohn, mais propriamente “Die Hebriden” também conhecida como "Fingal's Cave". Se acrescentar Opus 26 acham que soará muito a pedante da Antena 2?

 

Surgiu por acaso... num CD de clássicos que tenho no carro. E não é que soube mesmo bem atravessar o Tejo qual falua em busca de amêijoa ilegal! O Pastor Alemão que ia atrás adorou, aliás, contemplou o Tejo, como é seu hábito, naquele ar nobre e distinto que tal figura arrogante teima em não perder. Não lhe conhecia a faceta de Mendelssohn, devo confessar... talvez seja por partilharem a nacionalidade.

 

O poema sinfónico, embora dedicado ao Principe da Prússia e apresentado em Londres durante o ano de 1832, não é mais que uma abertura de homenagem à Gruta de Fingal, em Staffa, uma das ilhas Hébridas Interiores na costa da Escócia. 

 

Uma leitura para o fim de semana? O “Inverno do Nosso Descontentamento” de Steinbeck, bastante actual quando muita gente parece nem sequer questionar os valores que regem a vida em sociedade, em família e até do ponto de vista do indivíduo... onde vale tudo por um salário, pelo pagamento de um empréstimo ou simplesmente por um show off bacoco. Ler este livro é viver muito do que se encontra no nosso quotidiano.

 

 

Na pobreza é invejosa. Na riqueza pode ser arrogante. O Dinheiro não altera a doença, apenas os sintomas. John Steinbeck, in "O Inverno do Nosso Descontentamento".

 

Bom fim de semana e vão ver o Almada Negreiros à Gulbenkian!

 

Ah! O Felix, e logo com a London Symphony e o Mestre Sir John Eliot Gardiner:

 

 

 

 

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Uma Estranha Dificuldade em Dizer Obrigado!

por Robinson Kanes, em 30.03.17

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 Joaquín Torres-García, Dos figuras misteriosas (The Museum of Modern Art "MOMA" - Colecção Privada)

Fonte da Imagem: Própria

 

Estamos na semana em que ocorre aquele que se auto-denomina o evento máximo dos Recursos Humanos em Portugal.

 

A sensação que este género de eventos me provoca é de que estamos sempre perante um discurso que não vai ao encontro da realidade - até porque o evento não é propriamente aberto a todos. Fala-se muito, faz-se muito networking, passeia-se muito o ego... mas depois...

 

Se existem alguns painéis ou palestrantes que até trazem algo de novo, fica sempre aquela sensação, sobretudo para quem quer aprender e partilhar ao invés de aparecer, de que se poderia ter ido mais longe - acredito até que esse é o fim último da organização. Neste âmbito, foco os Recursos Humanos ou Pessoas, como lhe queiram chamar, porque o meu artigo é por aí que entra.

 

Em Portugal, e misturo aqui a minha experiência com muitas outras com que tenho tido contacto, existe uma palavra que tem alguma dificuldade em sair, ou melhor uma atitude... o reconhecimento, o obrigado. Ou agradecemos quando temos um milhar de pessoas a aplaudir ou então quando, e socorrendo-me de uma expressão popular, "traz água no bico” que é igual ao “deixa-me cá agradecer àquele que preciso do gajo para me abrir aqui umas portas”...

 

A dificuldade que muitos indivíduos têm em agradecer, nem que seja com um obrigado é algo que daria um estudo de caso daqueles. Uma das razões que poderia apontar, agitando todos os testemunhos que já tive e a minha própria experiência, está na insegurança. Está na insegurança de que agradecer a outrem é colocar-me a mim numa posição vulnerável do... “não sou assim tão bom”. É a insegurança de não estar talhado tecnicamente e humanamente para a posição que ocupo e qualquer agradecimento a outrem coloca o meu lugar em risco. Dizer bem do outro é dizer mal de mim que sou o melhor.

 

Fazendo a ponte da questão humana, coloco também a ausência de soft skills e até de carácter. E o povo é sábio quando diz “não sirvas a quem serviu, não peças a quem pediu”. Se por um lado o sentimento de “negreiro” ainda vigora, por outro é o daquele que não serviu nem pediu mas assume a sua posição sem ter feito um caminho de... trabalho. Pode parecer elitista, mas na verdade... as coisas correm melhor quando se serve a quem não serviu...

 

Também, sempre que alguém emigra, o argumento comum (pelo menos daqueles com que contacto) em relação ao trabalho é que no exterior o “reconhecimento” é a mais-valia e algo que não existe dentro da pátria. O reconhecimento por outros povos em detrimento do reconhecimento do seu próprio povo. Diria que é dos piores sentimentos que um profissional, aliás, um indivíduo pode sentir.

 

Não podemos falar de engagement, employer branding, communication (comunicação), teamwork (trabalho de equipa), trust (confiança) e outros tantos jargões que nos fazem parecer importantes mesmo que sejamos uma nulidade. Se não formos capazes de dizer O-B-R-I-G-A-D-O ou até M-U-I-T-O-S P-A-R-A-B-É-N-S passar a níveis superiores é pura perda de tempo e de recursos! E mais que isso temos de ser capazes de encorajar as nossas equipas, dar-lhes espaço para trabalhar, guiá-las e não abandoná-las à sorte e só nos lembrarmos das mesmas quando falamos de Key Performance Indicators (KPI) e auditorias. Não podemos falar de motivation (digam lá que não soa melhor que motivação e me faz parecer importante) se não formos capazes de reconhecer, dar instrumentos e trabalharmos, mas trabalharmos à séria para recrutar e promover os melhores. Se eu confiar em mim, farei tudo para que sejam melhores que eu.

 

No entanto, também existe uma espécie não tão rara quanto isso na fauna laboral que são os indivíduos que, ao verem o seu trabalho reconhecido, parece que receberam uma carta de despedimento, mas desses falarei mais tarde.

 

Agradeçam e digam obrigado, estimulem e impulsionem o sucesso dos outros e não o façam apenas quando os standards (padrões, normas...) exigem ou só porque já todos disseram e fica mal na fotografia aquele que não o fizer.

 

Do ponto de vista do Return on Investment (ROI) - digam lá que também não me fica nada mal dizer esta sigla assim como quem sabe disto tudo e mais alguma coisa? - vão também deparar-se com ganhos superiores, até porque a despesa é zero e o retorno é mais que muito.

 

Hoje que voltou a estar na moda a Felicidade – voltou, para tristeza de alguns, é algo mais que estudado e ainda bem, não descobriram a pólvora, lamento – pode ser que alguém se lembre de trazer algo que é igualmente importante e também já deveria estar na moda, a Gratidão!

 

Definição muito breve de alguns conceitos para quem não está familiarizado:

 

Soft Skills: atributos pessoais que permitem a alguém interagir eficientemente e harmoniosamente com outras pessoas. Envolve conceitos como a comunicação, competências sociais, inteligência social e emocional, liderança e outros.

Engagement: esforço aplicado pelo trabalhado na execução das tarefas estando este integrado e comprometido psicologicamente com o seu trabalho. Tem como resultado um efeito positivo ao nível da satisfação dos clientes, da produtividade, lucros, retenção de colaboradores e sucesso organizacional. Um trabalhador envolvido coloca muito mais de si e do seu esforço no trabalho.

Employer Branding: promoção do bem-estar dos colaboradores no local de trabalho. Os colaboradores são encarados como embaixadores da organização e consequentemente transmitem essa postura positiva para clientes, colegas e potenciais candidatos. É também uma forma de marketing na medida em que visa que a organização se torne um local aprazível para se trabalhar.

Key Performance Indicators: métrica utilizado sobretudo em ambiente empresarial (mas não só) que permite avaliar factores que são fundamentais para o sucesso de uma organização. Diferem de organização para organização e têm em vista determinados alvos e objectivos que são definidos pela gestão. 

Return on Investment: a definição pode variar consoante a área, mas não é mais que a relação entre o que se ganhou e o que se perdeu face a determinado investimento. 

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Não Me Apetece...

por Robinson Kanes, em 29.03.17

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Francisco de Goya, Três de Maio de 1808 (Original no Museu do Prado, esta cópia está cá em casa a decorar a sala)

Fonte da Imagem: Própria (ver nota)

 

 

"Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar"...

 Gabriel García Márquez, in Cem Anos de Solidão

 

Talvez seja esse sentimento de Aureliano Buendía que não me traz vontade absolutamente nenhuma de escrever. Talvez seja a vontade de recordar, talvez seja o pelotão de fuzilamento e o cheiro a pólvora de todos os cartuchos anteriormente disparados e cujo odor me faz, apesar de tudo, ficar tranquilo. Talvez... uma alternativa à prisão que pode ser bem mais penosa, o halo protector do chumbo que no seu pesado estalido traz tranquilidade. Talvez... Talvez... Talvez... e porquê talvez? Não sei...

 

Nota: no Prado não deixam tirar fotografias, deveria ser crime.

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O Calvário da União!

por Robinson Kanes, em 28.03.17

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 Jacopo Bassano, O Caminho Para o Calvário (The National Gallery)

Fonte da Imagem: Própria

 

Existe algo que sempre me inquietou no seio da União Europeia e que são, nada mais nada menos, que os partidos antieuropeístas!

 

Sun Tzu, no capítulo sobre os Pontos Fortes e os Pontos Fracos dizia: “não repitas tácticas que deram uma vitória, deixa antes que os teus métodos sejam ditados pela infinita variedade das circunstâncias”. Quero acreditar que é por isto que partidos com assento no Parlamento Europeu gritam pelo fim da União Europeia mas de lá não arredam pé.

 

Tenho muitas criticas à União Europeia, sobretudo em alguns moldes que a sustentam bem como pela falta de liderança e competência que tende a apresentar nos seus líderes. Contudo, a Europa, ou melhor... a União Europeia continua a ser dos locais mais aprazíveis da terra para se viver e essa é uma realidade inegável!

 

Se podemos e devemos mudar a União Europeia? Sim, façamo-lo e rápido, mas sabotar esta instituição levando a mesma à sua extinção é no mínimo caricato... e sou dos primeiros a admitir uma profunda crise nesta instituição.

 

Poder-me-ão explicar que ter assento parlamentar na União Europeia é uma forma de defender valores deste ou daquele movimento mas... e tomemos um exemplo simples, fará sentido que eu me encontre a trabalhar numa organização que me paga o salário e me dá benefícios singulares e depois venha manifestar-me contra o fim desta, porque simplesmente tem de acabar?

 

Uma das maiores lições da União Europeia e que prova a superioridade desta sobre extremismos de esquerda e de direita é a forma como aceita estes mesmos extremismos no seu seio, mesmo sabendo que tais extremismos podem ser o seu fim. São estes extremismos que criticam a Presidência de Trump, mas procuram, diariamente, acabar com esta instituição. São estes extremismos que alertam para um renascer do fascismo mas praticam o comunismo elevado ao expoente máximo do totalitarismo e vice-versa.

 

O actual bode expiatório é a moeda única e ao invés de se articularem políticas monetárias que levem a uma saída da crise o objectivo é a destruição e, mais uma vez, cito Sun Tzu: "por isso, na guerra, deve evitar-se o que é forte e atacar o que é fraco”.

 

Talvez o fim último destes movimentos não seja a paz interna nem externa mas sim o caos e o alimento de uma elite que procura o seu espaço para governar a seu bel-prazer, contudo sem uma solidez que dê garantias de sucesso e estabilidade, já dizia Sun Tzu, agora no capítulo dedicado ao estabelecimento de planos: “toda a guerra é baseada no engano”. Estes espectáculos distratores são um sublinhar das palavras do sábio.

 

No caso português, continuamos a deixar passar situações gravíssimas e também a beneficiar das mesmas, quer do ponto de vista da justiça, quer do ponto de vista social, democrático e legal, mas como sempre... a culpa está lá fora, em Bruxelas. Está lá fora em Bruxelas, porque continua a enviar dinheiro a rodos, mas agora quer algo em troca e isso é algo para o qual ainda não estamos talhados... “Mas um reino que foi destruído nunca pode renascer, nem podem os mortos ser ressuscitados”, também o disse Sun Tzu no capítulo dedicado ao ataque com fogo.

 

E nós, continuaremos a permitir a destruição do reino só porque continuamos adstritos a uma sede de poder e de dinheiro? E estaremos preparados para viver com as dificuldades inerentes a uma saída do Euro e até da União Europeia? Mais do que nunca, os discursos libertadores e "amigos" do povo são dotados de uma falta de competência dos seus arautos e colocam-nos alerta para aquela igualdade, e agoro recorro a Orwell, em que todos são iguais, mas uns serão mais que os outros...

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Um Lanche com o Zagal no Generalife.

por Robinson Kanes, em 27.03.17

 

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 Fonte das Imagens: Própria

 

A tarde caminha para o fim e tanto eu como o Zagal já nos encontramos cansandos, sobretudo o segundo - o peso da idade e as preocupações com o reino proporcionam tamanho estado de cansaço físico e mental.

 

Saímos da área do Pátio dos Leões passando pelos banhos e por salas que anos mais tarde virão a ser ocupadas pelos reis católicos – isso não disse àquele soberano – e pela sua corte.

IMG_6429.JPGChegamos a uma área com vistas fantástica para o Albaicín e para o Sacromonte. Escusado será dizer que por muito que estejamos impressionados, o Alhambra oferece-nos sempre mais uma emoção e desta feita dou comigo na área do Palácio do Partal, ou simplesmente Partal, como é conhecido. Um conjunto de jardins projecta-se diante deste pequeno palácio, transportando-nos, mais uma vez, para um cenário do médio oriente, para um cenário difícil de igualar na Europa! Um pórtico com cinco arcos acolhe as fragrâncias que chegam dos majestosos jardins e é ultimado pela Torre de Las Damas. Aqui está a essência do Alhambra, pois atribui-se a sua construção a Muhammad III, ou seja, o mais antigo palácio do complexo. Sento-me junto ao enorme tanque que antecede a entrada pelo pórtico e lavo o rosto, à boa maneira árabe.

 

O Zagal, orgulhoso do seu reino e da sua cidade, convida-me para me aproximar da varanda e aí ouvir o fervilhar do Albaicín, escutar pregões, chamadas para orações e o vai e vem de mercadores e clientes que ecoa por aquelas ruas e se estende até ao Sacromonte. Quem diria que o Partal só recentemente (há cerca de um século) foi considerado como parte do complexo... aliás, o tecto em madeira da Torre de Las Damas é um dos ex-libris do Museum für Islamische Kunst del Staatliche Museen Preussischer Kulturbesitz em Berlim.

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Na varanda deste palácio sou convidado para um lanche no Generalife. Aceitei de imediato... até porque é de mau tom recusar estas ofertas, eu que o diga desde que coloquei os meus pés pela primeira vez num país muçulmano. Passamos pelo que é agora a Capela do Partal, - que de capela tem pouco ou nada – e percebo que sou levado pelos majestosos pátios e jardins na direcção do Generalife. Atribui-se este nome ao termo “jardin”. Contudo, existe quem lhe dê outras origens como “Huerta del Zambrero”, “el más elevado delos jardines”, “casa de artifício y recreo” e muitos outros, sendo o mais consensual “Jardin o Jardines del Alarife”, ou seja o Jardim dos Arquitectos ou Jardim dos Construtores.

 

Tão perto, mas tão longe do complexo principal, este jardim era o local perfeito para o descanso da família real muçulmana, com uma vegetação singular. Não faltam as tradicionais árvores de fruto - ainda hoje é possível roubar um dióspiro - e com enormes pátios. Estamos numa Villa que permite esquecer todas as dificuldades da administração de um reino e consequentemente repousar, nem que por breves horas, no paraíso.

 

Observo o caminho dos ciprestes e o caminho das nogueiras, ambos ladeados pelas árvores que lhe dão o nome, até entrar num edifício com um enorme tanque central onde, num dos cantos, se encontra uma mesa com tudo o que um rei merece: sumos naturais (laranja sempre), infusões várias, doces e compotas de todas as origens, pão e alguma carne, sem esquecer uma pastelaria singular, ao nível das melhores de Istambul e Ankara!

 

Sentamo-nos, o Zagal mostra um sorriso e diz-me para transmitir um recado a Castela, nomeadamente que o reino não cairá nas mãos destes e só após a morte do último soldado isso poderá eventualmente acontecer. Convida-me para visitar o mundo muçulmano: conhecer Orão, ir ao Egipto, deambular por Marrocos, IMG_6568.JPGentrar no médio-oriente, passar em Samarra e por lá me deixar contagiar vagueado por diferentes países e reinos até encontrar o descanso em Samarcanda! Prometo-lhe que tudo isso farei, como também lhe prometo o respeito pela sua cultura e pela neutralidade na batalha que se desenrola. Também ao Zagal, sobretudo ao seu povo, agradeço a herança que me deixou: o sangue árabe que também em mim corre e que no fundo se mistura também com o sangue judeu, romano, fenício e IMG_6566.JPGoutros tantos que me percorrem as entranhas.

 

Após o lanche despedi-me e abandonei o Generalife pelo Pátio da Sultana, um jardim mágico com fontes que outrora alimentaram os banhos de todos aqueles que tiveram a honra de habitar dentro do complexo.

 

Saio pela maior e mais impressionante porta do complexo, a Porta da Justiça (existem mais quatro, a Porta dos Sete Pisos, a Porta do Arrabal, a Porta d’Armas e a Porta do Vinho) desejando que essa mesma Justiça presida aos combates que aí virão.

 

Levo comigo também a mágoa, de conhecer o destino do Zagal e saber que não mais o verei.

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Para os recém-chegados a esta aventura:

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/aben-hacen-e-zahara-17518

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/el-zegri-e-ronda-18287

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/salobrena-e-a-morte-de-aben-hacen-19240

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/cordoba-o-quartel-general-cristao-19524

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/malaga-o-inicio-das-hostilidades-20973

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/malaga-o-desastre-e-a-capitulacao-21257

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/da-serra-nevada-e-das-alpujarras-se-22619

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/granada-cada-vez-mais-perto-23369

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/o-alcazaba-do-alhambra-e-a-inspiracao-24720

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/a-conversa-com-o-zagal-na-sala-dos-25527

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/ainda-com-o-zagal-o-palacio-e-o-26537

 

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Fim de Semana de um Estranho no Paraíso...

por Robinson Kanes, em 24.03.17

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 Fonte das Imagens: Própria

 

Tinha vontade de falar de Londres, sobretudo porque tinha “pessoas” no Parlamento, mas... será que vale mesmo a pena? Não. Até porque hoje já todos regressaram aos trabalhos e só o “sensacionalismo” de uns ainda está focado na temática. E além disso, a história, neste caso, é de quem a vive... falem da Síria, de África, da Ásia, ou até de certas coisas que envergonhariam o próprio Satanás. Estou religioso, de facto...

 

Mas é fim de semana e já não falava aqui um pouco das limpezas e do estar agarrado ao ferro e à tábua. Também vai ter de ser...

 

Entretanto descobri que perder em média 45 a 60 minutos a preparar uma carta de apresentação bem bonita e um CV adequado à posição não traz resultados. Diz-me o marketing que pelo menos em cada 10, um cai! E em cada 500 ou 1000 não cair nenhum? Talvez porque o produto nem seja visto ou o “marketeer” é mau. Todavia, no que toca a este aspecto quero continuar firme como o Ethan Hawley de Steinbeck.

 

Para o fim de semana sugiro que vejam um filme bem adequado à semana que passou e aos tempos actuais... não, não é o Exterminador Implacável (embora pudesse ser, se nos lembrarmos da inteligência artificial). É o “Homem Elefante” de David Lynch, revi esta semana... se há um filme brilhante deste realizador é este! Uma história de dignidade humana que não deixa ninguém indiferente... à diferença. Além do excelente realizador (nem sempre...) ajoelhem-se perante Anthony Hopkins, John Gielgud, John Hurt e Anne Bancroft! O filme é de 1980 mas a preto e branco para dar mais enfâse ao cenário Vitoriano e à história. Deveria ser uma visualização obrigatória...

 

Se me é permitido, uma música... uma música que traz Borodin para o palco, pois a melodia é do mesmo, foi herdada deste compositor para posteriormente ser interpretada no musical “Kismet”. Confesso-vos que cantada pelo Tony (não é o Carreira) consegue projectar um halo de sensações múltiplas, sobretudo para aqueles que se sentem... estranhos no paraíso (talvez como John Merrick, o Homem Elefante, quiçá...). Tony Bennett pode ser música de velho, mas é dos meus preferidos, além disso foi o único que conseguiu fazer a Lady Gaga cantar alguma coisa com nexo e aproveitar a boa voz que a mesma tem.

 

 

E hoje há jackpot! E uma “passeata”? Vamos ao Ribatejo? Os “piquininos” já nasceram...

 

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Bom fim de semana...

 

O Homem Elefante (trailer... um trailer dos bons...)

 

Tony Bennett - "Stranger in Paradise" 

 

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Dijsselbloem ou Dissaborem?

por Robinson Kanes, em 23.03.17

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Gerrit van Honthorst, O Violinista Alegre (Museu Thyssen-Bornemisza)
Fonte da Imagem: Própria

 

Racismo: teoria sem quaisquer fundamentos científicos que defende a existência de uma hierarquia entre grupos humanos, definidos segundo carateres físicos e hereditários como a cor da pele, atribuindo aos grupos considerados superiores o direito de dominar ou mesmo suprimir outros considerados inferiores,

racismo in Dicionário infopédia da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2017. [consult. 2017-03-22 16:15:58]. Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/racismo

Xenofobia: antipatia ou aversão pelas pessoas ou coisas estrangeiras; preconceito ou atitude hostil contra o que é de outro país

xenofobia in Dicionário infopédia da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2017. [consult. 2017-03-22 16:16:47]. Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/xenofobia

Sexismo: discriminação de pessoas ou de grupos de pessoas de determinado sexo, feita com base em noções de superioridade de um sexo sobre o outro (geralmente do masculino sobre o feminino)

sexismo in Dicionário infopédia da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2017. [consult. 2017-03-22 20:28:56]. Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/sexismo

 

E o senhor Dijsselbloem, “dijsse” aquilo que ninguém queria ouvir...

 

Não é em Amesterdão que as prostitutas são colocadas em montras como carne no talho? Já estive no Red Light District e foi o que vi. Também estranho é o coro daqueles que achavam ser muito para a frente essa forma de actuação agora criticarem a mesma. Também não é na Holanda que se assistem a autênticas pielas que chegam a acabar com corpos a boiar no rio ou no mar? Isto para dizer que alguém tem de olhar para dentro de casa antes de atirar uma pedra à janela do vizinho... mas o vizinho também...

 

Nem vou para Espanha, nem para Itália (que na defesa dos países do sul nem mencionou Portugal), França (sim, também é um país do sul), Grécia, Malta ou Chipre. Vou ficar pelo nosso país.

 

Reparo que Primeiro-Ministro, Governo, Presidente da República, deputados e outros ficaram bastante ofendidos com as palavras do "Sr. Dissaborem". O "Dissaborem" só teria feito sentido se alguém dissesse que os portugueses são um povo que gosta de brinquedos caros (citando um antigo embaixador Americano em Lisboa) e de luvas.

 

Censuro a atitude, mas acusar ao mais alto nível diplomático uma opinião vulgar (infeliz ou não) e catalogar a mesma com conceitos de racismo, xenofobia e sexismo não é ir longe demais?

 

Hoje em dia não posso dizer que gosto mais de "Paella" do que de "Cozido à Portuguesa" que já estou a ser xenófobo! Também não posso dizer que não gosto de porco preto porque estou a ser racista! Não posso chamar preguiçoso a um nórdico, porque este vai partir do principio que estou a dizer que o mesmo é magrebino. E em Portugal? Não existem prostitutas? Mas onde é que está uma ofensa às mulheres? Quando muito é aos homens!

 

O circo, contudo, permite a alguns países desviarem as atenções de temas, esses sim que mereceriam uma palavra, pelo que… pergunto?

 

Que nome se dá a um indivíduo que diz que o um país tem milhares e milhares de casos de crime de colarinho branco provados e só umas poucas dúzias de penas aplicadas?

Que nome se dá a um Governo que sustenta Secretários de Estado que se deixaram comprar a troco de bilhetes de futebol e continuam no Governo em processo sensíveis com as mesmas organizações que pagaram os bilhetes e as viagens?

Que nome se dá a uma política totalmente corrompida e ao serviço de aparelhos partidários ao invés dos interesses da res publica?

Que nome se dá a um Primeiro-Ministro que acusa um Ministro das Finanças de Racismo e Xenofobia, mas é oriundo de um país (à época sob governação portuguesa) onde o sistema de castas vigora? Aliás, o mesmo esteve lá recentemente e não o vi chocado.

Que nome se dá a um Presidente da República que dá um puxão de orelhas a um ministro porque este não deu o dinheiro dos contribuintes para que os amigos continuassem a ter um teatro que não era rentável?

Que nome se dá a um país que, ao invés de limpar a casa dentro de portas, insiste em mostrar-se lá fora com uma propaganda que desaponta muitos empresários estrangeiros quando estes se debatem com a realidade intra-muros?

Que nome se dá a comissões de inquérito a bancos e off-shores que não trazem resultados e perpetuam a impunidade?

Que nome se dá a um Primeiro Ministro que alegadamente tentou obstruir a justiça num caso de pedofilia?

 

Pedofilia: atração sexual patológica de um adulto por crianças

pedofilia in Dicionário infopédia da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2017. [consult. 2017-03-22 16:37:48]. Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/pedofilia

 

Foram comentários infelizes, mas não temos moral para punir alguém que deu um soco em outrem, com um pelotão de fuzilamento e… sobretudo, quando os vidros do nosso telhado estão a estalar. Os comentários a que tenho assistido mostram uma resposta de metralhadora a alguém que nos arremessa pedras. Quem são os piores?

 

E porque não pensar que, tendo em conta o meio onde o Sr. Dijsselbloem se move, que é a política, não é também daí que encontra uma base para os comentários?

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Da "Instamum" à "Depressedmum"...

por Robinson Kanes, em 22.03.17

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 Fonte da Imagem: http://www.shapefit.com/wp-content/uploads/2014/12/smartmag-featured-image-tammy-mom.jpg

 

Estar grávida está na moda, mas quem quiser ser trendy, além da gravidez tem ainda de contar com o facto de os gémeos serem a opção mais in.

 

Mas... vamos focar-nos nas senhoras, porque afinal também existem os pais.

 

Actualmente as mães são umas verdadeiras instamums (Instamães), ou pintemums (pintmães) ou até facemums (facemães). E o que é isto? Mães que são o último grito da gravidez e até do pós-parto, sobretudo nas redes sociais. A pressão social e mediática é tal, que o ideal é aparecer grávida mas com um look de quem passa os dias no ginásio. Uma grávida elegante, sorridente e de bem com a vida. Uma gravidez perfeita sem os percalços habituais é coisa do passado. Estar grávida é cool! Partilhá-lo nas redes sociais ainda é mais cool... desde que não se esteja gorda, flácida ou pouco atraente.

 

Onde é que isto começa? Nas “celebridades”, nas “bloggers” e naquelas amigas que ficam grávidas mas que têm aparência de monitora de aulas de fitness. Daqui às partilhas de corpos elegantes e “photoshopados” (photoshopados? Oh Robinson...) vai um passo, e daqui à pressão para se ser uma instamum vai outro passo, e daqui para chegar à depressão e desejar nunca vir a engravidar novamente vai outro.

 

Mas as coisas até começam bem... aquela “celebridade” com barriga lisa antes e depois do parto surge como a inspiração... o problema surge é quando passamos o nosso tempo a olhar a inspiração - que virtualmente continua inspiradora - e a nossa forma física continua deplorável, aos olhos da instamum. Aos olhos da instamum, porque aos olhos de um indivíduo normal é um físico... normal?

E há instamum que goste de se sentir gorda, sem poder partilhar as fotos da boa forma no facebook, quando a cunhada de cinco em cinco minutos mostra aquele corpo invejável e só pariu há uma semana?

 

A verdade é que existem casos em que a depressão é tal que as senhoras se esquecem do que é uma gravidez e do que é real e não é! Existem situações em que as depressões arrasam o casamento. Deixar que as redes sociais, as opiniões dos grupos de pseudo-amigos contagiem o bem-estar das mães é um passo atrás, inclusive no ser mãe e no ser mulher! Mesmo os pseudo-detentores de opinião não são "ninguém", quando muito... são um canal para ajudar ao nosso pensamento e, ter tempo para pensar, é fundamental. Caso contrário, entraremos na desculpa da falta de tempo, mas aí faço minhas as palavras de Steinbeck quando dizia que a ausência de tempo para pensar era o equivalente ao não ter vontade de pensar.

 

Sejam mães e não queiram ser estrelas, se eu pudesse escolher, era o que eu fazia... e provavelmente não seria o meu filho que faria de mim uma estrela. Deixem de passar horas a fazer scrolling (o típico sobe e desce com as páginas de internet) às outras mães no computador, no tablet ou smartphone e sejam mães!

 

E porque não escolher não querer engravidar? É um direito, e honestamente louvável, tendo em conta que existe gente a mais neste mundo! Digam que sou egoísta mas... analisem os números e veremos quem está a ser mais egoísta na equação.

 

A gravidez é uma escolha, é uma fase e uma das coisas mais normais no reino animal. Estar grávida é a coisa mais normal do mundo! Estar gorda por causa da gravidez, cheia de estrias, flácida, desesperada, cansada, irritada é a coisa mais normal do mundo! Comer doces e milhões de porcarias que nunca se comeriam antes é a coisa mais normal do mundo (se tivermos dinheiro para tal)! E não minhas senhoras, quem já teve filhos não é a única pessoa a saber tudo sobre crianças como também o vosso bebé quando nasce não é lindo. Não é... é feio, cor-de-rosa, a maioria das vezes, mas fica bem dizer “ai que bonito bebé sai ao pai”! Um dia ainda me terão de explicar como é que olham para um bebé com horas e dizem estas coisas! E não, ninguém é perfeito, só serão perfeitas se pagarem a alguém para espalhar que vocês são perfeitas.

 

Em conclusão, minhas senhoras se existir quem não goste das vossas estrias, das vossas peles, da vossa irritação, do vosso mau-humor, honestamente... fizeram um erro de cálculo na escolha do pai e daqueles que vos rodeiam.

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 Fonte das Imagens: Própria

 

Após tomarmos um chá na Sala dos Embaixadores, o Zagal convida-me para um passeio pelo complexo. Interessante ouvir este guerreiro que demonstra uma vontade inultrapassável de defender o reino a todo o custo, inclusive encontra-se disposto a matar o sobrinho Boabdil se tal for necessário.

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O Zagal conta-me a história de Boabdil, “El Chico” que à nascença trouxe marcada a queda do reino. Fala-me das indecisões e da aproximação ao reino de Castela a que também fui aludindo ao longo desta aventura. É alguém apaixonado pelo seu povo e isso nota-se pela forma como trata os guardas do palácio, com um respeito e nobreza tais que ficamos sem saber quem é o verdadeiro Governador do Reino.

 

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Saímos da Sala dos Embaixadores e caminhamos um pouco. O Zagal, perante a minha admiração e encanto com aquela infraestrutura, olha-me e esboça um sorriso – estranho vindo de tão nobre e duro guerreiro – penso que aprecia esse meu encantamento.

 

É lado-a-lado que entramos no Pátio dos Leões, o símbolo máximo do apogeu da Dinastia Nasrid a grande herança de Muhammad V, a conclusão e mescla de todos os estilos do Alhambra num local mágico. Este pátio, que fica ao centro do Palácio dos Leões, tem a sua linha de água que alimenta uma fonte mágica suportada por majestosos leões que a guardam dos mais ousados usurpadores.

 

Fico sem palavras e confesso ao Zagal que fiquei a entender o porquê deste lutar com toda a sua força na defesa de Granada.

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Abdicar de tamanho tesouro seria uma tremenda loucura.

 

As salas que ladeiam o pátio são algo que nos transporta para um outro mundo, que nos fazem sonhar e indagar se estaremos mesmo no planeta terra ou na Ásia.

 

Sou levado para a Sala dos Reis, o Zagal percebe que tem de me puxar pelo braço, tal o meu espanto, mas aí... espera-me outra grande surpresa. As pinturas, a planta longitudinal e a imaginação a permitir-me vislumbrar as recepções que ali teriam lugar, os turbantes, a mescla de vestidos e a habitual agitação e simpatia daquele povo. Contudo, sou alertado pelo Zagal... diz-me que nem tudo é tão belo, posto que, foi no Pátio dos Leões que muitos perderam a vida em disputas dinásticas e intrigas palacianas. Alerta-me, aliás, que estamos prestes a entrar numa das mais importantes salas do Palácio dos Leões: a Sala dos Abencerrajes. Conta-me o Zagal que foi aqui que ordenou a ida do irmão, Abén Hacen, para Salobreña e que, também foi aqui que teve grandes disputas com o sobrinho Boabdil.

 

O que o Zagal não me confessou, foi que ele e o irmão haviam sido os responsáveis pela morte da família dos Abencerrajes por serem uma família forte e poderosa do reino e também por serem uma ameaça à governação destes, sobretudo depois da revolta de Málaga em 1469. Todavia, esta é uma discussão que ainda hoje perdura, pois Irving, nos Contos de Alhambra, afirma que o assassinato foi ordenado por Abu Nasr Sad, conhecido como (Ciriza). Diz-se que, à época, o sangue dos mortos foi tanto que tingiu a transparente água do Pátio dos Leões de vermelho...

 

Noto a respiração do Zagal a acelerar e uma certa dureza no rosto, pelo que agora sou eu quem o guia para a Sala das Duas Irmãs.

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Aqui nos sentámos a contemplar o espaço, sobretudo a cúpula moçárabe que se desenvolve com base no conhecido Teorema de Pitágoras.

 

O silêncio passou a reinar, ambos ficamos perdidos nos nossos pensamentos, o Zagal a pensar no futuro do seu reino, ou talvez no triste episódio que não me relatou e eu... eu fiquei a tentar reconstruir esse acontecimento tendo como base a pintura de Marià Fortuny que se encontra no Museu Nacional de Arte da Catalunha e que não é nada mais nada menos que “La Matanza de los Abencerrajes”.

 

 

 

Para os recém-chegados a esta aventura:

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/aben-hacen-e-zahara-17518

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/el-zegri-e-ronda-18287

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/salobrena-e-a-morte-de-aben-hacen-19240

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/cordoba-o-quartel-general-cristao-19524

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/malaga-o-inicio-das-hostilidades-20973

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/malaga-o-desastre-e-a-capitulacao-21257

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/da-serra-nevada-e-das-alpujarras-se-22619

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/granada-cada-vez-mais-perto-23369

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/o-alcazaba-do-alhambra-e-a-inspiracao-24720

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/a-conversa-com-o-zagal-na-sala-dos-25527

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O Taxista, a Ilda e o Cemitério dos Olivais.

por Robinson Kanes, em 20.03.17

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 Fonte da Imagem:http://news.maisturismo.pt/sites/default/files/styles/large/public/field/image/taxis_in_portugal2.jpg

 

Sexta-feira, 17 de Março... um tempo abafado, aquele que se encontra junto ao Coliseu de Roma antes de uma grande chuvada. Eu encontrava-me dentro do carro junto ao Cemitério dos Olivais, em Lisboa. Não é a mesma coisa mas ambos exalam histórias de morte.

 

Sentado dentro do carro a ultimar um documento no computador e eis que ao meu lado estaciona um táxi! Um Mercedes daqueles beges que muito circula pelas nossas cidades. Do lado do pendura uma senhora jovem. Uma senhora jovem que baixou a cabeça e desviou o olhar da minha pessoa, uma senhora jovem daquelas que não quer ser vista no local errado à hora errada. Do lado do motorista sai o estereótipo da classe: sujeito de grande perímetro abdominal, despenteado, com um certo ar de sabujo, calças de tecido castanho e uma camisa aos quadrados qual pescador da Nazaré. Os sapatos pretos, gastos e em bico fecham o leque da indumentária.

 

Dou por mim a observar aquela personagem a dirigir-se para umas árvores que existem junto ao muro e eis que me deparo com o indivíduo a baixar um pouco as calças e a começar a urinar... os primeiros a não gostarem da invasão de espaço foram os pombos que esvoaçaram de imediato, quiçá para cima de uma campa. Ainda ouvi um deles murmurar: “a nós matam-nos porque urinamos e defecamos em todo o lado!”. Também me custa a entender porque é que existem pessoas que compram calças com braguilha se depois não dispensam o ritual de desapertar o cinto e baixar as mesmas para urinar.

 

A distração de ver um indivíduo a urinar à minha frente atrasou a minha observação de que o mesmo se encontrava também  a urinar à frente da senhora que se encontrava no carro e... enquanto me interrogava acerca do cavalheirismo de tão perdigueira personagem, eis que ouço um berro do mesmo enquanto mantinha a mão no órgão: “ooooooh IIIIIIIIIIIIIIlda eh eh eh”.

 

“Oh Ilda eh eh eh!”, dá que pensar se chamava pela esposa, pela senhora que se encontrava no veículo ou então também seria um daqueles sujeitos que dá um nome ao pénis. Sempre me interroguei o que leva um homem a chamar nomes ao pénis, então quando estamos perante diminutivos... e não, não tentei fazer uma piada com a palavra diminutivo.

 

O urro que ecoou pelo estacionamento levou a que dois cães a ladrar se dirigissem àquela personagem... confesso que pensei: “ai agora à conta do cota é que eu vou partir o caco a rir” e desejei até que os cães atacassem aquela criatura, afinal... teatro sem alguma tragédia, não é teatro.

 

Todavia, talvez pelo cheiro da urina ou pelo “ai ai ai aiiiiiiiiiiiiiiiiiiii” que o indivíduo soltou, os cães lá travaram a marcha. De regresso ao carro (ainda a puxar as calças para cima), a tradicional e já considerada Património de Interesse Nacional... cuspidela para o chão seguida do não menos tradicional destravar do veículo antes de ligar a ignição. 

 

Fiquei a pensar... vivemos, somos enterrados e ainda corremos o risco de um indivíduo com ar de braco alemão urinar no solo sob o qual jazemos. Quero ser cremado.

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