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Autor: Anónimo. 

Fonte da Imagem: Própria.

Já muito se havia falado, aquando dos incêndios, que o Estado havia falhado e que não poderia garantir um dos seus pilares fundamentais: a defesa do seu território e dos seus habitantes. No entanto, ainda podíamos falar de Estado.

 

Por estes dias, os portugueses descobriram que afinal o Estado não existe, perceberam que são meros animais de quinta governados por porcos. As leis de financiamento dos partidos, que já não são uma questão nova (não são, nada disto é novo), continuam a ser actualizadas e a não ser esquecidas numa gaveta, ao contrário do que acontece com temas que envolvem a defesa, a segurança, a saúde e um outro sem número de interesses bem mais importantes para um Estado Democrático.

 

Muitas vezes, recordo alguém que abandonou a vida de deputado e disse que se os portugueses soubessem o que se fazia naqueles corredores e naquele hemiciclo, subiam as escadarias e incendiavam aquele espaço com os respectivos frequentadores habituais lá dentro.

 

As várias leis de financiamento e "encobrimento" das actividades partidárias têm sido um dos maiores crimes que são cometidos em Portugal. O legislar à porta fechada - muito democrático - o retirar conteúdos de actas - muito democrático também - é uma das provas cabais da falta de transparência destes processos. Neste aspecto toda a representação parlamentar é criminosa e espanta-me que os auto-intitulados partidos do povo e das minorias como o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda sejam sempre os primeiros a consentir e a legitimar estas mesmas leis. Será que o povo para estes partidos são aqueles que têm cartões de militante? Discutir esta situação seria desvendar um dos maiores embustes da actividade partidária nacional... Outro embuste é discordar de uma lei mas votar a favor, sobretudo quando nos beneficia: Catarina Martins, só assinou aquilo que toda a gente sabe mas ainda ninguém do Bloco de Esquerda tinha sido claro a afirmar:o Bloco de Esquerda não é uma alternativa a nada, bem pelo contrário!

 

Os partidos, os deputados e muitos governantes, mostraram aos portugueses que o Estado Democrático não existe e que no fundo, dar liberdade para se falar é indiferente quando aqueles que defendem a transparência e as instituições democráticas não são ouvidos... A diferença entre não ser ouvido ou ser poribido de falar é ténue... Aliás, a primeira é mais eficiente, pois quando somos proibidos de falar, tendemos a quebrar a regra ou a fugir para terras mais seguras e aí continuar a fazer ouvir a nossa voz... Já quando podemos exercer a nossa liberdade de expressão mas ninguém nos ouve é mais fácil silenciar um povo e a contestação. 

 

Portugal substituiu uma ditadura por outra e com o consentimento de todos os cidadãos! Nesse aspecto, foi um golpe de mestre, pois se antes tinhamos cidadãos oprimidos e cuja repressão aumentava o desejo de revolta, hoje temos cidadãos que tranquilmente seguem na dança da morte quais figuras da "Danse Macabre" que decoram a igreja de Saint Orien em Meslay-le-Grenet, França. Um pequeno apontamento: de facto o 25 de Abril nem foi feito pelo povo mas sim por militares do quadro que, perante a escassez de milicianos, não quiseram colocar os pés em África e entregar-se a uma possível morte.

 

Portugal é o país onde alguém que à frente de uma instituição de solidariedade é destruído na praça pública, mas que protela a resolução dos problemas estruturais ao mais alto nível da governação e que aplaude a compra de 10% dos activos de um banco por parte da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa num negócio pouco claro e cujo poder político teima em não abordar. É o mesmo país que censura as finanças em Espanha por quererem prender um jogador de futebol português - pensando que anda por terras lusas e ainda goza com a autoridade - porque fugiu aos seus deveres como cidadão. É um país que se ergue e não descansa enquanto não vê o sangue de alguém que escreveu meia dúzia de alarvidades num acórdão mas não critica a sentença em si, a consequência do processo! Todavia, é um povo que aceita a corrupção numa governação que, apesar do que tira, distribuiu pequenas migalhas e procura estar em tudo qual Estado paternalista. 

 

É o país que consente que o cartão partidário se alimente do seu suor e do seu esforço.

 

Em Portugal, 2017, deveria ter sido um ano de mudança, não só pelos escândalos e por todas as tragédias que tiveram lugar, no entanto, temo que 2017 venha a ser o ano em que Portugal chegou à conclusão que o Estado Democrático não existe e que já não é o país que não se governa e não se deixa governar, mas sim o país de casca polida mas podre por dentro que aguarda com rasgado sorriso pelo colapso. Por norma, nestes países de gingões cujo labreguismo é disfarçado pelo show-off, a longo-prazo, estas coisas pagam-se caro...

 

Espero que 2018, finalmente, traga cidadãos... É o que mais falta faz... Feliz Ano Novo...

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51 comentários

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De Happy a 29.12.2017 às 10:56

Concordo com o teu texto. Falta cidadãos de sangue na guelra. E que não ficam no sofá no dia das eleições. Ou na praia.
Estamos mesmo entregues aos bichos...
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De Robinson Kanes a 29.12.2017 às 13:18

A grande questão é que o voto já não tem força praticamente nenhuma... Talvez a abstenção seja a verdadeira demonstração de que as pessoas não acreditam nos partidos habituais...
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De Psicogata a 29.12.2017 às 11:37

Que 2018 traga discernimento e clarividência a todos para combatermos este cancro a que chamam de democracia.
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De Robinson Kanes a 29.12.2017 às 13:19

De todos, é o melhor sistema, no entanto, está doente e com metáteses por todo o lado...
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De Psicogata a 29.12.2017 às 15:07

Está manipulado e de democrático só tem mesmo o nome.
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De Robinson Kanes a 29.12.2017 às 15:21

Esta situação é uma daquelas em que é mais grave do que parece... Na medida em que tem leis que a legitimam...
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De Psicogata a 29.12.2017 às 16:14

Estou consciente disso, mas creio que muitas pessoas não :(
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De Robinson Kanes a 29.12.2017 às 16:44

Ou não querem estar...
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De Psicogata a 29.12.2017 às 17:06

Essa é a velha questão, é um ciclo vicioso que é necessário quebrar, as pessoas não percebem, são enganadas, os políticos fazem o que querem, as pessoas desligam da política, porque os políticos são todos iguais, as pessoas não percebem o que eles fazem e então não querem saber e assim sucessivamente.
É mais ou menos isto.
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De Robinson Kanes a 30.12.2017 às 16:51

Sem dúvida :-)

Feliz Ano Novo... De preferência com mais Justiça :-)
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De Psicogata a 03.01.2018 às 09:25

Feliz 2018 :)
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De Bruxa Mimi a 29.12.2017 às 11:46

Fazes-me sentir pequenina, muito pequenina, quando publicas textos destes. Obrigada por pores tantos pontos nos ii.
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De Robinson Kanes a 29.12.2017 às 13:19

Obrigado...

Pequenina? Pelo que leio para os teus lados não é isso que vejo :-)
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De Bruxa Mimi a 29.12.2017 às 13:56

Obrigada, mas para os meus lados não vês textos de análise da atualidade... Passa-me quase tudo ao lado (ou não fosse eu "alheia a tudo...")!
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De Robinson Kanes a 29.12.2017 às 14:08

Mas isso não significa que sejas mais pequena :-)
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De Bruxa Mimi a 29.12.2017 às 15:15

No geral, talvez não, mas neste âmbito concreto... significa, sim! Mas obrigada, mais uma vez, pela simpatia das tuas palavras.
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De Robinson Kanes a 29.12.2017 às 15:21

Eu é que agradeço a simpatia e a visita :-)

Feliz Ano Novo,
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De Bruxa Mimi a 29.12.2017 às 16:59

Para ti (e para os teus) também!
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De C.S. a 29.12.2017 às 12:33

Que irritação...
O problema é Portugal (bem sei que não é o único) ser um país de políticos e políticas corruptas!
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De Robinson Kanes a 29.12.2017 às 13:20

E vai continuar a ser enquanto estas situações passarem impunes...
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De Maria a 29.12.2017 às 13:41

Acho que este terá sido o ano do "conformismo"... não espero nada melhor.
Adorei a frase "são meros animais de quinta governados por porcos" ;)
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De Robinson Kanes a 29.12.2017 às 13:49

Sou um optimista-pessimista, e não me quero ver obrigado a concordar contigo, mas...

Roubei a ideia ao Sr. Orwell :-)
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De Marta Elle a 29.12.2017 às 15:25

Quando há eleições voto sempre. Também assino petições que me parecem justas.
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De Robinson Kanes a 29.12.2017 às 15:38

Votar já não parece resolver os problemas...
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De Marta Elle a 29.12.2017 às 19:12

Eu sei, mas sempre é uma tentativa.
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De Robinson Kanes a 30.12.2017 às 16:26

É melhor que não fazer nada :-)
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De Rita PN a 29.12.2017 às 16:25

Adorei a referência ao "Triunfo dos Porcos" de Orwell de onde destaco " Todos os animais são iguais. Mas uns são mais iguais do que outros", perfeitamente atual, tal como "
Os animais que estavam lá fora olhavam dos porcos para os homens, dos homens para os porcos e novamente dos porcos para os homens; mas já não era possível dizer quem era quem.”

E por aqui me fico.
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De Robinson Kanes a 29.12.2017 às 16:44

E está tudo dito :-)
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De HD a 29.12.2017 às 20:34

Muita coisa a mudar e pouco a guardar com boas memórias... -.-
Um feliz 2018, meu caro! :-)
Abraço
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De Robinson Kanes a 29.12.2017 às 21:00

Sim, porque se vê pouca coisa a mudar.

Um Feliz 2018 para si também engenheiro.

Um Abraço,
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De Maria Araújo a 29.12.2017 às 20:59

Um boa síntese do que foi, tem sido e é este país que orgulhosamente muitos se gabam, certamente os que mais têm que se lhe diga, sejam eles políticos, seja o povo chico-esperto..


" ...de facto o 25 de Abril nem foi feito pelo povo mas sim por militares do quadro que, perante a escassez de milicianos, não quiseram colocar os pés em África e entregar-se a uma possível morte."

Foi um baque que me deu de tão reais que são estas palavras.

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De Robinson Kanes a 29.12.2017 às 21:02

Não foi só, foi também por uma ou outra questão política, mas o essencial passou por aí.

Por isso, enquanto os interesses de meia-dúzia com poder não forem suficientemente fortes para pedir mudança, tenho dúvidas que alguém se mexa para exigir uma coisa tão simples que é a Democracia.
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De cheia a 29.12.2017 às 21:46

Um país encarcerado , por partidos, que se julgam donos e senhores do Povo, cujo lema é: quero, posso e mando.
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De Robinson Kanes a 30.12.2017 às 16:27

E isso só acontece quando o povo é apático...

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