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Um Feijão Frade no Deserto...

por Robinson Kanes, em 31.10.16

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No âmbito do desafio lançado pela colega Mami, eis-me aqui a falar sobre um Feijão Frade no Deserto. Sim... eu também pensei algo como: "que coisa mais parva!".

 

Já imaginaram a vida de um feijão frade? Acredito que já todos pensámos em tal manifestação de existência. A vida do feijão frade é antiga e digna de uma verdadeira diáspora, ou não fosse este oriundo de África e tenha agora uma comunidade por todo o globo. Por pouco não se chamava rabi ao invés de frade...

 

Colhido seco, ou vai para uma embalagem para posterior venda ou é imediatamente cozido e fechado numa lata com outros tantos amigos e familiares da mesma colheita... estão a ver um autocarro da Carris em hora de ponta? Algo como isso, mas menos doloroso.

 

No entanto, o que vos vou contar é uma história que tem sido passada de geração em geração em muitas famílias da mais alta elite - a história do feijão frade que acabou no deserto. Poderia ter acabado numa salada de atum com cebola e salsa, mas aqui tudo foi diferente...

 

Este feijão frade cresceu num pé de feijão em Morogoro, na Tanzânia. No primeiro dia em que teve oportunidade de ver o sol, foi imediatamente colhido e metido num enorme cesto de palha. Na viagem para o barco, os feijões mais velhos contavam histórias de arrepiar - feijões que eram comidos em restaurantes de má fama, feijões que passaram da validade e acabaram com falta de ar, feijões até, que foram atirados pela pia da cozinha e acabaram por morrer moles e afogados numa ETAR - histórias terríveis.

 

Contudo, numa escala em Casablanca, o nosso feijão e outros tantos foram colocados em camiões para serem transportados por essa via para a Europa, mas na verdade o destino do nosso feijão seria outro.

 

Quando, num percurso esburacado e sob uma tempestade de areia, o saco que transportava o nosso feijão, já de si mal fechado, caiu e espalhou milhões de feijões pelo chão, este nunca esperou que acabaria de aterrar em pleno Saara.

 

Tinha sido transportado durante centenas de quilómetros até ficar sozinho no deserto. E também no deserto a vida não foi fácil. No primeiro dia, não fosse o vento e seria comido por uma cobra e no segundo quase que fora sugado por areias movediças.

 

Procurou água, contudo cedo percebeu que água e feijão são uma combinação letal e que provoca uma moleza extrema nesta espécie de semente. O deserto, apesar de monótono, era cheio de perigos e nem uma lata de marca branca para servir de abrigo surgia no horizonte.

 

Triste e aborrecido, este nosso feijão procurou uma saída. Desejava que o seu destino fosse a Europa onde seria consumido num glamoroso restaurante de Paris ou Londres. No entanto, ali naquele local seco e sem fim, via a sua vida desperdiçada e elevada ao nível daqueles feijões que são comidos com atum de lata num qualquer café central, sem qualquer requinte e reconhecimento.

 

Desiludido por vaguear solitariamente por bancos de areia, por dunas infindáveis, cansado daquela vida errante eis que se abandonou ao absurdo. Acabaria engolido por areias movediças.

 

Mas a história não acaba aqui.

 

Ao contrário do que esperava, não sufocou. Lá em baixo uma pequena corrente de água passava e, contra todos os medos aí se encostou e adormeceu. Dormiu dias a fio e eis que um dia deu consigo a acordar cheio de raízes a sair do seu pequeno corpo. Fechou os olhos novamente, sorriu... e adormeceu para sempre.

 

Foi o primeiro pé de feijão do deserto, um pé de feijão que fez nascer outros tantos feijões e que transformou aquela zona inóspita, para sempre num jardim. Um jardim, que se transformou num enorme oásis e alimentou um sem número de povos do deserto que até aí lutavam por comida.

 

Fonte da fotografia: Jornal de Oleiros, 2016

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Para não tornar o meu blog tão sério é preciso desanuviar, pelo que decidi escolher um tema que não arrelia ninguém.

 

Em Portugal é proibido criticar (criticar não é dizer mal) algumas personagens da cena musical e não só. Se for entre amigos ainda pode ser que tal seja permitido, mas nunca com uma "assinatura" por baixo. Se falarmos nos músicos e cantores do pós 25 de Abril é um cair de críticas e de ameaças que só iriam terminar com a detenção do autor num qualquer estabelecimento prisional de alta segurança - sem esquecer um certo apaladado rótulo de... fascista.

 

Mas também existem os mais recentes - aqueles que, ou por bons conhecimentos no show biz nacional, ou por terem bons amigos na comunicação social nos são impingidos diariamente como os melhores da música portuguesa - e ai daquele que diga o contrário...

 

Hoje vou reflectir sobre dois...

 

Rui Veloso

Experimentem dizer a um portuense que Rui Veloso não é o Eric Clapton português.

 

Rui Veloso tem boas letras, muitas delas obra de Carlos Tê, mas aquela voz e  aquele sotaque? Ai Robinson que andas a gozar com os sotaques! Negativo, até porque também acho que a música portuguesa cantada, sobretudo em Pop e Rock não soa bem a muitos ouvidos. Temos de ser sinceros e os nórdicos são os primeiros a reconhecer que cantar naquelas línguas não é garantia de sucesso na cena internacional.

 

Rui Veloso demonstra espírito, faz aqueles esgares, mas a voz deixa muito a desejar, além disso não tem postura de rockeiro em palco e fico sempre com aquela sensação de que está a fazer um frete.

 

Estar ligado aos anos 80, faz com que muitas das pessoas que sentiram de perto os ritmos do músico na juventude não queiram arriscar dizer que talvez tivessem ido longe demais nesse sentimento de paixão pelo cantor. Hoje, Rui Veloso critica o mediatismo que muitos outros músicos têm e não deviam ter, mas esquece que foi essa mesma fonte que o ajudou a chegar onde chegou. Até Isabel Silvestre consegue ter algo mais para mostrar e com sotaque.

 

António Zambujo

Fui uma das pessoas que não gostando do estilo de António Zambujo também não lhe prestou grande atenção... opções pessoais.

 

Mas num país pequeno como Portugal, quando algo está a dar muito que falar é impossível aguentar  tamanho ruído,  “injecção” de informação e promoção sobre determinado indivíduo ou acontecimento. Foi assim que já não aguentando a pressão, um dia não mudei a estação de rádio no carro e ouvi o senhor... uma coisa é não gostar, outra é dar oportunidade para ouvir.

 

Se não gostava do estilo, muito menos fiquei a gostar do músico... aquela voz a tremer, a entoação e a desafinação... Escutem com atenção e sejam genuínos na análise, mesmo que gostem do senhor. Isso não invalida que denotem as fraquezas.

 

Dizem-me: “Robinson, não vês que é um estilo Bossa Nova e até com uns toques de Fausto?”. Pode ser, mas Fausto está esquecido (infelizmente), Bossa Nova resulta como... Bossa Nova. Não me façam gostar de algo que tem uma máquina mediática por detrás a passar a imagem de que gostar de António Zambujo é digno de qualquer pseudointelectual que se preze e de um português moderno que rompe com um passado balofo... não é. É mais do mesmo, mas fica cool dizer que se adora António Zambujo e se é um indivíduo esclarecido e amante da sua cultura. Além disso, não coloquem este senhor como uma lenda do fado, não é... 

 

Aliás, se no Património Material da Humanidade é proibido fazer alterações que comprometam a identidade do espaço, no Imaterial também o é...

 

Fica o aspecto positivo de trazer um “novo” estilo, que independentemente de gostar ou não, não devo negar que é algo...

 

Um fim de semana afinado...

 

Fotografias: Wikipedia

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A Pensar Vergílio Ferreira....

por Robinson Kanes, em 27.10.16

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Lembro-me, mais uma vez, dos 100 anos de um dos romancistas e ensaístas máximos da nossa escrita: Vergílio Ferreira. 

 

O escritor que para muitos é recordado pela Aparição, a obra do “eu”. No entanto, cingir a obra deste a Aparição é mais que redutor.

 

Também me lembro, há uns tempos, de numa reunião de trabalho em que, após ter enviado um incentivo aos meus colaboradores acompanhado de uma citação de Vergílio Ferreira, tenho uma daquelas conversas com um daqueles indivíduos (cinzentos?) que encontramos na nossa vida profissional e onde sou confrontado com a seguinte afirmação: “Deves ter a mania que sabes muito. Aqui, isso vale zero e digo-te já: não gosto de Vergílio Ferreira!”. Na verdade, não temos todos de gostar do mesmo, caso contrário eu teria respondido: ”bem... também não gosto de si”. Aí o bom senso desaparecia sob a forma de palavras e acabaríamos numa cena de pancadaria onde um de nós seria mais louco que o Carolino enquanto o outro tomaria a forma masculina de Sofia e acabaria morto às mãos do primeiro (Vide a tal Aparição...).

 

Questionei o mesmo acerca do conhecimento da obra do autor e eis que este me diz que tinha lido “esse gajo” na escola.

 

Gajo! Segundo os dicionários da Porto Editora gajo é: pessoa incerta cujo nome não ocorre ou não se quer mencionar, sujeito, fulano, indivíduo, tipo ou então em tom mais pejorativo indivíduo velhaco, astuto, espertalhão, finório. Caramba, gajo pode ser um indivíduo finório... estamos sempre a aprender e doravante olharei para o conceito de outra forma: “aquele gajo é tramado, quem diria... o finório!...”.) Nada de novo. Indaguei: “Aparição?”. Resposta afirmativa. Questionei se tinha percebido a obra, pois nem eu a percebi numa primeira leitura ainda na minha juventude. Fiquei a saber que não a conhecia, pois escapou à leitura e com sorte no exame lá teve aquele golpe de sorte e não escolheu o Vergílio.

 

Fez-me lembrar aqueles pessoas que dizem não gostar de cabeças de peixe, mas depois provam e... voilá! Até aquela parte mais gelatinosa toma outro gosto. Não? Experimentem cabeça de mero, divinal, ou a de um pargo mulato se estiverem num navio em plena costa da Mauritânia e este tiver sido acabado de pescar. Que andaste a fazer na Mauritânia num navio de pesca de arrasto? Boa pergunta, mas fiquem com ela, não tenho assim uma tão vasta e influente rede de contactos que me permita escrever artigos em revistas e dar um colorido a experiências marítimas que de... colorido têm muito pouco... ou talvez até tenham, a pensar...

 

O Vergílio, sim... Hoje já me alonguei tanto que depois temo adquirir um discurso tão lamacento que vos faz ler outros artigos mais motivacionais. Já chegaram aqui? Haja paciência. Contudo, concluo dizendo que em Vergílio Ferreira encontramos talvez alguns dos antídotos para tornar o nosso quotidiano, em trabalho ou não, em algo mais produtivo, quer em rácios de produção, quer em rácios de satisfação pessoal, senão vejamos:

 

"Não tenhas pretensão de ser inteiramente novo no que pensares ou disseres. Quando nasceste já tudo estava em movimento e o que te importa, para seres novo, é embalares no andamento dos que vinham detrás. Nas provas de atletismo, em que se passa o testemunho, quem recebe esse testemunho tem de estar em movimento, que é o movimento de quem o passa. Senão ele passa e tu ficas e quando enfim o alcanças, partes já atrasado”(in Pensar, edição Quetzal de 2013, vide pág. 186).

 

A pensar...

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O expoente das redes sociais em contexto online tem sido alvo de múltiplas análises, não só do ponto de vista mercantil (não é disso que falarei) mas também social... social, na medida em que tem consequências nos indivíduos e sobretudo no modo como estes podem se afectados por uma espécie de falácia no processo de democratização. Tentarei não abrir demasiado o espectro e cingir-me, por exemplo, ao LinkedIn e ao mercado de trabalho.

 

Ainda tempo para uma nota: não foram as redes sociais que tiveram impactes e consequentemente alteraram o modo de vida em muitas sociedades... foram também os indivíduos que provocaram transformações nas mesmas - culpar ou elogiar este género de plataformas tendo apenas como base os aspectos técnicos das mesmas é falacioso, até porque quem controla os conteúdos são os utilizadores, sobretudo ao nível das publicações e das motivações.

 

Do ponto de vista da sociedade, e numa visão antropológica que tem como base as pessoas e até a própria Economia Social e Solidária, se os “utópicos” destas plataformas defendem que, com estas se abriu o leque de oportunidades para os mais desfavorecidos, também é verdade que aqueles que ocupam uma melhor posição social e económica na sociedade adquiriram um meio que lhes dá maiores e melhores oportunidades no mundo das redes sociais online. Em relação aos primeiros, factores como a idade, o rendimento, a literacia, o nível de inglês (aqui uma realidade interessante, pois é fácil perceber quais as línguas dominantes) a incapacidade motora ou cognitiva e a localização (mais periférica ou não) têm um efeito dramático no modo como esse, apelidado, processo de democratização se dá.

 

Contudo, muito do discurso ainda passa por afirmar que com as redes sociais é possível promover o empowerment e a força colectiva/cidadania que desafia o sistema e combate a desigualdade. Sim, também é, mas também é preciso um conjunto de valores e conhecimento que nem sempre estão presentes.

 

Mas vejamos, uma das mais-valias é sem dúvida a hipótese de, em canais como o LinkedIn e não só (o YouTube é outro exemplo), ser possível aceder a conteúdos educativos low cost e até, mais eficientes que conteúdos pagos e prestados por instituições offline - é um facto de que nem tudo é negativo e permite que aqueles que não podem pagar para aprender possam conseguir algo sem afectar a sua auto-estima e vida futura. Estará contudo, nomeadamente o mercado de trabalho, apto a reconhecer muitas dessas qualificações informais? E como é que este mercado filtra essas mesmas capacidades perante aspectos educacionais e técnicos mais formais? Estará um potencial recrutador disposto a desenvolver um processo de tal modo trabalhoso, mas por sua vez desafiante (e de uma riqueza humana enorme) ao ponto de desvendar estas diferentes oportunidades? Numa era em que o facilitismo ganha algum destaque ainda podemos, e devemos, ficar esperançados.

 

Um outro ponto é a questão social propriamente dita - é possível (e cada vez mais possível) criar uma imagem, ou vender a mesma, e com isso obter uma espécie de imagem/mobilidade social nem sempre baseada em factos verídicos. Em alguns casos, estamos perante uma forma de colmatar os constrangimentos económicos, sociais e humanos de ascender socialmente/profissionalmente com um capital cultural e social que mais facilmente é ludibriável. É possível criar uma imagem totalmente falsa e obter os louros de uma presença online direccionada para determinado objectivo.

 

Do ponto de vista profissional e da pirâmide social, as redes sociais exercem, em muitas culturas, uma tamanha pressão sobre os indivíduos para que usem as mesmas (mais uma vez, o online só transpôs as regras). Este estado da arte justifica-se pelo facto dos indivíduos ficarem sujeitos a uma situação mais vulnerável ou até de serem confrontados com uma posição de desigualdade face aos demais. São várias as pessoas com quem tenho conversado que referem ter certas redes sociais online (e até offline), sobretudo profissionais, por uma questão de obrigação/pressão.

 

Mas o processo e os limites democráticos das redes sociais online, acabam por não ser diferentes das redes sociais offline. Quantas opiniões, gostos e formas de vida não são, todos os dias, colocadas em causa por aqueles cujo acesso a estas redes é mais facilmente proporcionado? Um exemplo está relacionado com as relações laborais e com a própria posição no mercado laboral: existe uma clara tendência para que indivíduos com algum “poder” (ou sensação de tal) se associem a outros e com isso criem redes de influência que não só criam pequenos domínios de opinião, mas que também acabam por afastar de grupos, debates e até da nova Ágora indivíduos de posições mais baixas ou cujo capital de favorecimento não vai de encontro a certos parâmetros.

 

Se por um lado o acesso é democrático, pelo outro cria-se um afastamento e até um nefasto sentimento de inferioridade por parte daqueles que encontram nas redes sociais mais entraves à livre-expressão das suas ideias do que propriamente uma porta aberta para adquirirem conhecimentos, cultivar a aprendizagem e criarem redes de contactos que lhes permitam vingar social e profissionalmente. A não ser que só procurem uma namorada no Facebook.

 

Uma nota positiva para um case study relacionado com a realidade chilena (Haynes, N. Forthcoming. Social Media in Northern Chile. London: UCL Press), onde o conceito de solidariedade (que em nada está relacionado com aquele que escutamos todos os dias) está bem vincado na sociedade. Neste caso, as redes sociais são um óptimo canal de partilha e apoio entre os cidadãos mais desfavorecidos. Foi "permitida" a ascensão de indivíduos e grupos que, na pobreza, encontraram uma forma de demonstrar que nem tudo tem de ser mau e que em muitos aspectos são adquiridas competências, forças e comportamentos que são um verdadeiro exemplo para aqueles que julgam viver fora dela ou que, efectivamente, vivem em situações mais desafogadas. Toda esta matéria, trabalhada e transposta para as redes sociais, criou uma espécie de corrente que valoriza aqueles que menos têm, mas mais que isso, valoriza a aprendizagem e as competências que os tornam capazes de assumir posições ou desafios que exigem capacidades humanas, sociais e até técnicas que nenhuma escola de gestão poderá ensinar.

 

Fonte da Imagem: http://socialmedia.lbl.gov/wp-content/uploads/sites/24/2015/07/Empty-Beakers-960-Final1.jpg

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Momento Lamechas... ou Não...

por Robinson Kanes, em 22.10.16

Hoje é Sábado e chego à conclusão que sou a única pessoa em Portugal a achar que o António Zambujo desafina imenso...

 

 

Em Portugal dizer que não se gosta (não é dizer mal) de certos indivíduos gera sempre uma massa democrática desejosa de me enviar para a Coreia do Norte... portanto, se alguém partilhar da minha inquietação que sinalize. Também não gosto do estilo musical do senhor, mas isso é uma preferência minha...

 

Mas o que verdadeiramente importa é que parece inverosímil que também tenha sentimentos, mas na verdade até os tenho, pelo menos alguns... e hoje é Sábado.

 

É Sábado, chove e fiquei um pouco lamechas. Sim, vou cair naquele momento em que faço uma sugestão musical e pedir-vos que neste dia, onde a chuva desce desvagar pela janela com vista para o Tejo, escutem o Our Love is Easy da Melody Gardot...

 

Every time we meet it's like the first we kiss
Never growing tired of this endlessness
It's a simple thing, we don't need a ring
Our love is easy

 

Porque não partilharem a janela, pegarem nestas palavras e atirarem-nas cheias de sentimento à vossa cara metade? (Sim, fechei o espectro, hoje é para os amantes). 

 

É mais fácil do que parece... Tentem...

 

Ah! Tenho de colocar aqui o Youtube da música não é? Um momento e... aqui está ele, perdoem mas prefiro CD -sim, old school e tal...

 

 

 

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Se já não Confiamos...

por Robinson Kanes, em 21.10.16

 

Não é um post sobre política, não é isso que pretendo, apesar deste blog não ter limites na temática e, na verdade, não vou discutir política defendendo este ou aquele, mas do ponto de vista do impacte da mesma na nossa sociedade, subentenda-se sociedade portuguesa.

 

Num destes dias reparei que Portugal, no âmbito da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) é o segundo país, atrás da Eslóvenia, onde a população menos confiança tem naqueles que governam.

 

Aliás, o gráfico que apresento(fonte: OCDE) demonstra bem esta triste realidade, sobretudo se tivermos em conta que a tendência é de decréscimo nessa mesma confiança.

 

Mas, tenho agora de colocar esta questão: num país onde a esmagadora maioria das pessoas não exerce direito de voto, num país onde a esmagadora maoria das pessoas não confia no poder político e num país de índole democrática, não há nada que se faça para mudar esta situação?

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É um facto que somos um povo que exige demasiado do Estado, fomos levados a acreditar que houvesse o que houvesse o Estado estava lá para ajudar, desde as organizações empresariais até ao cidadão. Somos também um povo que procura um nível de vida bem acima das capacidades individuais, familiares e obviamente do próprio país. Estes  argumentos, entre outros, podem justificar tamanha decepção e falta de confiança, mas…

 

Mas perante isto vejo os cidadãos insatisfeitos com a realidade do país, a economia estagnada e uma total ausência de acção por parte da comunidade civil e nem falo dos “suspeitos do costume” ou de associações que no fundo procuram exercer os seus lobbies e bem… é natural que cada um defenda as suas causas.

 

Neste contexto, fica a questão, o que é que cada um de nós, cidadãos, pode fazer? Será que este desinteresse também pode significar que não estamos assim tão mal e que só damos azo ao “queixume” que tem caracterizado o português moderno?

 

Deixo espaço para que cada um pense e voltarei ao mesmo muito em breve, sinto que é importante reflectir sem qualquer índole partidária e com um pensamento focado no cidadão e na sustentabilidade do próprio país e das suas instituições… no fundo, perceber o que é que cada um de nós pode fazer.

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ONG, bom ou mau?

por Robinson Kanes, em 19.10.16

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Como é que se fala com uma ONG (Organização não Governamental)? Costumo colocar esta questão múltiplas vezes e chego à conclusão que existem ONG’s que fazem um papel extraordinário e com impactes directos e indirectos na vida dos cidadãos ou animais... mas...

 

... existe uma grande massa de ONG’s que provavelmente existe porque... simplesmente existe... ou é uma óptima forma de promoção dos seus “associados” ou, em último caso, piscam o olho ao tão desejado subsídio.

 

Falo de algumas experiências que me chegaram de colegas e amigos que sempre que tentam o contacto com algumas destas instituições obtêm um silêncio que se arrasta por emails e emails, sem esquecer os telefonemas e um “simpático desprezo”... também já passei por tal.

 

Experimentem, muitos de vós conseguir um emprego, mesmo quando é raramente publicitado, em algumas destas organizações e... vejam o resultado.

 

Eu quero acreditar que estão todos na rua a ajudar o próximo e não dispõe de tempo para responder àquele que lhes remeteu um email à procura de emprego, ou simplesmente quer apresentar um projecto. Em alguns casos, até para se ser voluntário é uma aventura e... em muitas delas é importante estar-se bem relacionado. Ainda me recordo de um episódio ocorrido durante um jantar em que falando de voluntariado fui abordado por um amigo que imediatamente se prontificou a arranjar aquela cunha na instituição “y”... segundo ele era uma óptima forma de entrar na política e fazer o tão aclamado... personal branding.

 

Pergunto-me, para que servem? Porque existem? Se têm um fundo de apoio social cultural ou cívico, porque não prestam retorno perante a abordagem de terceiros? Falta de meios poderá ser a resposta... sim, mas a falta de meios servirá de desculpa para não olhar, ou ignorar potenciais projectos que podem mudar a vida de muitas pessoas ou até de regiões inteiras? Não é esse o trabalho destas instituições?

 

Mas alguns poderão afirmar: “algumas delas até fazem alguma coisa”. Sim, fazem. Mas em tempos de escassez de recursos, sobretudo económicos, não seria interessante aplicar os fundos em projectos cujo impacte justificasse a intervenção? Schindler dizia que “quem salva uma pessoa, salva o mundo”... de facto, mas o contributo de 10 milhões ao invés de ser aplicado para a salvação de 1000, deve continuar a ser aplicado na salvação de 1? São questões com as quais vamos ter de nos debater mais cedo ou mais tarde.

 

Os recursos são escassos e a solidariedade dos cidadãos começa a ser cada vez menor devido à ausência de resultados visíveis que vão além de campanhas que promovem o “ajudamos X pessoas” mas por aí se perdem.

 

Não deverá também o cidadão exigir mais destas instituições, nomeadamente em termos de apresentação de resultados e que vão para além de balanços e demonstrações (o que já é algo), muitas vezes revestidos de manobras contabilísticas?

 

Não deverá, em muitas situações, o cidadão exigir um trabalho com mais empowerment ao invés do perpetuar de situações de pobreza, decadência ou deterioração com medidas paliativas que só prolongam a situação até ao colapso final?

 

E os cidadãos? Em que medida podem trabalhar bairro a bairro, comunidade a comunidade, para eles próprios serem agentes geradores de mudança?

 

(imagem: Steps of Justice, 2016)

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Estamos quase no Natal (é verdade, já vi aqueles tradicionais bolos em alguns hipers), época de excelência para a solidariedade. Mas será que conhecemos bem o conceito de solidariedade? A solidariedade passa somente por... dar? Aí falaríamos de Dádiva (para uma abordagem inicial a este tema recomendo vivamente o clássico Ensaio Sobre a Dádiva de Mauss) e Reciprocidade mas penso que o sapo não conseguiria aguentar tanta matéria nos seus servidores e com toda a certeza ainda iríamos acabar por perceber que dar e dádiva são duas coisas que nem sempre caminham na mesma linha de actuação.

 

O Natal (em Outubro a falar do Natal, enfim...) é uma época de explosão consumista e à qual a solidariedade não é alheia. Mas a "solidariedade" que praticamos no Natal passa pelas boas acções de dar e com isso ficar perfeitamente tranquilo enquanto abrimos aquele presente... aquela mala caríssima, na noite de consoada, que daria para alimentar 100 pessoas no Sudão durante 2 anos. Não sou a miss mundo, logo também não vou explorar esta temática, pelo menos desta forma.

 

A solidariedade é algo que tem de viver connosco e não ser somente uma apropriação das instituições sociais ou até de indivíduos que no fundo procuram fazer algo pelos outros ou que encontram esse conceito uma vez por ano, sobretudo durante esta época. Pensem no trânsito (aqueles que conduzem)... e depois digam-me se são pessoas solidárias... excepto aquela senhora com ar simpático e um look atraente que me deu passagem à saída do IC2 para o Parque das Nações: se estiver a ler estas palavras, sim é para si. Até porque aquele indivíduo de SUV insistia em não me deixar entrar.

 

A solidariedade como instrumento, não de dar... por dar, mas de fazer algo. De criar um caminho. Falo sobretudo de iniciativas que visam não só capacitar mas dotar aqueles que mais precisam, não só de conhecimento teórico, mas acima de tudo de instrumentos, meios e acesso a financiamento (fora das instituições sociais, sempre que possível) que permitam o desenvolvimento de negócios e a promoção da sua inclusão. Meios que promovam a sobrevivência destes projectos com a autonomia dos próprios e sem a presença de estruturas de apoio (que por vezes são também causadoras de entropia).

 

Aí somos transportados para uma verdadeira prática solidária, sobretudo de nível económico, em que organizações empresariais colaboram numa lógica de parceria e partilha, fazem trocas comerciais e alteram o conceito de financiamento para o conceito de geração de negócio, de estar no mercado de igual para igual, com uma vocação mais humana, mais social e comunitária mas, mesmo assim competitivas. Organizações em que os seus gestores ou colaboradores são remunerados pelos dividendos gerados pelos seus negócios. E nesse campo, também é o desenvolvimento de uma prática solidária, que faz sentido, que tem impacte nas pessoas e na comunidade, que gera retorno e sobretudo que fomenta a autonomia dos envolvidos no processo de decisão do seu futuro e da sua vida. Organizações que podem dizer: o fruto do nosso trabalho gera X de retorno sem o receio de falar de valores monetários.

 

Muitos dirão que pode ser um discurso sem nexo e contra tudo o que é a solidariedade. Diria que também pode ser verdade, mas importa lembrar que é mais fácil enterrar a cabeça na areia e defender que a causa social não é um negócio (que o é, e em alguns casos, altamente lucrativo) e bloquear iniciativas de mercado cujo impacte na comunidade é de tal modo positivo que a geração de dividendos é somente o lado menos visível da actuação de muitas organizações empresariais.

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Os Empregados de Mesa não são Sacos de Boxe!

por Robinson Kanes, em 13.10.16

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Em Portugal existem algumas elites que, em meu entender, merecem um forte agradecimento - que vai para além do reconhecimento institucional das organizações empresariais e também de falsas manobras publicitárias.

 

Refiro-me aos políticos, aos directores de grandes empresas, aquele amigo que nos arranjou um bom trabalho mesmo sem termos competências para o mesmo, e os futebolistas. Não! As personagens desta peça são outras.

 

Prefiro mencionar os empregados de mesa, os empregados de limpeza (inclui aqueles senhores que nos limpam os vidros e aquelas senhoras que aguentam a nossa falta de higiene e cuidado quando almoçamos no shopping...), as pessoas que nos limpam as ruas e os operacionais de super e hipermercados, entre outros e que dão o melhor de si para que a nossa vida seja mais agradável e sem percalços.

 

Dirão: “e? Isso qualquer um faz!”. É um facto, “então porque não faz você?”. Direi eu... eu que ainda sou do tempo (estou mesmo a envelhecer) em que cozinhar era uma tarefa pouco nobre, agora é algo só ao nível de grandes mestres.

 

Já tive oportunidade de viajar , de conhecer diferentes abordagens e perceber que, se não temos os melhores empregados de mesa do mundo e talvez o melhor atendimento ao cliente nas grandes superfícies não andamos muito longe da perfeição. Não vou nomear cidades europeias nem fora da Europa sob pena de ser injusto com muito boa gente que também dá o seu melhor além fronteiras.

 

Mas o paradoxo atinge o seu expoente máximo de... estupidez (perdoem-me o termo) quando “desancamos” aquele simpático senhor que nos serviu um saboroso café, mas por lapso lá se esqueceu da colher. No entanto, elogiamos (porque aí já é no estrangeiro) aquele antipático senhor que nos atirou um prato para cima da mesa, não se esforçou em compreender a nossa língua, não nos cumprimentou, ficou de mão estendida à espera de gratificação e ainda nos tratou com algum desprezo . Não fica bem dizer que as coisas correm mal quando estamos fora do nosso país, isso dá a impressão que a culpa até foi nossa ou que não temos uma história fascinante para contar.

 

Este reconhecimento necessita de ter a sua origem no cliente, que insiste em não reconhecer muitos destes trabalhadores. Isso pode ser até um grande passo para o reconhecimento por parte dos líderes das organizações empresariais. E não basta espalhar que temos admiração pela pessoa que trabalha muito e só aufere €530.00 por mês. Vamos lá, até a Miss Universo consegue melhor.

 

A grande maioria não é a mais bem remunerada, mas mesmo assim têm uma capacidade de sorrir e de nos envolver emocionalmente no processo de compra . E, sejamos honestos, sorrisos e um total envolvimento não é muito comum.

 

Atentemos nos indivíduos que, por vezes até auferem um vencimento superior e ocupam posições com maior destaque mas que, ao invés do título de assistente de loja ou vendedor, têm o de Account Manager, Sales Manager ou Chief Operations Officer - neste campo existem centenas de exemplos que poderia mencionar, sobretudo de supervisores e directores incapazes de resolver situações perante o cliente e que só são devidamente soluccionadas pelo colaborador da linha da frente - o soldado raso que dá o corpo às balas, utilizando aqui um termo militar.

 

Todavia, importa não esquecer que em combate ninguém dá o corpo às balas só porque se pode cometer um acto heróico. É necessária uma estratégia e, acima de tudo, estar preparado. Não entendamos os peões como mera “carne para canhão” pois estão ali, muitas vezes, verdadeiros estrategas.

 

Importa não ver estes indivíduos como sacos de boxe como muitas vezes tenho presenciado – discussões inúteis, desprezo, sobranceria e até um assustador sentimento de superioridade em relação a estes (esquecemos que são pessoas e cujo trabalho muitas vezes até é bem mais honroso que o nosso e não podemos descurar que operacionalmente fazem um esforço que muitos de nós não faríamos... ou não conseguiríamos).

 

E sim, eles estão a fazer o trabalho que lhes compete, mas também elogiamos um médico quando ele nos avalia e nos receita uns comprimidos para a nossa doença - afinal também é pago para isso a não ser que se trate de um espécie de João Semana.

 

Da próxima vez que a nossa postura seja a de estar mal com a vida, estar mal connosco próprios ou questionarmos o porquê de termos sido castigados pelos deuses tal qual Sísifo, vamos agradecer e elogiar aqueles que nos servem com um sorriso no rosto e, mesmo perante o nosso estado depressivo ou agressivo, vão servir-nos aquele fantástico Bacalhau com Natas. Aquele bacalhau que nos vai fazer tão bem depois de uma manhã em que a vontade de enfrentar um processo judicial por ter eliminado alguém da face da terra nunca esteve tão presente.

 

Os mais casmurros dirão, como o fez Ehrenreich numa visão mais individualista, que agradecer, por exemplo, pode ser algo egoísta em prol do nosso próprio bem-estar. A resposta, nesse âmbito, é simples: se o nosso bem-estar gerar o bem-estar de outrem, porque não? A força maior está naquilo que Robert Emmons defende, ou seja, que a gratidão assenta no facto de reconhecermos a nossa ligação ou até mesmo dependência em relação a alguém ou ao trabalho desse alguém.

 

Mas a senhora da limpeza hoje estava de mau humor! Soa a cliché, mas a resposta óbvia é: comportamento gera comportamento e sempre somos humanos... temos emoções. No dia em que todos esquecermos isso então já não podemos falar em Humanidade e será absolutamente necessário partir no encalço de um novo conceito.

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Numa organização empresarial é comum, senão directiva, assumir que todos os colaboradores, todos sem excepção, são a face e a imagem da organização. O dress code é um dos exemplos mais comuns, ou então a postura perante as redes sociais de não comentar factos que não abonem a favor da organização. No entanto, ainda são algumas as violações, não só da imagem da organização mas também dos valores, ética e compromisso para com esta, o que por norma se reflecte em resultados de vendas.

 

Neste âmbito, e posto que poderia ser alargado a outras áreas dentro das organizações, esta abordagem assenta na actuação dos departamentos/responsáveis de recursos humanos. É imperial reconhecer que os colaboradores desta área devem ser dos mais motivados e esclarecidos dentro de qualquer entidade, afinal são eles a porta de entrada na mesma.

 

Podemos recorrer a vídeos brilhantes com o intuito de captar talentos e com isso projectar a imagem de que acolhemos os melhores e lhes proporcionamos condições que fazem de nós um exemplo de boas práticas. A todo este trabalho não serão subtraídas outras repercussões nomeadamente ao nível da Responsabilidade Social Corporativa (esta deve começar sempre dentro das empresas).

 

Em suma, todo este caminho para chegarmos à conclusão de que não faz sentido algum, por exemplo, ter alguém a fazer Screening ou Recruitment e que se encontra pouco preparado ou até aborrecido com o seu local de trabalho sob pena de termos falhas gravíssimas que se podem perpetuar por meses ou até anos. Permitam-me, neste sentido, o choque quando vejo juniores (sem acompanhamento) ou até seniors com anos de experiência mas pouca preparação e fraca sensibilidade a gerirem processos de recrutamento, não só de cargos de responsabilidade mas também com grande exigência ao nível da especialização. Serão muitos aqueles que apontarão custos e alguma arrogância da minha parte, no entanto responderei como Camus na Queda: “meu caro amigo, não lhes dêmos pretexto para nos julgarem, por pouco que seja, senão ficamos em frangalhos”.

 

Aquando de um processo de recrutamento, e no fundo é aqui que assenta o problema deste artigo, a face comercial, a face de toda uma organização é representada pelo departamento ou colaboradores da área de recursos humanos.

 

Tudo começa no anúncio, quando se publica a oferta, que não é raro apresentar um copy-paste de outros anúncios sem olhar às especificidades do perfil pretendido ou então, ainda mais calamitoso, a presença de erros crassos de ortografia. É a partir daqui que a venda da imagem da nossa organização já está a ser mal concretizada, sobretudo em termos de qualidade e rigor. Acresce ainda que os filtros em relação ao perfil não irão ter qualquer efeito.

 

Mas, imaginemos, o nosso candidato remete a sua candidatura e o que surge não é mais que um email automático (o que já não é mau) ou uma total inexistência de retorno por parte do recrutador. Peguemos na segunda hipótese: “não há tempo nem disponibilidade para responder a tantos candidatos”; “já tenho o que preciso, não preciso de me preocupar com aquilo que não me trará nada de novo”; “não temos recursos para tanto” e por aí adiante. A oferta de desculpas é vasta, basta optar por uma. São estas as respostas mais comuns, no entanto aceitaríamos as mesmas se as utilizássemos face a um potencial cliente que nos abordasse com o intuito de contratar um dos nossos produtos ou serviços?

 

Contudo, voltemos ao nosso candidato que até foi convocado para uma entrevista, que fez um enorme jogo de cintura para estar presente na mesma, até porque se encontra a trabalhar. Nessa fase depara-se com uma postura arrogante e por vezes até agressiva (não confundir com rigorosa ou exigente). Acresce o facto de ter tido a divina honra de avançar no processo de selecção e sentir na pele tudo o que isso acarreta quer profissionalmente quer emocionalmente. No entanto, eis que.... silêncio, ausência de resposta ou algo totalmente inócuo.

 

“Compreendo como, não compreendo porquê” diria Orwell. Não compreendo porquê, mas deixámos o nosso cliente à espera e completamente ao abandono. O que fazer? Esperar que este se deixe levar pela narrativa das publicações que nos dizem que é preciso ter paciência e ai daquele que provoque a “Real Entidade Empregadora”? Acreditar que se abrirmos um novo processo este voltará? Afinal tendemos a encarar que o mercado de trabalho é assim mesmo. Atenção, mais do que nunca, muitos são os candidatos que identificam estas red flags.

 

Mas na realidade é que, chegados a este patamar, já fomos contra todos os valores, ética e cuidado que as pessoas/clientes nos merecem. Ali estão potenciais clientes, potenciais divulgadores da nossa marca. É crescente o número de indivíduos que tende a deixar de adquirir produtos ou serviços de determinada organização somente porque tiveram uma má experiência num processo de recrutamento, isto sem olvidar aqueles que carregarão uma má publicidade e não hesitarão em espalhá-la por todos os recantos da "cidade". E mais que clientes, não estaremos a descurar futuros parceiros da nossa organização que poderão um dia estar numa outra entidade com a qual possamos ter interesses comerciais? Quem nos garante que, no futuro, não possamos vir a ter necessidade desses preciosos perfis? “Perfis há muitos” diria o actor, mas atenção, bons perfis escasseiam.

 

De facto, a necessidade, para muitos, de um emprego a qualquer custo é uma realidade, mas não podemos esquecer que os candidatos também são nossos clientes e por isso devem ser tratados como tal, até porque não conseguimos medir com precisão o impacte da sua “não procura” em relação aos nossos serviços/produtos.

 

Para muitos departamentos, responsáveis e demais colaboradores da áreas de recursos humanos, uma atitude mais comercial passaria pela excelência no serviço, tal como numa boa venda e consequente satisfação por parte do cliente.

 

Podemos ir até mais longe e acreditar que, para muitas organizações, estas práticas seriam simples e agradáveis formas de Responsabilidade Social Corporativa.

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