Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Testemunhas da Perseguição...

por Robinson Kanes, em 21.04.17

IMG_2287.JPG

 Rembrandt Harmens Van Rijn, O Sacrifício de Isaac - Pormenor (Alte Pinakothek)

Fonte da Imagem: Própria

 

Não sou Testemunha de Jeová (TJ). Também reconheço que existem coisas que me deixam a pensar no que a este movimento concerne (admito que talvez por alguma falta de informação) e... também conheço muitas TJ e nunca tive nada a apontar às mesmas. Posso ter algumas questões, mas não posso negar a cordialidade, a simpatia e o reconhecimento que já tive por parte deste movimento, aliás, num dos casos até pela cúpula da própria organização a nível mundial!

 

Foi no dia 20 de Abril de 2017, ou seja, ontem, que um tribunal russo sentenciou o fim deste movimento naquele país. Para os mais esquecidos, não foram somente os judeus a serem perseguidos durante o regime Nazi. Durante este regime, também os homossexuais, os ciganos, muitos povos eslavos e outros foram perseguidos. Aliás, um dos alvos foram também as TJ que agora testemunham uma repetição da História... é interessante perceber que a História se repete tantas vezes. Sou obrigado a recorrer-me de um dos mais actuais escritores/pensadores: Aldous Huxley. Este dizia-nos que "talvez a maior lição da História seja que ninguém aprendeu as lições da História". Mais uma vez não aprendemos a lição e vemos a História a repetir-se, sobretudo porque não existe sequer um argumento válido ou sequer uma ameaça de conspiração.

 

Estamos a entrar em terrenos pantanosos, sobretudo quando os já referidos nazis são sempre o bode expiatório. Nunca percebi porque se fala tanto dos Nazis e não se fala do Estalinismo ou até de outros regimes que fariam Kim Jong Un parecer o Peter Pan. Podemos alegar que as TJ são uma comunidade perigosa e com as quais é preciso cautela... mais aí podíamos falar de tantos outros grupos, associações, clubes e outras organizações que. Não vejo nenhuma acção nesse sentido. Podíamos falar da questão das transfusões de sangue, e que, para mim, cabe a cada um decidir o seu destino. No caso português, por exemplo, um juiz pode, tratando-se de um menor, decidir em nome da família.

 

Esta perseguição sem sentido pode abrir portas a outro tipo de perseguição e criar também um case study a ser seguido por outros países. Em nome da liberdade, estamos a perseguir inocentes, quais anos que se seguiram à Queda da Bastilha e que de Liberdade tiveram pouco... ou até demais... 

 

Estamos a perseguir "potenciais criminosos" sem acusação formada e fundamentada... e sempre que isto acontece, o resultado pode ser catastrófico. Espero que os tiroteios em França, não desviem a atenção deste facto...

 

Bom fim de semana e que não continuem a testemunhar retrocessos civilizacionais...

 

Fontes da notícia: www.reuters.com e www.jw.org

Autoria e outros dados (tags, etc)

IMG_6645.JPG Fonte das Imagens: Própria

 

Com o acampamento católico a sofrer com as chamas, Boabdil e Muza não perderam tempo e aproveitaram o mesmo para, logo no dia seguinte, atacar os cristãos.

Ao que se sabe combateu-se corpo-a-corpo em cada pedaço da vega de Granada. Não houve um jardim, uma horta, a sombra de uma árvore, um pedaço de chão que não tivesse absorvido o sangue daqueles bravos guerreiros. Segundo Frey António Agápida, até um embaixador francês que se encontrava do lado católico ficou pasmado e teceu um rasgado elogio aos guerreiros mouros que combatiam como ninguém depois de 10 anos a somarem derrotas atrás de derrotas e a perderem soldados e reis.

 

Contudo, do lado de Castela e Aragão a artilharia e o número de homens disponíveis era francamente superior e a batalha acabou com o recuo de Boabdil (que quase fora capturado) e Muza para dentro das muralhas da cidade. Em resposta, o rei católico decidiu erguer uma cidade, mesmo ali em frente a Granada: Santa Fé.

 

IMG_6428.jpg

Esta afronta de D. Fernando II, aliada ao corte das vias de abastecimento à cidade (onde o Marquês de Cádiz mais uma vez mostrou a sua valentia) e à ausência de apoio por parte dos reis berberes e do sultão do Egipto (a ausência de um porto onde estes pudessem atracar os seus reforços não permitia tal apoio) levou Boabdil a convocar um conselho. Aí, reuniu os melhores guerreiros, os melhores filósofos e políticos da cidade e, perante as condições de miséria e estado das tropas, todos se decidiram pela rendição! Todos... excepto Muza! Muza, mostrou o guerreiro que era, e tivesse entrado mais cedo na guerra, talvez as coisas tivessem sido diferentes! Exortou ao levantamento, à força, assumiu que todos os seus soldados estariam preparados, levantou o ânimo, admitiu recrutar e distribuir armas por cada habitante da cidade capaz de lutar. Muza colocou-se como sendo o responsável por guiar todos os esquadrões, de lhes indicar todos os caminhos, de levar todos à vitória ou à morte, mas de jamais entregar a cidade e o reino!

 

IMG_6564.jpgSegundo os relatos da época, perante este discurso, que não venceu o desespero dos sábios e dos governantes de Granada, Boabdil comoveu-se e caiu num silêncio que só terminou com a ordem de rendição. 

 

Foi enviado o Governador da cidade, Abulcasim Abdel Melic, que negociou os termos da rendição. Estes termo abrangiam a entrega da cidade, a libertação de presos católicos, os direitos  dos habitantes de Granada, a vassalagem perante a coroa de Castela e Aragão e a concessão de terras para os dois lados. 

 

Aquando do seu regresso e da apresentação das condições ao soberano de Granada, mais uma vez Muza, mostrou de que sangue era feito e, enquanto todos os outros desesperavam em lágrimas, este exclamou:

"deixemo-nos senhores de inúteis lamentações, próprias de mulheres e crianças; somos homens e tenhamos coração, não para verter tristes lágrimas mas sim o nosso sangue. Observo que o ânimo de todos está de rastos, que é impossível salvar o reino. Todavia, resta uma alternativa aos espíritos nobres: uma gloriosa morte! Sucumbamos defendendo a nossa liberdade e vingando os desastres cometidos contra nós! A nossa terra-mãe receberá no seu solo os seus filhos, livres das correntes e humilhações dos conquistadores e se alguém não encontrar sepultura onde enterrar os seus restos mortais, não irá carecer de um céu que os cubra. Alá não permitirá que se diga que os nobres de Granada tiveram medo de morrer na defesa do reino!"

IMG_6293.jpg

 Estas palavras não surtiram efeito, pois para Boabdil e para os nobres de Granada o destino do reino estava escrito no livro desde que o primeiro nascera, contudo mostraram a raça de um homem como Muza e de como este era mais fiel ao reino que todos os nobres!

 

Para os recém-chegados a esta aventura:

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/aben-hacen-e-zahara-17518

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/el-zegri-e-ronda-18287

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/salobrena-e-a-morte-de-aben-hacen-19240

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/cordoba-o-quartel-general-cristao-19524

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/malaga-o-inicio-das-hostilidades-20973

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/malaga-o-desastre-e-a-capitulacao-21257

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/da-serra-nevada-e-das-alpujarras-se-22619

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/granada-cada-vez-mais-perto-23369

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/o-alcazaba-do-alhambra-e-a-inspiracao-24720

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/a-conversa-com-o-zagal-na-sala-dos-25527

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/ainda-com-o-zagal-o-palacio-e-o-26537

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/um-lanche-com-o-zagal-no-generalife-27602

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/entre-os-ataques-de-muza-e-as-facanhas-28754

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/granada-o-capricho-da-rainha-em-zubia-e-29976

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

E se as Redes Sociais Aumentarem a Privacidade?

por Robinson Kanes, em 18.04.17

laptop-with-hand-drawn-social-media-elements_23-21

Fonte da Imagem: <a href='http://www.freepik.com/free-vector/laptop-with-hand-drawn-social-media-elements_944027.htm'>Designed by Freepik</a>

 

No nosso país e numa sociedade ocidental é comum falar-se da privacidade como um aspecto que tem vindo a decair com o advento das redes sociais. No entanto, deixemos o nosso pequeno mundo e pensemos no caso chinês ou até de muitos países do sudoeste asiático.

 

Na China, por exemplo, as redes sociais, ao invés de serem um foco de devassa da vida alheia, funcionam exactamente ao contrário. Em países como a China é comum que famílias inteiras durmam no mesmo quarto, que partilhem os mesmos espaços, que vivam com outras famílias em comunidade e sem qualquer preocupação com a privacidade. Eu tenho amigos e já tive vizinhos chineses e foi possível comprovar isso! Para a China tradicional, guardar um segredo, é basicamente esconder alguma coisa má! Ou seja, quem tem segredos... não é de confiança.

 

Em suma, as redes sociais, maioritariamente, não servem como uma espécie de montra para os indivíduos. O viver bem com a sua família, com os seus amigos e com a comunidade deixam de lado esse género de preocupação - essa preocupação que para nós, sobretudo portugueses, é tão importante. Seria necessário uma outra abordagem e estudos, mas provavelmente ouso questionar se no caso ocidental não existe mais insegurança, medo e solidão do que no caso Chinês em que é exactamente ao contrário. Essa necessidade de mostrar e de aparecer não vem de todo de um bem-estar consigo próprio e com a comunidade.

 

No caso da China - e com a margem de erro devida pois trata-se de um país enorme e com diferenças abismais entre as diferentes regiões – as redes sociais são o local ideal para preservar a privacidade. São o local onde muitas pessoas partilham aquilo de que tem medo e choca a sua própria comunidade, são também o local onde podem ter os seus segredos, mas mesmo assim é comum que diferentes indivíduos troquem até as suas senhas de acesso às diferentes redes sociais.

 

É uma situação curiosa e que coloca noutro patamar a questão do impacte das redes sociais nos indivíduos e na cultura dos povos e, mais uma vez, reforça que não são as redes sociais que fazem os indivíduos, mas os indivíduos que fazem as redes sociais.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Cabrito à Padeiro na Máquina de Lavar...

por Robinson Kanes, em 17.04.17

5.jpg

 Fonte das Imagens: http://gray-design.squarespace.com

 

Querida, hoje preparo o jantar, uso o programa para comida delicada?

 

2.jpgEsta pergunta pode acontecer em breve na medida em que, Liora Rozin, da Academia de Artes e Design Bezalel, em Jerusalém, decidiu criar uma embalagem de vácuo à prova de água e que serve para... cozinhar!

 

É simples, chega-se a casa, tira-se a comida do frigorifíco, coloca-se o saco na máquina de lavar roupa e voilà... um manjar dos deuses temperado com Ariel Líquido e um toque de Soflan, para a carne não ficar muito rija.

 

3.jpg

O segredo para poupar energia e tempo nos fornos tradicionais, segundo os criadores deste produto, é colocar a comida na máquina e escolher um programa de longa duração para tecidos sintéticos! Já estou a imaginar um entrecosto a saber a cuecas DIM (e não são novas) ou então a sulfato de peúga com aroma de suor de camisa de algodão da boutique ciganal.

 

Sim Robinson, isso é tudo muito bonito mas... e os vegetarianos? Esses também são abrangidos, eu respeito todas as religiões! Para os vegetais, nada como um programa de curta duração para tecidos de algodão! Cuidado é com a quantidade de anticalcário que colocam, pode ficar demasiado sensaborão.

 

Não tem nada que saber, além de que os sacos trazem instruções bem claras de como cozinhar aquele pitéu!

 

Agora já não há desculpa para quem não gosta de cozinhar nem de lavar a roupa! Aliás, enquanto vão às compras, até podem deixar a comida a fazer naquelas máquinas de lavar que existem agora espalhadas um pouco por todo o lado, depois é so recolher, estilo take-away.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Boa Páscoa e Esqueçam as Cruzes!

por Robinson Kanes, em 13.04.17

Untitled.png

Michelangelo Merisi da Caravaggio, A Deposição de Cristo (Museus do Vaticano)
Fonte da Imagem: Própria

 

Pois é, católicos e não católicos e... católicos não praticantes que é a mesma coisa que não católicos mas com o lado bom de ser católico quando dá jeito, especialmente nos feriados.

 

Vem aí a Páscoa e, embora não vá muito à Igreja, confesso que esta época vale sobretudo pelo facto de podermos reflectir e estar com a família ou com aqueles de quem gostamos. Também tendo a pensar no crucificado que nasceu há 2017 anos e nos insistem em dizer que morreu por nós. Se morreu por nós não deve ter servido de muito, até porque o que não falta são cruzes por ocupar e outras tantas que foram sendo ocupadas. 

 

Mas a Páscoa é sobretudo isso e, embora não esteja por terras portuguesas, devo dizer que pode ser um tempo para telefornarmos àquelas pessoas de quem gostamos ou que já nem telefonamos há séculos... eu sei que isso se faz no Natal, mas... porque não na Páscoa? Será porque nesta época não se dão presentes ou porque aquela mensagem não tem impacte:

 

 

 A família Martins deseja a todos os seus amigos uma santa e feliz Páscoa, pois estamos sempre a pensar em vocês, mas só conseguimos comunicar convosco quando aproveitamos a mensagem de felicidades da mãe do Carlos e direccionamos para todos os contactos. Que continuem a ter um bom ano, no Natal, como vossos amigos que somos voltaremos ao contacto.

 

Aproveitem a Páscoa como qualquer outra época, aproveitem-na e vivam-na intensamente. Não pensem tanto na cruz e pensem no modo como o crucificado se pôs a andar e ninguém deu por ele, aliás, até hoje não lhe encontraram o rasto... acredito que terá pensado, certamente, que tinha carregado a sua cruz e que cada qual agora que carregasse a sua - "já me tramasteis muito, mas a mim não me tramais mais".

 

Feliz Páscoa... e até segunda...

 

E a melhor banda sonora para a Páscoa não podia deixar de ser a obra-prima de J. S. Bach: "A Paixão Segundo S. Mateus", bem a propósito. Vale cada minuto das quase 3 horas de duração... mesmo para quem não gosta.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Azores Airlines Rallye

por Robinson Kanes, em 12.04.17

IMG_1526.JPG

 Fonte das Imagens: Própria.

 

Como sei que existem aqui alguns seguidores apaixonados pelos motores e pelo desporto automóvel e... porque há duas semanas apeteceu-me interromper o café e fotografar algo de diferente, deixo aqui uma nota de uma iniciativa que ocorre todos os anos em São Miguel e que tende a ser encoberta por outras modalidades e outros expedientes - O Rallye Açores, ou como é denominado oficialmente "Azores Airlines Rallye" (AAR).

IMG_1487.JPG

O AAR é uma das provas mais bonitas e disputadas do mundo, ou não se realizasse no paraíso mais apetecível da terra, os  Açores! Do ponto de vista desportivo, a prova está inserida no " FIA European Rally Championship", ou seja, algo que nos deveria orgulhar a todos. A isto acresce o facto de ser uma competição muito próxima dos espectadores, contudo, sem colocar em risco a segurança destes!

IMG_1478.JPG

Para a ilha de São Miguel e para o arquipélago é uma oportunidade única de divulgação e de encaixe financeiro. Um outro ponto alto são as imagens, algo de facto apaixonante. Quando a prova é seguida de helicóptero a respiração tende a ser diferente e não é por estarmos no ar, é mesmo pelas filmagens e fotografias que se conseguem de tão bela ilha, de tão belo paraíso. Ainda me questiono como é que aguentamos 6 a 8 horas num voo para coisas tão banais e esquecemos este arquipélago... do meu ponto de vista, ainda bem. Acredito que os Açores são, sobretudo, para quem esteja num nível mais acima de desenvolvimento humano (e não estou a falar de dinheiro nem de intelecto).

IMG_1462.JPG

Ao que sei, no continente, é mais importante um jogo da décima quinta divisão de futebol, ou a pouca vergonha que envolve o futebol do que propriamente esta prova, contudo, a mesma foi amplamente divulgada fora de portas e sobretudo com acompanhamente total na Eurosport!

IMG_1547.JPG

Finalmente, parabéns ao vencedor, um português: Bruno Magalhães. Parabéns a todos os outros pilotos, pois é comum que nos cruzemos com um veículo de competição e este ainda nos ceda passagem ou agradeça o nosso civismo!

IMG_1537.JPG

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

IMG_6639.jpg

 Fonte das Imagens: Própria

 

É difícil ficar indiferente a Granada e a Rainha Católica não foi excepção. D. Isabel, apaixonada pela cidade, decidiu com a sua corte dirigir-se até Zubia para observar Granada com outros olhos, especialmente El Alhambra.

 

Contudo, ir até Zubia era um enorme risco, aliás, o bravo Marquês de Cádiz preveniu a rainha para esse facto, mas a mesma decidiu não ser demovida do seu capricho.

 

O resultado não poderia ter sido pior, temendo um ataque, a cavalaria moura saiu da cidade e partiu em direcção à guarnição católica. Apesar dos pedidos da rainha para que nenhum cavaleiro respondesse ao ataque, o combate e posterior evacuação do séquito foi inevitável. D. Isabel ainda tentou manter-se junto das tropas, mas foi obrigada a recuar quando à cabeça da cavalaria granadina se encontrava o grande Tarfe, o autor da provocação no acampamento cristão.

 

IMG_6477.jpg

 

Esta escaramuça saldou-se com um sem número de mortos e feridos de ambos os lados e só um reforço de cavalaria católica permitiu que ocorresse o pior. As perdas foram imensas, sobretudo de grandes cavaleiros da coroa de Castela. Perante esta tragédia, e com algum sentimento de culpa, a rainha, após a guerra, ordenou a construção de um Mosteiro na aldeia de Zubia e que ainda hoje aí se encontra.

 

No seguimento deste episódio, também o rei Fernando foi “castigado” pelo seu empreendimento de destruir o que ainda restasse de pastagens ou qualquer verdura nas imediações de Granada, como forma de vingar o ataque mouro. Na verdade, por acidente, a tenda da rainha foi atingida por um incêndio que se espalhou por todo o acampamento e os mouros só não atacaram porque pensaram tratar-se de uma artimanha por parte dos exércitos de Castela e Aragão.

 

IMG_6117.jpg

Granada, apesar de toda a destruição continuava bela com as suas ruas repletas de gente, com o bulício típico de uma grande cidade muçulmana. Boabdil, em pleno Alhambra, olhava com atenção todos os desenvolvimentos e finalmente começara a ganhar coragem para a grande batalha. Se há local onde os cobardes deixam de o ser e se tornam fortes guerreiros é no seu próprio lar. Ao apreciar das varandas daquele complexo toda a cidade e as suas gentes, terá encontrado aí a justificação para empreender um acto de valentia.

 

Para Boabdil seria impensável, mais uma vez, abandonar aquele fervilhar de vida, aquele lugar encantado que era o Albaícin e que tantas e tantas vezes o acolheu e defendeu contra as investidas do Zagal.

 

Ainda hoje, o Albaícin é um autêntico bairro mouro, com toda a sua arquitectura e vida a transportarem-nos para aqueles tempos. Boabdil ter-se-á recordado das épocas em que teve de fugir por aquelas apertadas ruas e por becos sem saída em que fora confrontado com as patrulhas do Zagal. Agora, já não era tempo de fugir!

 

Para os recém-chegados a esta aventura:

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/aben-hacen-e-zahara-17518

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/el-zegri-e-ronda-18287

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/salobrena-e-a-morte-de-aben-hacen-19240

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/cordoba-o-quartel-general-cristao-19524

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/malaga-o-inicio-das-hostilidades-20973

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/malaga-o-desastre-e-a-capitulacao-21257

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/da-serra-nevada-e-das-alpujarras-se-22619

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/granada-cada-vez-mais-perto-23369

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/o-alcazaba-do-alhambra-e-a-inspiracao-24720

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/a-conversa-com-o-zagal-na-sala-dos-25527

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/ainda-com-o-zagal-o-palacio-e-o-26537

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/um-lanche-com-o-zagal-no-generalife-27602

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/entre-os-ataques-de-muza-e-as-facanhas-28754

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tudo Normal...

por Robinson Kanes, em 10.04.17

Untitled.png

Vincent Van Gogh, O Salão de Baile em Arles (Museu D'Orsay)
Fonte da Imagem: Própria

 

Vivemos numa época em que tudo parece ser normal...

 

É normal que um sem número de indivíduos menores tenha 500 euros disponíveis (mínimo) para ir para Espanha consumir alcóol e drogas, praticar sexo desenfreadamente e não contentes com isso ainda possam destruir um hotel. É ainda mais normal que adultos reconheçam que pintar paredes, disparar extintores, partir vidros e simplesmente fazer barulho como se todos os outros indivíduos normais se tivessem de sujeitar à delinquência de meia-dúzia de filhos de outros pais é... normal. Pais que estão mais preocupados em alimentar a sua e a neofilia dos filhos do que propriamente lhes dar educação. 

 

É normal andarmos apoquentados com a luta pelo título de futebol e termos o fim de semana estragado porque meia dúzia de pessoas insistem em falar de guerra e agora se lembraram de falar mal dos delinquentes que envergonham Portugal. Afinal é normal dizermos que comportamentos (nem sempre educados) como os de Ronaldo e Mourinho são exemplos a seguir, os verdadeiros portugueses... a imagem de Portugal, é normal. Batemos palmas à falta de educação destes mas depois censuramos as crianças a quem dizemos que estes são o exemplo... é normal.

 

É normal querermos que os Admninistradores Executivos do Pingo Doce não ganhem milhões, mas não é normal questionar os movimentos salariais e outros que ocorrem no futebol... aliás, ainda batemos palmas.

 

É normal e vai passar a ser ainda mais normal que estejamos a tomar um café tranquilamente e nos entre um camião pela porta. É normal ouvir muitos portugueses dizerem que ficam assustados com este tipo de ataques porque assim já têm de mudar os planos de férias - eu quero lá saber de egipcios, suecos, franceses, alemães, israelitas, indonésios e outros, eu quero é ir passar férias sem ter de pensar em terrorismo. 

 

É normal que maior parte das pessoas com quem falo se diga não católica ou católica não praticante mas não abdique de um feriado religioso (que muitas vezes nem sabe a origem) para poder estoirar todo o salário de um mês - Retirar o feriado? É que nem pensar!

 

É normal que Estados Unidos ataquem a Síria, que Russos e Iranianos ameacem com retaliações e também é normal que uma frota de vasos de guerra norte-americanos se esteja a deslocar para águas do Mar do Japão.  É normal, até já "vi" este cenário em Espanha quando eclodiu uma Guerra Civil... com as consequências que veio a ter mais tarde.

 

É normal lamentarem-se tantas mortes, sermos tão solidários, mas no fundo não passarmos de egoístas que desejamos é ter distância desses cenários.

 

É normal continuarmos a alimentar guerras entre religiões (que nunca deram provas de nada - e aqui não questiono a fé) e não atentarmos em nós como homens (com prova cabal de existência) capazes de dirimir tantos e tantos conflitos. É como se a religião possa permitr que deixemos de ser homens e nos comportemos como autênticas bestas porque delegámos o controlo da nossa estupidez em alguém ou em algo que nunca vimos mas acreditamos que exista.

 

Mas, como já pensava outrora Vergilio Ferreira (in "O Existencialismo é um Humanismo"), talvez seja normal que me equivoque do que julgo que vejo...

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fim de Semana o Cão e o Ribatejo!

por Robinson Kanes, em 07.04.17

IMG_0422.JPG

Fonte das Imagens: Própria 

 

Com o fim de semana à porta, vem também a limpeza e o engomar. A isto, alia-se o limpar o carro, escovar o cão e...

 

Contudo, ultimamente denotei um pormenor. Tenho o hábito, sempre que estou a passar a ferro, de ouvir música. Isso não é novo. No entanto, tenho-me deparado que existem músicas que confortam mais o meu cão que outras. Por exemplo, reparei que Mozart não é o estilo do canídeo (excepto o Requiem). Todavia, se ouvir Rachmaninoff ou até Tchaikovsky o senhor da casa fica mais sereno e até parece apreciar as composições. Mas não é só música clássica! Uma das paixões do príncipe, e também minha, é Diana Krall... Acredito que esta noite, entre ferro e limpezas, vou ser acompanhado pelas "Quiet Nights" - não é inédito, é um clássico de Bossa Nova de 1963 e com o título original de "Corcovado" - com a autoria do Mestre Jobim. Contudo, na voz desta senhora, tudo é tão... mágico... (sugiro a compra do CD a quem o possa fazer, pois o leque de composições merece bem a pena).

 

Uma sugestão para o fim de semana? Quem não for em romaria à praia pode sempre ir até ao Ribatejo - e este a dar-lhe com o Ribatejo - parece-me ser uma escolha óptima. Se acham que não, vejam as imagens e estas nem são nada distantes de Lisboa.

 

IMG_0342.JPG

 

Talvez tenha uma relação especial com este território, sobretudo com as suas gentes e com a proximidade que nos é trazida com a terra, com os animais, com o trabalho árduo mas apaixonado, com algum marialvismo e garra bem ribatejanos... é bom olhar a corrente do Tejo, o ar do Sorraia e ao longe apreciar o desfile de cabeças de gado ou então das cegonhas com o seu "tac tac tac tac"...

 IMG_0375.JPG

(ao fundo, uma Garça Real)

 

Numa semana onde a Humanidade perdeu mais um pouco daquilo que lhe dá nome, parece ser uma oportunidade para relaxar e aproveitar as "Quiet Nights" do Ribatejo, agradecendo o barulho das aves nocturnas ao invés do som da morte...

 

Bom fim de semana...

 

As "Quiet Nights"...

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

É Tudo Uma Questão de Nervos...

por Robinson Kanes, em 06.04.17

 

AP972293042119.jpg

Fonte da Imagem: http://www.cbsnews.com/news/chemical-nerve-agents-a-very-toxic-and-horrible-way-to-die/

 

Um serão em família bem planeado... pai e mãe chegam dos empregos, ele prepara o jantar, ela dá banho aos miúdos. Brinca-se, pensa-se em como pagar o empréstimo da casa, diz-se mal dos amigos e chega a hora do jantar.

 

Entre chamadas de “João anda para a mesa” ou “Matilde, deixa a internet”, todos se sentam à mesa e começam a jantar. Cheira a comida oriental, uma receita que o pai retirou de um blogue. Uma ideia dos amigos e que, segundo ele, é uma receita de um país atrasado e de Terceiro Mundo.

 

A cidade está alegre, é Verão, ouvem-se crianças a brincar na rua, o vizinho do lado a chegar e aquela família a jantar com os últimos raios de sol a inundarem a cozinha daquele T3 nos arredores de Lisboa.

 

Pelo meio fala-se de futebol e do Ronaldo, fala-se do carro novo que já está decidido, dos detalhes do empréstimo e da escola dos miúdos. João exige umas sapatilhas novas, todos os amigos têm.

 

De repente, um estrondo... a mãe levanta-se, vai ver. Só os cães ladram, as crianças na rua continuam a brincar. O sol em Lisboa é mágico e inunda a praceta de uma cor de fim de tarde que contrasta com o cinzento esverdeado dos prédios.

 

A televisão ligada corta o diálogo, deixou-se de falar do melhor penteado e da figura pública mais bem vestida e chegam as notícias do mundo. O Pai diz - Não há paciência, merda para esses árabes! – e desliga a televisão.

 

É nesse momento que o som das crianças na praceta também se desliga, é também nesse momento que João começa a tossir. Os músculos do rosto contraem de tal modo que o João fica desfigurado num rosto digno de uma tela de Goya no seu período mais negro. Cai ao chão e apresenta convulsões que o fazem babar o ladrilho e urinar as calças que a avó com tanto carinho lhe deu. Agarra o pescoço, luta com os seus braços ainda pequenos, mas em vão...

 

Os pais acorrem em pânico, não conseguem perceber o que se passa, a linha de emergência está ocupada... Matilde, até então em choque, contorce-se na cadeira, agarra-se ao peito, o coração deixa de bater e os pulmões contraem-se de tal modo que nenhum oxigénio circula. Asfixia, cai perto de João que jaz já cadáver perante a falência respiratória. O seu rosto de menino transformou-se num retrato dantesco, as suas pupilas transformadas em mínimas esferas e o rosto com um olhar de horror, transformaram-no num pedaço de tragédia humana. A mãe vem gritar para a janela e vê os corpos das crianças que brincavam na rua no chão e amortalhados entre saliva e urina. Os pais, em pânico na praceta, choram e agridem os tripulantes das primeiras ambulâncias a chegar ao local.

 

No apartamento, de joelhos e em lágrimas, os pais sentem-se perdidos no mundo, João de 10 anos e Matilde de 8, foram vítimas de um ataque com agente nervoso. O cheiro da urina dá lugar a um cheiro pesado a insecticida... a um cheiro a morte.

 

Um dia pode ser na sua casa... com os seus filhos... os ataques com armas químicas são crimes de guerra, são verdadeiros crimes contra a Humanidade! Humanidade, significa que são contra si. Já foi ver se os seus filhos estão bem?

 

 

(Os ataques com armas químicas não são recentes. Sobretudo na Síria não é nada de novo, em 2013 não morreram 100 pessoas como no último ataque conhecido... morreram 1300 pessoas e o mundo virou a cara. Ao longo destes últimos anos o cenário tem-se repetido e penso... não aprendemos nada com a memória plástica que nos deixou Pablo Picasso com o seu Guernica.)

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


subscrever feeds


Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog